segunda-feira, 21 de julho de 2014

Projeto reduziu poluição de riachos da Serra do Mar em Santa Catarina



Elza Nishimura Woehl coletando amostra de água no dia 01/07/2014 em um dos riachos despoluídos da Serra do Mar, em Schroeder (SC). Clique sobre a imagem para ampliar
Um projeto piloto de baixo custo reduziu consideravelmente a poluição por esgoto doméstico de riachos da Serra do Mar na localidade de localidade de Itoupava-Açu, no Município de Schroeder (SC).

O projeto foi idealizado pelo Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade, ONG sediada em Jaraguá do Sul, com financiamento do FEPEMA - Fundo Especial de Proteção ao Meio Ambiente de Santa Catarina.

Consistiu na instalação de 47 fossas sépticas com filtro nas residências de famílias de baixa renda e um programa de educação ambiental com as escolas públicas de Schroeder, Jaraguá do Sul e Guaramirim, da região cortada pelo rio Itapocuzinho que recebe água dos afluentes beneficiados pelas ações do projeto.

Nas atividades educativas ao ar livre, parte dos estudantes foi conduzida até os locais onde foram instaladas as fossas sépticas para observar a gravidade dos problemas ambientais decorrentes da poluição dos riachos da Serra do Mar devido ao lançamento de esgoto doméstico sem tratamento.

Para se verificar a eficácia do projeto foram coletadas amostras da água em determinados pontos de quatro afluentes do rio Itapocuzinho contaminados por esgoto doméstico, antes e depois das instalações das fossas sépticas, em fevereiro e julho deste ano. As amostras foram enviadas para um laboratório fazer a contagem do número mais provável (NMP) de coliformes fecais, que é a densidade média de bactérias Escherichia coli presentes em 100 mililitros de água, um teste padrão para se determinar a contaminação da água.

O grupo de bactérias coliformes é considerado como o principal indicador de contaminação bacteriológica de origem fecal e determina a segurança do uso da água. O teste de contagem de coliformes fecais é empregado para se avaliar a poluição de cursos de água, eficiência de desinfecção de sistemas de tratamento de água, de efluentes industriais e domésticos, balneabilidade de praias e monitoramento sistemático para classificação da qualidade da água de rios.

Os resultados obtidos da contagem de coliformes fecais (NMP/100 ml) antes e depois das instalações das fossas sépticas foram:

Local de coleta
ANTES
DEPOIS
Ponto 1
1454
156
Ponto 2
34480
486
Ponto 3
32550
3452
Ponto 4
3180
379
Ponto 5
1870
62

O projeto não teve a ambição de acabar com a poluição do rio Itapocuzinho, mas de demonstrar que é possível por meio de medidas de simples reduzir significativamente a contaminação por esgotos domésticos em uma boa extensão de todos os rios e riachos da Serra do Mar, devolvendo a grande diversidade de vida para estes ambientes aquáticos.

domingo, 8 de junho de 2014

Eventos climáticos extremos: Chuva em Guaramirim atinge recorde


O pluviômetro instalado na RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC), registrou 338 mm de chuva entre quinta-feira do dia 05/06/2014 e domingo, dia 08/06/2014. A cidade ficou inundada e ocorreram vários deslizamentos nas encostas da Serra do Mar.

Este volume de chuva registrado neste período de 4 dias teve a seguinte distribuição:

05/06/2014 (quinta-feira): 14,8 mm
06/06/2014 (sexta-feira): 74,0 mm
07/06/2014 (sábado): 137,9 mm
08/06/2014 (domingo): 111,4 mm

A precipitação de 338 mm corresponde a uma lâmina d’água de 33,8 cm de profundidade distribuída por toda a região, supondo que a chuva é uniforme. A precipitação varia muito de um lugar para outro, distantes de 5 km ou até menos.

Porém, a água da chuva que cai sobre os morros e outras partes mais altas escoa rapidamente para as partes mais baixas da cidade, resultando em uma profundidade da água acumulada muito maior do que 33,8 cm. Isto explica a grande inundação que este volume de água provocou nas partes mais baixas, atingindo até o telhado de algumas casas.

Na tragédia de novembro de 2008, quando ocorreram várias mortes por deslizamentos das encostas, o volume de chuva acumulado em 4 dias foi maior, de 366 mm, com a seguinte distribuição:

21/11/2008: 89,8 mm
22/11/2008: 157,0 mm
23/11/2008: 69,7 mm
24/11/2008: 49,4 mm

No dia 20/11/2008 também choveu bastante, 25,3 mm. Mas para efeito da análise a seguir, está sendo considerado este período de 4 dias de chuva.

Apesar de estes números revelarem o contrário, muitos moradores de Guaramirim e Jaraguá do Sul estão achando a inundação
deste domingo foi maior do que a de 2008. Eles podem ter razão. Se o registro dos índices pluviométricos fosse feito de hora em hora daria para entender melhor o que ocorreu e comprovar claramente esta observação dos moradores.

Há 12 anos vem sendo registrado a precipitação na RPPN Santuário Rã-bugio com um pluviômetro instalado de acordo com as normas internacionais e a precisão da medida do volume de água coletado da chuva é de 1 mililitro (ml). O pluviômetro não é automatizado e a coleta manual tem sido feita pela proprietária da RPPN, Elza Nishimura Woehl, e se encerra às 21 h. Então, a chuva que ocorre após às 21 h é coletada e contabilizada no dia seguinte.

Portanto, pode ter ocorrido em Guaramirim uma precipitação superior a 200 mm num período bem curto, em menos de 12 horas, entre a tarde de sábado até a manhã de domingo. Isto explica esta grande inundação ocorrida na manhã de domingo. Também, desta vez, pode ter chovido mais nas cabeceiras do rio Itapocu do que em 2008 e rio mais cheio represou o escoamento da água em Guaramirim.

Durante estes 12 anos, já foram registrados várias precipitações acima de 150 mm em períodos de 24 h, sem causar grandes inundações. A média anual de precipitação em Guaramirim é de 1600 mm.

Os cientistas denominam de evento climático extremo fenômenos meteorológicos anormais como esta chuva de intensidade absurda que ocorreu em Guaramirim e Jaraguá do Sul. Estes eventos não são novidades, sempre ocorreram. A novidade – e a preocupação – é que nos últimos anos estão se tornando cada vez mais frequentes. Na nossa região sofremos o segundo evento climático extremo em pouco mais de 5 anos.

domingo, 25 de maio de 2014

Lesma invasora da Europa na Mata Atlântica de Santa Catarina


LESMA AMARELA (Limacus flavus), espécie invasora originária da Europa, encontrada em uma propriedade rural na localidade Linha Cerqueira, no entorno da RPPN das Araucárias Gigantes. Foto tirada em 15/01/2014. Clique sobre a imagem para ampliar.

Quando se encontra uma planta ou animal desconhecido está cada vez mais difícil saber se é uma espécie nativa da região ou invasora, proveniente de outros países ou de outras regiões do Brasil. É uma das consequências negativas da globalização.

Geralmente quando é uma espécie invasora, quer seja do reino animal ou vegetal, significa problema tanto para os ecossistemas preservados como para a agricultura e pecuária. As espécies invasoras são apontadas pelos especialistas como a segunda causa de perda de biodiversidade, só perdendo para o desmatamento.

Recentemente fotografei uma lesma grande de coloração muito interessante na estrada, em frente de uma propriedade rural, no entorno da RPPN das Araucárias Gigantes, na localidade Linha Cerqueira, Distrito de Itaió, em Itaiópolis (SC). Esta lesma era desconhecida para mim e fiquei surpreso porque eu nunca tinha visto antes, apesar de ter nascido e vivido por muitos anos em Itaiópolis, observando atentamente qualquer ser vivo que encontrasse e uma lesma tão interessante assim não passaria despercebida.

Enviei as imagens para o Pesquisador Aisur Ignacio Agudo Padrón, que é especialista neste grupo de animais invertebrados, dos moluscos, principalmente da fauna catarinense, seu principal foco de estudos. Estava ansioso pela resposta, imaginando ter encontrado mais uma raridade da biodiversidade abrigada e protegida naquelas áreas de Mata Atlântica que estamos preservando.

No entanto, a resposta do Prof. Ignacio com a identificação da espécie frustrou minha expectativa. Trata-se de uma lesma exótica invasora, originária da Europa, conhecida como lesma amarela (Limacus flavus). Não se sabe quando chegou ao Brasil, mas nas propriedades rurais do entorno da RPPN das Araucárias Gigantes, na localidade Linha Cerqueira, apareceu em 2010, segundo os agricultores.

Esta espécie invasora de lesma tem causado grandes prejuízos para os agricultores da localidade. Ataca os canteiros de mudas de tabaco cultivadas em hidroponia (sistema floating), ambiente aquático que é propício para a espécie. Como é uma espécie de hábitos noturnos, os ataques só ocorrem durante a noite o que dificulta o controle manual. A cada ano a infestação se intensifica.

Certamente esta lesma chegou ao Brasil e posteriormente àquela região da mesma forma acidental de tantas outras pragas: por meio de mudas de plantas ornamentais de jardinagem, plantas em vasos e mudas frutíferas contaminadas com os ovos e larvas minúsculas.

Ficha do bicho

LESMA AMARELA

Espécie INVASORA no Brasil. É nativa do Reino Unido e do restante da maior parte da Europa.


Nome científico: Limacus flavus (Linnaeus, 1758)

Sinômimo: Limax flavus (Linnaeus, 1758)

Nome em inglês: yellow slug - tawny garden slug - Cellar slug

Filo: Mollusca
Subclasse: Orthogastropoda
Superordem: Heterobranchia
Ordem: Pulmonata
Subordem: Eupulmonata
Infraordem: Stylommatophora
Superfamíla: Limacoidea
Família: Limacidae

Tamanho:
Pode atingir o comprimento entre 8 e 13 cm

Reprodução:
Deposita entre 12 e 32 ovos por desova. Durante o ciclo de vida, cada lesma amarela pode depositar entre 60 e 138 ovos.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Onça-parda fotografada durante o dia na RPPN Corredeiras do Rio Itajai

 
Primeira imagem registrada da Onça-parda (Puma concolor) às 17h21min do dia 26/04/2014 com a Câmera de trilha  Bushnell modelo 119440 na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí - Itaiópolis, Santa Catarina.

No último sábado, dia 26/04/2014, às 17h21min (durante o dia!) uma das câmeras de trilha registrou uma Onça-parda (Puma concolor) na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC).

Vários outros registros da onça-parda, também conhecida como puma e suçuarana, na RPPN foram sempre a noite (fotos preto-e-branco da radiação infravermelha).

Observe nas imagens como ela é linda na natureza. Repare na sequência das três imagens que ela consegue detectar o som do disparo da câmera (não usa flash), que é inaudível para nós, seres humanos.
Segunda imagem registrada da Onça-parda (Puma concolor) às 17h21min do dia 26/04/2014 com a Câmera de trilha  Bushnell modelo 119440 na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí - Itaiópolis, Santa Catarina.
A Onça-parda está na lista oficial das espécies ameaçadas de extinção, devido à destruição da Mata Atlântica e à caça predatória. Assim como os demais predadores do topo de cadeia, a onça parda é duramente afetada pela escassez de alimentos provocada pela caça indiscriminada de suas presas, mamíferos de médio e grande porte.

Foram registrados também vários porcos-do-mato (Tayassu tajacu) no dia seguinte, domingo, 27/04/2014, ao meio dia. As fotos ficaram espetaculares, claras e nítidas! As imagens estão neste link.

Terceira imagem registrada da Onça-parda (Puma concolor) às 17h21min do dia 26/04/2014 com a Câmera de trilha  Bushnell modelo 119440 na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí - Itaiópolis, Santa Catarina.
Um dos registros mais importantes, no entanto, foi do veado-mão-curta (Mazama nana), já extinto no Estado de São Paulo e em várias outras regiões da Mata Atlântica.

Temos um verdadeiro tesouro de biodiversidade na reserva, uma área de Mata Atlântica que estava abandonada e era um território livre para caçadores antes dos esforços para comprarmos esta área e transformá-la em RPPN.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Cogumelo gigante da Mata Atlântica

 
Elza Nishimura Woehl medindo o cogumelo gigante do gênero Phaeolus encontrado na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), no dia 19/04/2014. Clique sobre a imagem para ampliar

A ameaçada Mata Atlântica esconde uma riqueza de biodiversidade impressionante, capaz de surpreender até aqueles que acham já terem conhecido tudo. Apesar da importância deste valioso patrimônio natural, a destruição continua intensa.

A última novidade para nós foi encontrar na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), este cogumelo gigante do gênero Phaeolus mostrado nas imagens, que mede 70 cm de diâmetro e se desenvolveu entre taquaras (espécie de bambu da Mata Atlântica).

O local é de transição entre os ecossistemas Matas de Araucárias e Mata Atlântica densa. A exuberante diversidade de cogumelos da Mata Atlântica da região norte de Santa Catarina que já registramos pode ser vista neste link




O cogumelo gigante apresenta várias prateleiras


Elza Nishimura Woehl mostrando o cogumelo gigante que se desenvolveu entre taquaras (espécie de bambu da Mata Atlântica)
Detalhe mostrando a escala com a medida de 70 cm.

Imagem onde é possível ver a estipe ou talo do cogumelo gigante

Identificação:

Nome científico: Phaeolus sp.

Reino: Fungi
Filo: Basidiomycota
Classe: Basidiomycetes
Subclasse: Agaricomycetidae
Ordem: Polyporales
Família: Polyporaceae

 


Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul – Santa Catarina
http://www.ra-bugio.org.br/


Conheça o Centro Interpretativo da Mata Atlântica – Jaraguá do Sul
http://www.ra-bugio.org.br/sede-ra-bugio.php

Acompanhe nosso Projeto de Educação Ambiental nas escolas para salvar a MATA ATLÂNTICA

http://www.ra-bugio.org.br/educacaoambiental.php


quinta-feira, 6 de março de 2014

CANINANA a majestosa serpente da Mata Atlântica

Vídeos da CANINANA (Spilotes pullatus), uma das maiores serpentes da Mata Atlântica, que encontramos sobre uma árvore às margens da estrada que corta a RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis – Santa Catarina.


terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Macacos atacam reflorestamentos de Pinus na Mata Atlântica

Reflorestamento de Pinus que avançou sobre áreas preservadas de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), e foi atacada pelos macacos-prego Cebus apella. Clique sobre a imagem para ampliar e repare na grande quantidade de Pinus que secou. Foto tirada em 20/12/2013. 
Para azar dos investidores em reflorestamentos de Pinus, sobretudo aqueles que desrespeitaram as leis e destruíram área de Mata Atlântica, os macacos-prego (Cebus apella)  adquiriram o hábito de se alimentarem da casca na ponta dos Pinus onde fica a parte mais tenra. Ao fazerem isso secam os Pinus e, assim, tornaram-se mais uma "praga florestal" a ser combatida.

Repare na imagem acima o reflorestamento de Pinus incrustado em uma área preservada de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), a menos de 1 km da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. Parte do reflorestamento está em uma área de alta declividade, que é Área de Preservação Permanente (APP), protegida pelo Código Florestal. Clique sobre a imagem para ampliá-la e observar a grande quantidade de Pinus que secou.

Vista ampliada da imagem acima, do reflorestamento de Pinus que avançou sobre áreas preservadas de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), e foi atacada pelos macacos-prego Cebus apella. Foto tirada em 20/12/2013. Clique sobre a imagem para ampliar

Os moradores da região informaram que os macacos atacam os reflorestamentos com mais intensidade no inverno, quando a fome aperta e eles não conseguem encontrar comida suficiente nos reduzidos fragmentos de floresta que ainda estão em pé aguardando as próximas investidas das motosserras.

Para acabar com o problema, donos de reflorestamentos resolveram simplesmente acabar com os macacos que lutam para vivem nestes fragmentos cada vez mais reduzidos. Alguns contratam caçadores e pagam por cada macaco-prego abatido. Em 2005, fui informado por moradores que um dono de reflorestamento pagava R$ 10,00 por cabeça.


Macaco-prego (Cebus apella) fotografado na RPPN Corredeiras do Rio Itajai, em Itaiópólis, Santa Catarina. Foto tirada em 17/01/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.


O problema dos macacos se alimentarem da casca de Pinus é bem conhecido há muito tempo conforme mostra este trabalho publicado em 1994:

Alexandre Koehler e Carlos Firkowski. Descascamento de pinus por macaco-prego, FLORESTA, Vol. 24, No 12 (1994)


Tem até tese de mestrado sobre o assunto:
Denilson Roberto Jungles de Carvalho. Predação em Pinus spp. por Cebus nigritus (Goldfuss, 1809) (Primates; Cebidae) na Região Nordeste do Paraná; UFPr – Setor de Ciências Biológicas – Pós-graduação em Ecologia e Conservação - Curitiba (2007) - Tese de Mestrado em PDF


Macaco-prego (Cebus apella) fotografado na RPPN Corredeiras do Rio Itajai em 17/01/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.