Matéria do Jornal Nacional exibida em 17/08/2010 sobre uma pesquisa feita com metodologia científica em 141 municípios em todas as regiões do Brasil, entrevistando 2002 brasileiros com idade superior a 16 anos, revelou que apenas 3% escolheram o MEIO AMBIENTE como o tema de maior preocupação, as últimas colocações de 10 opções oferecidas. O erro da pesquisa é de 2%, ou seja, este número pode ser de apenas 1%.
Surpresa? Nenhuma. Vários indicadores revelam que este número fica em torno de 1%
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
Salvos mais dois pedacinhos da Mata Atlântica
Elza ao lado de uma das taipa (paredão rochoso), que deu origem ao nome da RPPN Taipa Rio do Couro, em Itaiópolis (SC)Estão salvos CONCRETAMENTE para as gerações futuras mais dois pedacinhos da ameaçada MATA ATLÂNTICA em Santa Catarina repletos de formas de vida.
Acaba de ser publicada no Diário Oficial da União a criação de mais duas RPPNs nas áreas preservadas de nossa propriedade, em Itaiópolis (SC), nas cabeceiras do rio Itajaí (que causa enchentes em Blumenau). São áreas adjacentes às RPPNs já criadas, que totalizam uma área protegida de 500 hectares.
São estas as RPPNs criadas:
RPPN TAIPA RIO DO COURO - Área 36,3 ha
RPPN REFÚGIO DO MACUCO - Área 31,86 ha
Elza e sua sobrinha, Fernanda, no trecho do rio do Couro que corta a RPPN Refúgio do Macuco. Neste ponto, somos proprietários dos dois lados do rio. Na outra margem fica a RPPN Corredeiras do Rio Itajaí.Criação da RPPN Taipa Rio do Couro
Diário Oficial da União, Nº 142, terça-feira, 27 de julho de 2010
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE
PORTARIA No- 56, DE 26 DE JULHO DE 2010
Cria a RPPN Taipa Rio do Couro.
O Presidente do INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 19, inciso IV, do Anexo I da Estrutura Regimental, aprovada pelo Decreto 6.100, de 26 de abril de 2007, publicado no Diário Oficial da União do dia subseqüente; considerando o disposto no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, e o Decreto nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamenta a categoria de unidade de conservação de uso sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN - e, considerando as proposições apresentadas no Processo MMA / ICMBio n° 02070.001768/2009-49, resolve:
Art. 1º Criar a Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN TAIPA RIO DO COURO, de interesse público e em caráter de perpetuidade, em uma área de 36,30 ha (trinta e seis hectares e trinta ares), localizada no município de Itaiópolis, Estado de Santa Catarina, de propriedade de Elza Nishimura Woehl e Germano Woehl Junior, constituindo-se parte integrante do imóvel denominado Taipa do Rio do Couro, registrado sob a matricula n.º 7.553, registro nº 4, livro n.º 2, ficha 02, de 27 de abril de 2005, no Registro de Imóveis da Comarca de Itaiópolis - SC.
Art. 2º A RPPN Taipa do Rio do Couro tem os limites descritos a partir do levantamento topográfico realizado pelo Técnico em Agropecuária Almir Junior Adam, CREA/SC nº 072865-0
Art. 3º - A área da RPPN inicia-se a descrição deste perímetro no marco denominado "V01", vértice do Sistema Geodésico Brasileiro, DATUM - SAD 69, MC-51ºW, coordenadas Plano Retangulares Relativas, Sistemas UTM: (E=607594,3920 e N=7064419,0830m); segue confrontado com Julio Lada com a distância de 610,03m até o marco "V02" (E=607237,5590m e N=7063924,3020m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 235,18m até o marco "V03" (607109,4506m e N=7064121,5328m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 83,63m até o marco "V04" (E=607089,3016m e N=7064202,7034m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 78,58m até o marco "V05" (E=607140,9884m e N=7064261,8938m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 58,34m até o marco "V06" (E=607146,4520m e N=7064319,9810m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 156,40m até o marco "V07 (E=607286,7549m e N=7064389,0865m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 176,92m até o marco "V08" (E=607120,9379m e N=7064450,7951m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 30,48 até o marco "V09" (E=607143,2387m e N=7064471,5836m); Daí segue com o Rio do Couro com a distância de 127,19m até o marco "V10" (E=607075,0413m e N=7064578,9451m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 58,65m até o marco "V11" (E=607102,6002m e N=7064630,7234m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 135,64m até o marco "V12" (E=607049,6625m e N=7064755,6121m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 208,98m até o marco "V13" (E=607249,7014m e N=7064816,1011m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 83,11m até o marco "V14" (E=607246,8497m e N=7064899,1693m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 42,20m até o marco "V15" (E=607280,3262m e N=7064924,8793m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 22,98m até o marco "V16" (E=607300,2187m e N=7064913,3645m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 156,83m até o marco "V17" (E=607456,5704m e N=7064925,7586m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 35,63m até o marco "V18" (E=607490,0949m e N=7064937,8121m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 50,64 m até o marco "V19" (607508,2633m e N=7064985,0886m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 99,78m até o marco "V20" (E=607590,9460m e N=7065040,9430m); Daí segue confrontando com Elcira Eskelsen com a distância de 621,87m até o marco "V01" início de descrição, fechando assim o perímetro do polígono acima descrito.
Art. 4º A RPPN será administrada pelos proprietários do imóvel, que serão responsáveis pelo cumprimento das exigências contidas na Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e no Decreto n.º 5.746, de 05 de abril de 2006. Art. 5º As condutas e atividades lesivas à área reconhecida como RPPN criada sujeitarão os infratores às sanções cabíveis previstas na Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e no Decreto n° 6.514, de 22 de julho de 2008. Art. 6º
Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
Criação da RPPN Refúgio do Macuco
Diário Oficial da União, Nº 144, quinta-feira, 29 de julho de 2010
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE
PORTARIA N.- 60, DE 27 DE JULHO DE 2010
Cria a RPPN Refúgio do Macuco
Vista da área da RPPN Refúgio do Macuco, em Itaiópolis (SC). Foto tirada a partir de um ponto da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. O conjunto das RPPNs criadas nesta mesma área totalizam 500 hectares.O Presidente do INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 19, inciso IV, do Anexo I da Estrutura Regimental, aprovada pelo Decreto 6.100, de 26 de abril de 2007, publicado no Diário Oficial da União do dia subseqüente; Considerando o disposto no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, e o Decreto nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamenta a categoria de unidade de conservação de uso sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN - e, Considerando as proposições apresentadas no Processo IBAMA/MMA - ICMBio n° 02070.001946/2009-31, RESOLVE:
Art. 1º Criar a Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN REFÚGIO DO MACUCO, de interesse público e em caráter de perpetuidade, em uma área de 31,86 ha (trinta e um hectares e oitenta e seis ares), localizada no município de Itaiópolis, Estado de Santa Catarina, de propriedade de Elza Nishimura Woehl e Germano Woehl Junior, constituindo-se parte integrante do imóvel denominado Sítio Stoltz, registrado sob a matricula n.º 2.849, registro nº 6, livro n.º 2, ficha 01, de 21 de fevereiro de 2005, no Registro de Imóveis da Comarca de Itaiópolis - SC.
Art. 2º A RPPN Refúgio do Macuco tem os limites descritos a partir do levantamento topográfico realizado pelo Técnico em Agropecuária Almir Junior Adam, CREA/SC nº 072865-0.
Art. 3º - A área da RPPN inicia-se a descrição deste perímetro no marco denominado "V01", vértice do Sistema Geodésico Brasileiro, DATUM - SAD 69, MC-51ºW, coordenadas Plano Retangulares Relativas, Sistemas UTM: (E=607469,8790m e N=7062694,1540m) no marco "V01" segue confrontando com Paulo Schambeck com a distância de 347,46m; até o marco "V02" (E=607461,3860 m e N=7063042,0080m); Daí segue confrontando com o Rio Perdido a distância de 53,57 m até o marco "V03" (E=607512,3310m e N=7063058,5640m); Daí segue confrontando com o Rio Perdido a distância de 86,17m até o marco "V04" (E=607591,8990m e N=7063025,4860m); Daí segue confrontando com Paulo Shambeck com a distância de 591,20m até o marco "V05" (E=607823,2217m e N=7063569,5507m); Daí segue confrontando com Ilvan Sebastião dos Passos com a distância de 668,50m até o marco "V06" (E=607154,9496m e N=7063586,8202m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 63,93m até o marco "V07" (E=607184,6064m e N=7063530,1838m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 82,25m até o marco "V08" (E=607225,6884m e N=7063458,9240m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 125,40m até o marco "V09" (E=607213,6618m e N=7063334,1011m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 96,00m até o marco "V10" (E=607234,1465m e N=7063240,3136m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 80,79m até o marco " V 11 " (E=607280,5475m e N=7063174,1745m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 76,33m até o marco "V12" (E=607310,7820m e N=7063104,0900m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 93,71m até o marco "V13" (E=607274,6749m e N=7063017,6165m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 88,21m até o marco "V14" (E=607295,3065m e N=7062931,8488m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 239,83m até o marco "V15" (E=607263,3507m e N =7062694,1540m); Daí segue confrontando com Martim Cieslinski com a distância de 206,52m até o marco "V01" início da descrição, fechando assim o perímetro do polígono acima descrito.
Art. 4º A RPPN será administrada pelos proprietários do imóvel, que será responsável pelo cumprimento das exigências contidas na Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e no Decreto n.º 5.746, de 05 de abril de 2006.
Art. 5º As condutas e atividades lesivas à área reconhecida como RPPN criada sujeitarão os infratores às sanções cabíveis previstas na Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e no Decreto n° 6.514, de 22 de julho de 2008. Art. 6º
Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Educação Ambiental para Comunidade Indígena de Araquari (SC)
Crianças indígenas guaranis da Escola Indígena Estadual “Cacique Werá Puku” atendidos nas atividades de interpretação de trilha da RPPN Santuário Rã-bugioNas proximidades da RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC), temos uma comunidade indígena. São índios da etnia guarani.
O Ministério da Justiça já homologou a criação da reserva que terá 3.017 hectares e foi denominada de Reserva Indígena do Piraí, devido ao nome do rio Piraí que atravessa a reserva. A sede fica no município de Araquari (SC), que faz divisa com Guaramirim (SC). O ecossistema predominante na reserva é a Floresta de Restinga de Interior, que está em processo de extinção.
Os curumins (crianças indígenas), que estudam na Escola Indígena Estadual “Cacique Werá Puku”, já foram beneficiados pelo nosso projeto de educação ambiental. Eles participaram das atividades nas trilhas interpretativas da RPPN (foto acima).
terça-feira, 29 de junho de 2010
CÓDIGO FLORESTAL: Bruna, aluna da 5a. Série, sabe mais do que os políticos
Atividades de interpretação de trilha com estudantes da Escola Estadual Marechal Rondon, de São José dos Campos (SP)Bruna, 11 anos, estudante da 5a. Série de uma escola pública do interior de São Paulo sabe mais do que os políticos em Brasília sobre a importância do Código Florestal para o futuro do Brasil.
Os deputados federais que estão tentando derrubar o Código Florestal (veja a matéria no site O ECO), que desde 1965 protege o que resta de nossas matas, deveriam aprender com a Bruna sobre a necessidade de salvarmos a riqueza da biodiversidade para as gerações futuras.
Bruna participa do nosso projeto de Educação Ambiental “Mata Atlântica é qualidade de vida” patrocinado pela Johnson & Johnson e desenvolvido em parceria com as escolas públicas de São José dos Campos e Jacareí, no Estado de São Paulo.
O projeto consiste em desenvolver atividades ao ar livre de interpretação de trilhas em um fragmento de Mata Atlântica que fica no Campus Vila Branca da UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba. Veja que impressionante a visão da Bruna sobre meio ambiente clicando no link abaixo (arquivo PDF)
Relatório de atividades da estudante Bruna Stephany de Souza Assunção, Aluna da 5ª Serie da Escola Estadual Professora Hermínia Silva Mesquita - Jacareí (SP)
Incluindo a Bruna foram atendidos até agora neste projeto 3.411 estudantes e 90 professores. A meta é atender 4.000 estudantes.
Veja também nestes dois relatórios como é importante este projeto:
Rafaela G. Miranda – aluna da 7a. Série - Escola Estadual Dr. João Victor Lamanna - Jacareí (SP)
Micaela Motta dos Santos – aluna da 8a. Série - Escola Estadual Professor Adherbal de Castro - Jacareí (SP)
Veja os desenhos deste menino, que tem 11 ou 12 anos
Leonardo Y. Sato - aluno da 6a. Série - Escola Estadual Dr. João Victor Lamanna - Jacareí (SP)
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Cobras indesejáveis: Matar ou entregar aos traficantes?
Caixa com as cobras resgatadas pelo corpo de bombeiros nas residências de Guaramirim (SC), que foram devolvidas à natureza. Clique sobre a imagem para ampliar.A pior coisa que pode acontecer para uma serpente depois que perde o hábitat é ser encontrada e capturada viva pelos humanos. Algumas têm a sorte de receber a sentença de morte instantânea, independentemente de ser venenosa ou não. Outras, com menos sorte, são mantidas presas e, até que o alívio da morte chegue, são submetidas a intermináveis seções de tortura, passando por horrores que os mais monstruosos torturadores da história da humanidade sequer ousaram imaginar em aplicar ao pior inimigo ou criminoso.
Assim que o nosso trabalho nas escolas de Guaramirim (SC) de popularizar a biodiversidade da Mata Atlântica ficou bem conhecido, o corpo de bombeiros voluntários* pediu nossa ajuda sobre o que fazer com uma absurda quantidade de cobras que eles resgatavam nas residências, que não parava de aumentar. Segundo a opinião de muitos, a defesa que fazemos dos animais contribuiu para atormentar a vida do pessoal do corpo de bombeiros. As pessoas já estão percebendo que é errado matar.
Mas elas ainda não percebem o quanto as serpentes são importantes na natureza e mesmo nas áreas urbanizadas. As serpentes salvam vidas humanas ao controlarem a população de ratos, que podem transmitir a bactéria da leptospirose através da urina, doença que pode ser fatal. A leptospirose mata centenas de pessoas todos os anos e a incidência vem aumentado assustadoramente, sobretudo na periferia das grandes cidades.
Eu conheci quase toda a fauna de répteis (cobras e lagartixas) da região na sede do corpo de bombeiros de Guaramirim. Mas espere aí, Lagartixas? Sim, lagartixas! Infelizmente, as pessoas telefonavam para o corpo de bombeiros, aterrorizadas, pedindo ajuda para serem salvas do ataque “iminente e mortífero” de uma inofensiva lagartixa de 5 cm. Daí a importância do nosso trabalho de popularizar a biodiversidade.
A primeira providência que tomamos foi presentear a corporação com guias de identificação de serpentes. Eles conheciam bem as três espécies venenosas da região, mas tinham dúvidas sobre as demais. E quanto às lagartixas, explicamos que no Brasil não temos nenhuma espécie de lagarto venenoso e que no Planeta existe apenas duas espécies, que vivem em ilhas, bem longe daqui.
Então, eles aprenderam a reconhecer bem todas as espécies e adotar um procedimento simples: soltá-las na mata mais próxima da residência onde ocorreu a captura. Mas antes de se deslocar até a residência fazer uma tentativa de tranqüilizar a pessoa e, dependendo do local onde a cobra se encontra, sugerir que a deixe em paz que ela vai embora.
Teve uma história interessante de uma cobra que apareceu no pátio de uma escola na hora do recreio dos alunos. A zeladora não teve dúvida e pegou um cabo de vassoura para mata-la. Os alunos a impediram aos gritos: “A Elza disse que é só esperar um pouco que ela vai embora”. E a cobra foi salva e pode seguir sua jornada.
Por muito tempo, todas as cobras venenosas capturadas, jararacas e jararacuçus eram devolvidas para a natureza nas matas preservadas de Guaramirim.
O que me intrigava era aparecer tantas jaracuçus nas residências, pois é uma serpente que só ocorre em matas bem preservadas. Descobrimos algo supreendente: as jararacuçus estavam sendo resgatadas nas propriedades rurais. Agricultores estavam telefonando para o corpo de bombeiros solicitando o resgate de cobras até no meio das matas preservadas. Segundo eles, as jararacuçus só surgiam na região do município onde fica a RPPN Santuário Rã-bugio, a parte que fica encostada na Serra do Mar, justamente a que é mais preservada no município.
Jararacuçu, jararaca e uma inofensiva dormideira (que está embaixo da jararaca) resgatadas nas residências e propriedades rurais pelo corpo de bombeiro de Guaramirim (SC). Todas foram devolvidas à natureza.Data da foto: 29/11/2002. Clique sobre a imagem para ampliar.
Teve um resgate de jararacuçu que foi engraçado. Ocorreu na propriedade de um agricultor que mora a 300 metros da RPPN. Ele telefonou para o corpo de bombeiros que se deslocou 15 km com a viatura para fazer o translado de 300 metros da jararacuçu, libertada imediatamente na RPPN. Acho que não passava pela cabeça desse agricultor que incluímos também as serpentes na defesa que fazemos da biodiversidade. O mais provável é que ele queria ver a jararacuçu bem longe dali, como se fosse a única que habitasse aquelas extensas matas preservadas.
O caso mais difícil de devolução para a natureza foi o da maior jararacuçu que alguém já encontrou na região. Também foi capturada nas proximidades da RPPN em uma mata preservada de um agricultor que chamou o corpo de bombeiro ao ver a cobra no meio da mata, enrolada, dormindo tranquilamente. Por uma feliz circunstância, a Elza ficou sabendo do “achado” surpreendente. Mas já foram logo avisando que aquela jararacuçu não seria devolvida à natureza, pois o comandante do corpo de bombeiros, ao qual o de Guaramirim está subordinado, queria esta cobra, custe o que custar.
A Elza ficou desesperada e na maior diplomacia lutou sem tréguas para convencer o comandante da unidade de Guaramirim a desobedecer a ordem superior e devolver a cobra à mamãe natureza. Chegou ao extremo de precisar envolver Deus nos apelos.
Então, comandante de Guaramirim se rendeu e acatou os argumentos da Elza. Atendendo minha sugestão (para que não fique dúvida sobre nossas boas intenções), a Elza pediu para o comandante acompanha-la até uma mata preservada na Serra do Mar e testemunhar a soltura desta criatura, um momento mágico para todos nós, seres humanos, que foi registrado neste vídeo
Acho que foi logo após este dia que recebemos uma notícia triste de que as serpentes venenosas não seriam mais libertadas e teriam que ser necessariamente encaminhadas para o corpo de bombeiros de Jaraguá do Sul, que estava concentrando todas as serpentes capturadas nos municípios da região do vale o rio Itapocu para enviá-las a algum lugar.
Nas mãos de traficantes de animais ou não, o destino destas serpentes será invariavelmente cruel, conforme escrevi no primeiro parágrafo. A quantidade de cobras jararaca e jararacuçu que eles recebem é tão grande que sequer se dão ao luxo de alimentá-las após fazer a extração de veneno, conforme a constatação da Polícia Federal na operação que prendeu um grande receptador dias atrás (veja a matéria Diário Catarinense, 10/06/2010) . O veneno é extraído com muita crueldade e a cobra jogada em uma caixa e se não morrer logo, vai para uma nova seção de tortura para extração do veneno, que vale uma fortuna.
Nesta matéria da Radio Jaraguá AM de 07/01/2010, sobre a captura de cobras nas residências, repare que o corpo de bombeiros de Guaramirim diz algo diferente dos demais. Está aí o resultado do nosso trabalho de educação ambiental. As pessoas precisam ser educadas para que tolerem mais a presença de animais silvestres que estão ficando sem áreas naturais para viverem.
* Em Santa Catarina o corpo de bombeiros é constituído por voluntários e não uma divisão da polícia militar como nos outros Estados.
terça-feira, 1 de junho de 2010
O Príncipe da Serra do Mar de Joinville
Campos de Altitude (Alto Quiriri), nas montanhas mais altas da Serra do Mar, um ecossistema muito especial, raríssimo e muito ameaçado que o nosso "principe" Sr. Carlos F. A. Schneider salvou para as gerações futuras.Dizem que Joinville (SC) é a cidade dos Príncipes. Neste final de semana ficamos sabendo que é mesmo quando tivemos o privilégio de conhecer pessoalmente pelo menos um deles. Não sei se existem outros naquela cidade.
Ele não é estrangeiro, mas um brasileiro digno de merecer este título, que nos enche de orgulho e deverá ficar para a história da conservação da natureza do nosso País. Um benfeitor da humanidade que salvou da destruição uma área significativa da Serra do Mar na região norte de Santa Catarina, algo em torno de 10 mil hectares, até agora.
Estou me referindo ao Sr. Carlos F. A. Schneider, 86 anos, um dos mais bem sucedidos empresários brasileiros do ramo industrial que figura também como destaque na galeria de honra da história da industrialização do nosso País. Um de seus empreendimentos é a empresa CISER S.A. fundada por ele em 1959, em Joinville (SC), uma das maiores fabricantes de porcas e parafusos da América Latina, fornecedora para montadoras de automóveis etc.
Muitos devem ficar intrigados com o fato de uma porção significativa da Serra do Mar em Joinville estar ainda tão bem preservada, apesar da enorme pressão. Afinal, Joinville é uma metrópole, sendo a cidade mais populosa e a mais desenvolvida de Santa Catarina. Mas não é por acaso que ainda temos este patrimônio natural. É fruto do esforço do nosso príncipe de verdade.
São consideráveis os benefícios para a população de Joinville deste excelente estado de preservação da Serra do Mar, pois proporciona muita qualidade de vida para a população. Os habitantes de Joinville têm o privilégio de beber uma água de qualidade tão boa quanto àquela que só é servida para a população que vive em metrópoles do primeiro mundo, como Nova York e Tóquio. É a genuína “água da serra”.
São consideráveis os benefícios para a população de Joinville deste excelente estado de preservação da Serra do Mar, pois proporciona muita qualidade de vida para a população. Os habitantes de Joinville têm o privilégio de beber uma água de qualidade tão boa quanto àquela que só é servida para a população que vive em metrópoles do primeiro mundo, como Nova York e Tóquio. É a genuína “água da serra”.
Paisagem típica do Campos de Altitude na Serra do Mar de Joinville e Garuva (SC), região conhecida como Alto Quriri. As nascentes de muitos rios surgem nesta paisagem natural de campos com vegetação arbórea nos vales, onde nascem os riachos. Este riquíssimo patrimônio foi salvo pelo Sr. Carlos F. A. Schneider que há anos vem comprando e preservando estas áreas.Nosso príncipe proporcionou para a geração atual de joinvilenses pode usufruir das belíssimas paisagens intactas da Serra do Mar e da água puríssima das centenas de rios e riachos que descem a serra protegidos pela Mata Atlântica que recobre as montanhas de granito porque teve a sorte de existir na comunidade uma pessoa com visão no futuro, o Sr. Carlos F. A. Schneider.
Há décadas nosso príncipe vem comprando aos poucos estas áreas preservadas de Mata Atlântica densa que recobrem as colossais montanhas de quase pura rocha de granito que formam a Serra do Mar e abrigam uma riquíssima biodiversidade. Ele reverte para a comunidade tudo o que tem conseguido ganhar com sua competência empresarial na forma de um benefício de importância tão extraordinária. É um exemplo raro de empresário brasileiro que faça uma destinação tão nobre dos lucros de um negócio.
Daqui a 100, 200 ou 3.000 mil anos as pessoas que nos substituirão certamente vão se orgulhar muito da atitude muito ousada para esta época do Sr. Carlos F. A. Schneider, de ter olhado para o passado e para o futuro próximo e distante, percebendo, assim, o quanto é crucial salvar um monumento natural desta magnitude para a perpetuação de milhares de formas de vida que compartilham o Planeta conosco.
Com tantos benefícios para a sociedade, você deve estar imaginando que nas datas comemorativas tais como o Dia do Meio Ambiente, a cidade inteira presta homenagens para o nosso príncipe e que as escolas orientam seus alunos para neste dia contemplem a Serra do Mar enquanto falam sobre a contribuição de pessoas como o Sr. Carlos Schneider para que toda aquela beleza exuberante não seja apenas uma miragem. Mas, eu já vou logo avisando: é bom não se iludir muito.
Quando você chega a Joinville, pela rodoviária ou aeroporto, o serviço de som já lhe prepara para que não tenha o dissabor de uma grande decepção no que se refere a importância que a geração atual dá para o patrimônio natural. Eles começam anunciando o seguinte: “Joinville: a cidade alemã que tem um toque da aristocracia francesa”. Mais uma vez, quero alertar que o locutor não se refere aos alemães e franceses de hoje e nem dos últimos 300 anos ou mais, no que diz respeito à percepção sobre a importância da conservação da natureza.
Daí podemos ter idéia do que significa existir nos tempos atuais um empresário com os valores do Sr. Carlos F. A. Schneider. Como a tendência da sociedade é sempre no sentido de melhorar a medida que o tempo passa, embora algumas mais rapidamente do que outras, não deverá demorar muito para que os visitantes de Joinville ao desembarcarem no aeroporto ou na rodoviária enquanto se deslumbram com a paisagem da Serra do Mar ouvirem o locutor dizer: “Joinville: uma cidade que preservou esta belíssima paisagem natural que você esta apreciando porque teve em sua comunidade um príncipe chamado Carlos F. A. Schneider”. E você finalmente entenderá que faz algum sentido Joinville ser rotulada de “a cidade dos príncipes”.
Foi interessante a forma como ocorreu este nosso agradável e inesquecível encontro com o Sr. Carlos F. A. Schneider. Ele leu uma matéria publicada no jornal A Noticia, sobre as matas preservadas que compramos aos poucos, pedacinho por pedacinho, na tentativa desesperada de tentar salvá-las. Então, pediu aos familiares que agendassem um encontro porque queria nos conhecer, mesmo sabendo que a nossa humilde escala para salvar a natureza não arranha sequer uma fração centesimal da escala empreendida por ele.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
O filósofo que há 100 anos teve a ousadia de ensinar para humanidade que as matas preservadas são a Casa de Deus
A imagem acima é de um imã de geladeira que meu colega comprou recentemente em uma livraria nos Estados Unidos.
A frase “In God’s wildness lies the hope of the world” é do filósofo e naturalista John Muir, escrita no século XIX, cujo significado é mais ou menos o seguinte: “As matas preservadas são de Deus e nelas estão a esperança da humanidade”
Este suvenir me chamou a atenção. Então, fui pesquisar na internet a biografia do autor. Fiquei muito impressionado ao descobrir quem foi John Muir e, mais surpreso ainda, ao saber que ele escreveu esta frase e tantas outras com uma defesa ardente da natureza há mais de 100 anos.
Logo de cara, achei que se tratava de um escritor contemporâneo porque são frases que expressam um pensamento muito moderno e bem mais avançado do que o nosso, que defendemos a natureza de forma tão apaixonada.
Tem outra fase dele que é exatamente o nosso projeto de educação ambiental e começa assim: “Deixe as crianças andarem na floresta para elas aprenderem como funciona a natureza...”
Mas a contribuição de John Muir para a humanidade não veio somente do dom de sua arte literária extremamente refinada ao escrever estas coisas maravilhosas e tão avançadas, há mais de 100 anos. Já naquela época ele conseguiu materializar o que expressava com sua arte de escrever.
Enquanto viveu teve a proeza de, naquela época, século XIX, convencer a sociedade norte-americana a criar várias unidades conservação da natureza. A primeira delas foi o Parque Nacional de Yosemite, criado em 1890. Depois vieram outras, conforme segue abaixo em sua biografia.
O jornalista Marcos Sá Correa, do site O ECO, que já leu todos os livros de John Muir, contou-me que ele era uma pessoa muito articulada e influente. Certa vez, teve a audácia de convidar o Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, para acampar com ele no meio de uma mata preservada e apreciar a natureza, ver como é magnífica. E o Presidente Roosevelt aceitou o convite e foi.
Reparem como a sociedade norte-americana reconhece o valor de pessoas que, efetivamente, defenderam a natureza. No dia 21 de abril todas as escolas da Califórnia comemoram o "dia de John Muir", quando o naturalista é homenageado. Neste dia, os professores das escolas são convidados a falar aos alunos sobre as contribuições dele para a criação das unidades de conservação da natureza (áreas protegidas, parques nacionais etc) norte-americanas.
Os norte-americanos há mais de 100 anos já consideravam as unidades de conservação da natureza como a Casa de Deus. Enquanto que, aqui, ainda hoje, a imensa maioria da população considera as unidades de conservação como a porta do inferno.
Biografia do John Muir
John Muir (Dunbar, Escócia, 21 de abril de 1838 — Noël, Los Angeles, 24 de dezembro de 1914), foi um naturalista e escritor norte-americano do século XIX, que lutou pela preservação do patrimônio natural dos Estados Unidos.
Sua família emigrou da Escócia para os Estados Unidos na metade do século XIX. Na sua juventude, já inventava máquinas para cortar madeira: criou relógios e termômetros e, passou a maior parte do seu tempo, observando a natureza. Entra na universidade de Wisconsin em 1860; porém, em 1863, decide viajar para o norte dos Estados Unidos e ao Canadá, onde descobre novos espaços, ainda virgens. Em 1867, fica cego de um olho devido a um acidente, porém coloca um tapa-olho e retorna as suas viagens: visitou Cuba, Panamá e São Francisco, onde se entusiasma pela Serra Nevada.
Intalou-se em Yosemite e ganhou notoriedade, recebendo a visita de Joseph Le Conte (1823-1901), Asa Gray (1810-1888) e Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Continuou seu trabalho como pastor e seguiu estudando a natureza. Em 1874, escreveu uma série de artigos sobre a Serra Nevada. Em 1879, descobre Glacier Bay no Alasca. Em 1880, casa-se e instala-se em Martinez na Califórnia, passando a viajar pelo mundo inteiro. Nos anos seguintes, publicou quase 300 artigos e 10 obras onde expõem a sua filosofia ecológica.
Em 1890, com o apoio de Robert Underwood Johnson ( editor da revista "Century"), convence o Congresso dos Estados Unidos de criar o Parque Nacional de Yosemite. A partir daí, ele incentiva a criação de novas reservas como Sequoia, Monte Rainier, Parque Nacional Floresta Petrificada e o Parque Nacional Grand Canyon, passando a ser chamado de "o pai dos sistemas de parques nacionais". Em 1892, Muir e seus discípulos criam o Sierra Clube, com a função inicial de proteger a reserva de Yosemite, ocupando a presidência até a sua morte em 1914. Em 1901, John Muir publicou Nos parcs nationaux que chamou à atenção do presidente americano Theodore Roosevelt, que o visitou em Yosemite, em 1903.
Em 1913, John Muir perde a luta contra a construção de uma barragem num vale de Yosemite (Hetch Hetchy) destinada a criar um lago para suprir as necessidades de água da cidade de São francisco.
Morreu em 1914 na cidade de Noël , Los Angeles, vítima de uma pneumonia.
Na Califórnia, 21 de abril é o "dia de John Muir", quando o naturalista é homenageado: os professores das escolas são convidados a falar aos alunos sobre as contribuições dele para a preservação das unidades de conservação da natureza (áreas protegidas) norte-americanas.
O Monte Muir, da Serra Nevada, foi nomeado em sua homenagem.
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