domingo, 15 de julho de 2018

História da família WOEHL, da linhagem de Gregor Wöhl & Mathilde Schwedler


HISTÓRIA DA FAMÍLIA WOEHL, da linhagem de Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler (meus bisavós)



PESSOAS NA FOTO: 1 menino Emilio Henrique Woehl, 2 Emilia Woehl, 3 Julia Woehl, 4 Gustavo Woehl, 5 Roberto Woehl. Sentados:.meus bisavós, Mathilde Schwedler e Gregor Wöhl, e Estephania Woehl.
Pela idade que Estephania aparenta ter, uns 14-15 anos (nasceu em 21.09.1886) e o menino Emilio Henrique, 12 anos, esta foto foi tirada em 1901. Considerando que Emilio Henrique, nascido em 11.12.1888, morreu aos 17 anos, em 18.02.1906, vítima de bala perdida. Foi levar as irmãs em baile e teve briga com um tiroteio na madrugada daquele domingo. Agradeço à Maria Helena Paes de Oliveira pela foto.
O casal Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler, ambos com 29 anos, e suas três crianças, Gregor (7 anos, meu avô), Anton (5 anos) e Julie (3 anos) partiram de sua terra natal, vilarejo de Grünwald, distrito de Gablonz, Boêmia (atual República Tcheca) e foram até o porto de Hamburgo (Alemanha), onde embarcaram para o Brasil no navio a vapor Vandalia. A viagem para cruzar o Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro durou 25 dias. Chegaram ao Rio no dia 15/07/1876 e 5 dias depois, no dia 20/07/1876, no porto de São Francisco do Sul (SC). Eles viajaram de 3ª. classe e a principal reclamação foi que tiveram que tomar sopa de ervilhas diariamente durante estes 30 dias. No almoço e janta era sopa de ervilhas. Juraram que nunca mais colocariam na boca sopa de ervilhas. As passagens provavelmente foram pagas pelo Governo Brasileiro, que neste período incentivava a imigração de europeus como política para desenvolver a agricultura.

Mathilde chegou grávida de 5 meses de Roberto Woehl. Então, eles decidiram permanecer em Joinville e não seguir viagem imediatamente para São Bento do Sul com os outros imigrantes conforme planejado, até o Roberto nascer. A viagem de carroça para subir a Serra do Mar (serra Dona Francisca) durava 4 dias e colocava em risco minha bisavó grávida de 5 meses. Quem já andou de carroça por meia hora pode imaginar o sofrimento que é suportar as pancadas no corpo devido aos buracos e pedras durante 4 dias.

Gregor começou a procurar emprego de carpinteiro em Joinville e consegui em uma vila que estava sendo construída, mas por um salário muito baixo. Era comum explorarem a mão de obra barata (escrava) de imigrantes em desespero. A família teve que morar em um barraco em Joinville, à beira da estrada, passando muitas necessidades. Sabe-se pouca coisa sobre este período de tempos difíceis, tanto na Europa como na chegada ao Brasil porque eles não gostavam de comentar, pois sofreram muito.

Algumas semanas após o Roberto nascer, eles finalmente foram para São Bento do Sul, onde fixaram residência na Estrada das Neves. A situação de miséria persistiu por mais uns 10 anos, pelo menos. Meu avô, Gregório Woehl, foi alfabetizado, mas seus irmãos não foram.

Foi no ano da chegada deles à São Bento, 1876, a criação de uma escola que recebia subsídios de doações da comunidade, mas era necessário pagar uma pequena mensalidade. Mesmo assim, meu bisavô não teve condições de colocar seus filhos na escola.

Como se sabe, 8 anos é a idade máxima que uma criança precisa ser alfabetizada, segundo os especialistas. No entanto, meu avô Gregório, um menino que viveu a aventura de atravessar o oceano Atlântico aos 7 anos em um navio a vapor, viagem que durou 25 dias, e em seguida conheceu a exuberância da floresta tropical, ao subir a Serra do Mar, pela estrada Dona Francisca, iria dar um jeito de aprender a ler e escrever.

Para complementar a renda da família o menino Gregório, meu avô, trabalhava cuidando do quintal e jardins da proprietária de um hotel em São Bento do Sul, que tinha ficado viúva no período que meu avô trabalhava para a família. Esta mulher contratou um professor particular para dar aulas às suas crianças. Então, meu avô se escondia abaixo da janela e acompanhava estas aulas, ouvindo as palavras do professor. Certa vez, a dona do hotel o pegou em flagrante. Ficou muito comovida com a situação daquele menino pobre, percebeu que ele tinha muita vontade e interesse em aprender e permitiu que ele assistisse às aulas particulares junto com suas crianças. Foi assim que ele aprendeu a ler e escrever. Tinha uma ótima caligrafia. Nas anotações dele dá para ver que costumava misturar português e alemão, mas sem nenhum erro gramatical ou de grafia.

Neste período, ele conseguiu entrar na escola de música. Queria aprender a tocar a gaita alemã bandoneon. Então, ia descalço porque o dinheiro não era suficiente para comprar um par de sapatos. Contou que tinha muita vergonha de ir descalço, porque era o único da sala nessas condições. As aulas eram a noite (durante o dia ele tinha que trabalhar duro). Então, ele costumava passar barro preto nos pés para disfarçar um pouco, ficar parecendo que estava usando sapatos pretos. Não se sabe quem pagava a mensalidade da escola de música, provavelmente era ele mesmo com os trocados que ganhava trabalhando para a dona do hotel.

Só aos 17 anos ele conseguiu comprar um par de sapatos, com seu próprio dinheiro. A dona do hotel novamente lhe deu uma força. Ofereceu toda a área do quintal para ele fazer uma plantação de feijão e ficar com a renda da safra. Deu uma boa produção e com o resultado da venda dos feijões ele conseguiu, finalmente, ter seu primeiro par de sapatos. Foi meu próprio avô quem contou esta história para minha prima, Maria de Lourdes Reusing, que foi criada por ele e minha avó Catharina Sauer.

No local onde moravam, Estrada das Neves, tempos depois, meu bisavô Gregor Wöhl montou uma marcenaria e começou a produzir em série ataúdes (urnas funerárias). Eventualmente fabricava móveis também. Muitos parentes têm móveis fabricados por ele há mais de um século. Ele ganhou muito dinheiro com esta atividade. Tiveram mais 7 filhos no Brasil, no total, 10 filhos. Veja abaixo a relação e destino de cada um, alguns trágicos.

Meu avô, Gregório Woehl, também se tornou carpinteiro e trabalhava na construção de casas. Construía casas bem longe de São Bento. Um desses locais foi Avencal, em Mafra (SC), onde ele e seu irmão Roberto conheceram as jovens Catharina Sauer, que se tornaria minha avó, e sua irmã, Isabel Sauer, filhas de Theodoro Sauer. Meu avô Gregório e seu irmão Roberto casaram com as duas irmãs.

O espírito empreendedor do meu avô era notável. Tinha bom faro para os negócios. Não desperdiçava oportunidades de ganhar dinheiro. Começou comprando gado na região do Avencal, em Mafra-SC, e levando para São Bento do Sul para vender aos açougues e fábricas de linguiça/salsicha. O açougue que comprava o gado do meu avô, Gregório Woehl, era de Antônio Beckert, que se tornou seu amigo. Fez isso durante 16 anos e ganhou muito dinheiro. Ele criava um pouco de gado também. Com esta atividade muito lucrativa ele conseguiu comprar cerca de mil alqueires de terra no Avencal.

Depois, ele parou com o negócio de gado e decidiu comprar a serraria de seu irmão, Roberto Woehl. Teve muita dificuldade para pagar, mas conseguiu. Ele administrou bem esta serraria e ganhou muito dinheiro. Quando ele morreu, deixou um estoque grande de madeira serrada, pronta para ser vendida. Ele trabalhava na serraria junto com os empregados. Certa vez, vieram compradores de madeira de Joinville e ele foi atendê-los, com chapéu e ombros cobertos de serragem, roupa de serviço e usando sandálias. Os compradores perguntaram: “Gostaríamos de falar com Gregório Woehl”. Ele respondeu: “Sou eu mesmo”. Mas os compradores ainda ficaram com dúvidas ao encontrá-lo naquela situação e mudaram a pergunta: “Gostaríamos de falar com o dono da serraria”. Ele repetiu a resposta: “Sou eu mesmo”.

Um fato bem marcante sobre o espírito empreendedor do meu avô ocorreu por ocasião de suas vistas à sua irmã, Julia Woehl Heller, em Corupá (SC). Julia casou com Rudolf Heller e trabalhavam com bananicultura na Estrada Felipe Schmidt, Rio Novo, Rota das Cachoeiras. Para meu avô deve ter sido uma grande novidade as plantações de banana em Corupá. Sem entender nada de bananicultura ele conseguiu enxergar na atividade uma oportunidade de negócios. Fornecer cavalos para os produtores de banana. Ele deve ter conversado com os bananicultores e percebido a dificuldade deles em adquirir bons cavalos. Montou uma criação de cavalos na localidade de Bituva, Mafra (SC), em uma área 500 alqueires que comprou da sogra e cunhados. Chegou a produzir 85 potrilhos por ano e vendia todos para os bananicultores de Corupá. Ele tinha tudo anotado, era bem organizado.


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GREGÓRIO WOEHL (16/12/1869 – 24/07/1949, morreu aos 79 anos) e CATHARINA SAUER (25/06/1875 – 01/06/1964, morreu aos 89 anos) viveram no Avencal, Mafra-SC e tiveram 8 filhos: Matilde Woehl Bauer (1895-1938), Francisca Woehl Heyse (1898-1982), Germano Woehl (20/10/1901-13/08/1973), Elfrida Woehl Heyse (11/06/1903-1990), Antonio Woehl (1906–1996), Narcisa (Sisa) Woehl Kosteski (09/02/1909- 24/05/1994, morreu aos 85 anos), Herminia Woehl Ferreira (1910 – 2014, morreu aos 104 anos), Hipólito Woehl (12/04/1918 – 27/11/2001).

CATHARINA SAUER (25/06/1875 – 01/06/1964, morreu aos 89 anos). Nasceu em Rio Negro (PR). Filha de Theodoro Sauer (falecido em 12/01/1895) e Christina Hack (1854 – 24/06/1933, morreu aos 80 anos). Theodoro Sauer e Christina Hack casaram em 1869

Pais de Christina Hack: Nicolao Hack & Catharina Clemens

Nicolao Hack nasceu em 1827 na Prússia Renana (Rheinpreußen), também conhecida como Província do Reno, divisão geopolítica do Imperio Alemão (Kaiserlich Deutsches Reich), que existiu entre 1822 e 1946. Foi a província mais ocidental do Reino da Prússia. Atualmente este território pertence à Alemanha e Bélgica. Nicolao Hack morreu em 09/10/1896, no Avencal em Mafra-SC, localidade que nesta época pertencia a Rio Negro (PR).

Catharina Clemens nasceu em 22/09/1832, em Rio Negro (PR). Filha de Joannes Clemens, (nascido em 1811, Gerolstein, Rhineland-Palatinate, Alemanha) e Christina Sauer (nascida em 1812 na Prússia Renana (Rheinpreußen), território que atualmente pertence à Alemanha e Bélgica)

Joannes Clemens é filho de Petri Clemens e Margarethae Jarding
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ESCOLA - EDUCAÇÃO BÁSICA

Meus bisavós, Gregor Wöhl & Mathilde Schwedler, tratavam com muito carinho os netos, as crianças, filhos de Gregório Woehl. Meu pai e tias que quando adultas casariam com Heyse e Bauer tinham quartos reservados só para eles em São Bento do Sul (SC), onde ficaram morando por 4 anos para estudar na escola alemã, Kolumbus Schule, e na escola de música. Eles foram alfabetizados no idioma alemão, nesta escola alemã de São Bento, que foi criada e mantida com dinheiro de doações e ação voluntária da comunidade são bentense.

Germano Woehl, meu pai, aprendeu a ler, escrever e falar alemão nesta escola, assim como suas irmãs mais velhas. Já os irmãos mais novos não tiveram tanta sorte, porque o governo criou uma escola pública na comunidade do Avencal. A professora não dominava a técnica de alfabetizar crianças. Minha tia, Francisca Woehl Heyse, que casou e já morava na Moema, em Itaiópolis, observou que seu irmão caçula, meu tio Hipolito Woehl, não estava conseguindo aprender a ler e escrever naquela escola. Então, ela levou o menino para a Moema, porque lá tinha uma escola que funcionava, por causa de um excelente professor, que sabia alfabetizar as crianças. E graças a esta atitude, seu irmãozinho, meu tio, aprendeu a ler e escrever na idade correta.

Meu avô dominava bem tanto o idioma alemão como o dialeto bairische, a língua materna da família. Minha avó, Catharina Sauer, falava somente alemão, sua língua materna. Apesar de ter nascida no Brasil, aos 20 anos ela ainda não falava português. O que não era problema para se comunicar com nosso avô. Mais tarde ela aprendeu a falar português.

Por ironia do destino, a família aprendeu a língua alemã aqui no Brasil, já que falavam somente o dialeto bairishe.

ESCOLA DE MÚSICA

Meu pai, Germano Woehl, foi o único que não se interessou pela arte da música, na escola de música de São Bento.

Tia Matilde Woehl Bauer aprendeu a tocar cítara
Tia Frida (Francisca) Woehl Heyse aprendeu a tocar violino
Tio Antonio Woehl (meu padrinho) aprendeu a tocar saxofone – Era o único da família com o dom de cantar. Quando não tocava, ele cantava.

Meu avô Gregório Woehl tocava muito bem a gaita alemã bandoneon (parecida com acordeon) também conhecida como harmônica, que aprendeu a tocar também na escola de música de São Bento, conforme foi contado no inicio do texto. Com frequência eles (pai e filhos) tocavam juntos após o jantar. Às vezes, meu avô tocava nos bailes também, na localidade onde moravam, no Avencal, Mafra (SC)

SOBRE O CURSO p/FABRICAR LINGUIÇA que meu avô mandou meu pai fazer em São Bento

Meu avô queria que meu pai, Germano Woehl, adolescente, aprendesse alguma profissão. Mandou ele para São Bento para fazer um curso com Antônio Beckert, dono do açougue que comprou gado dele durante 16 anos, para aprender a técnica de fazer linguiças, salsichas, embutidos em geral. Meio contrariado, ele foi. Ficou em São Bento algumas semanas, mais de um mês, aprendendo este ofício, como nosso avô tanto insistiu. E aprendeu direitinho. Ele ficou hospedado na casa do nosso bisavô, no quarto exclusivo reservado para ele da época de estudante. Quando terminou o curso, ele desabafou para meu avô: “Olha, não quero saber desse negócio de fabricar salsichas. Não gosto de lidar com isso. Quero fazer outra coisa... “. Contudo, sempre que meu avô matava um boi ou porco, era meu pai que entrava em ação para fabricar os mais variados tipos de salsichas e linguiças. Seguia a risca as receitas, os temperos e demais ingredientes. Pesava tudo meticulosamente para preparar a massa.

Quando era jovem e solteiro, meu pai Germano Woehl foi lidar com agricultura nas terras do meu avô. Depois montou um moinho de trigo e desistiu. Após ter casado virou apicultor, tornando-se um grande produtor de mel. Em 1939 ele registrou uma declaração que começou com apicultura em 1925, aos 24 anos. Mais tarde abandonou a atividade e foi para Itaiópolis montar a madeireira (serraria no início e, depois, laminação). Mas antes de ir para Itaiópolis ele chegou a ser sócio de Baltazar Mitterer em uma serraria no Avencal. O problema de se aventurar em tantos negócios é que a conta ficava para meu avô pagar. Parte do patrimônio construído pelo meu avô foi consumido nestas aventuras que não deram certo. Quando meu avô recebia a visita inesperada de credores de meu pai, ele pagava a dívida e costumava uma expressão em alemão: “Esse Germano....”

A família irmãos e cunhados (empresários de sucesso) do meu pai Germano Woehl avaliaram que duas coisas fizeram ele quebrar. Esta madeireira em Itaiópolis e meu irmão Joel Woehl ter ficado doente, que estava sendo preparado para ser o sucessor. O Joel cuidava da madeireira em Borazópolis (PR), que estava indo muito bem, quando ficou doente de forma irreversível (transtorno mental). Nossos tios diziam que nosso pai nunca deveria ter abandonado a apicultura. Ele estava fazendo fortuna com o negócio de mel. Até exportava mel e abastecia o mercado interno de grandes centros consumidores, como o Rio de Janeiro. Ganhava muito dinheiro. Então resolveu encerrar a atividade e investir nesta madeireira em Itaiópolis, que só lhe deu prejuízo.

Outra atividade que contribuiu também para ele ter perdido muito dinheiro foi ter entrado no negócio de mentol, ou seja, extração de óleo de hortelã. Ele comprou uma extensa área em Apucarana-PR e fez uma grande plantação de hortelã. Ele teve um sócio desonesto, que roubou ele. Ele perdeu até a extensa área de Apucarana, onde hoje fica o centro da cidade. Ele aprendeu sozinho a lidar com apicultura e usar a tecnologia para obter alta produtividade. Aprendeu lendo as matérias na revista que ele assinava na época “Chácaras e quintais”, que foi lançada em 1909 e extinta em 1971. Era o único da família que sabia ler e escrever bem.

Tanto Gregório Woehl (meu avô) como Germano Woehl (meu pai) eram pessoas bem calmas e tranquilas. Eram de poucas palavras, muito reservados. Gregório Woehl, nunca falou de negócios dentro de casa, perto da família. Sobre negócios, ele costumava trocar muitas ideias com Paulo Heyse. Quem sempre foi bem nervosinha era minha avó, Catharina Sauer. Era muito extrovertida e festeira também. Todo o aniversário era comemorado com muita festa, mandava matar até um boi para fazer uma churrascada.

Meu bisavô, Gregor Wöhl, foi responsável pela ascensão social da família, que deu apoio para todos, até para os netos. Chegou aqui, no Brasil, aos 29 anos, em estado de miséria extrema, passando fome e rapidamente passou para classe alta. Eles não gostavam de falar do passado, porque sofreram muito.

Ele nunca deixava a peteca cair. Trabalhava muito, se esforçava ao extremo para manter sempre alto o padrão de vida da família, que andava bem vestida (veja a foto da família em 1901). Nos eventos sociais, como a ir à missa os domingos, sempre vestiam uma roupa impecável.

Dá para perceber que todos recorriam a ele, até para seus netos estudarem em São Bento. Ele que sustentou por 4 anos aquele monte de criançada dos meus avós Gregório Woehl & Catharina Sauer, que foram estudar em São Bento. Certamente, meus avós não precisou gastar um centavo com os estudos do meu pai e suas irmãs e irmãos. Até a escola de música foi bancada pelo meu bisavô.

Mas em termos de superação e empreendedorismo ninguém chegou perto do meu avô Gregório Woehl. Ele deu continuidade ao esforço do meu bisavô para elevar as condições sociais da família e conseguiu ir muito além, alcançando níveis de sucesso que proporcionaram grande prosperidade para todos seus filhos usufruir. A história de meu avô Gregório Woehl deve servir de inspiração para todos.


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Jornal de São Bento do Sul (SC) publicou na época uma nota sobre a morte do meu bisavô, Gregor Wöhl, aos 78 anos, ocorrida em 01/10/1924.
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“Novamente, um dos antigos fundadores de São Bento desapareceu na paz eterna. Na quinta-feira o marceneiro Gregor Wöhl faleceu de velhice, após ter permanecido um mês na impossibilidade de deixar o leito. Por 48 anos ele trabalhou correta e modestamente em sua profissão de marceneiro e fabricante de caixões [ataúdes ou urnas funerárias]. Foi um vizinho muito popular, em paz e satisfeito, estimado por seus concidadãos, amado pelos seus familiares, e colaborou silenciosa e modestamente pelo desenvolvimento de São Bento, e placidamente ele passou à eternidade.” VZ 4/10/1924.
“Wieder ist einer der alten Mitbegründer S. Bentos zur ewigen Ruhe eingegangen. Um Donnerstag starb der Tischlermeister Gregor Wöhl na Altersschwäche, nachdem er schon monatelang ins Bett nicht mehr hatte verlassen können. 48 Jahre hat der Verstorbene recht und schlicht hier. Seine Profession als Tischler und Sargfabrikant ausgeübt. Ein wohlgelittener Nachbar, hat er in Ruhe und Frieden, geachtet von seinen Mitbürgern, geliebt von seinen Familienangehörigen an der Entwicklung São Bentos still und bescheiden mitgearbeitet und friedlich ist er hinübergeschlummert zur Ewigkeit.”VZ-4/10/1924

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História da família Woehl (Wöhl)
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Gregor Wöhl. Filho de Andreas Wöhl e Theresia Hübner. Imigrou ao Brasil do vilarejo (aldeia) de Grünwald, Distrito de Gablonz, na Boêmia (República Tcheca), a bordo do Vapor Vandalia, chegando ao porto do Rio de Janeiro no dia 15/07/1876 e desembarcando em São Francisco do Sul dia 20/07/1876, contando à época com 29 anos. Trouxe consigo a esposa Mathilde Schwedler, de 29 anos, natural de Johannesberg, filha de Anton Schwedler e Joana Kleinert. O casal trouxe três filhos, Gregor com 7 anos (meu avô, pai de Germano Woehl), Anton, com 5 anos e Julie, com 3 anos


O casal morava na Estrada das Neves, São Bento do Sul (SC). Gregor faleceu aos 78 anos no dia 01.10.1924. Mathilde Schwedler faleceu aos 74 anos no dia 15/01/1921. Tiveram os filhos Gregor, Anton, Julie, Roberto, Gustavo, Amália, Emília, Emílio, Estephania e Emílio Henrique.
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Filhos que nasceram na Boêmia (República Tcheca)

GREGÓRIO WOEHL (Gregor Wöhl). Foi meu avô. Nascido em 16/12/1869, chegou ao Brasil com 7 anos. Casou com Catharina Sauer (1875-1964, morreu aos 89 anos). Viveram no Avencal, Mafra-SC. Morreu em 24/07/1949, aos 79 anos, de pneumonia dupla.

JULIA WOEHL (Julie Wöhl) nascida em 23/02/1873, chegou ao Brasil com 3 anos. Casou com Rudolf Heller em 22/11/1902 e foi morar em Corupá-SC, na Estrada Felipe Schmidth, Rio Novo (Rota das Cachoeiras), Corupá (SC), onde tinham plantação de bananas (eram bananicultores). Tiveram 2 filhos e 2 filhas: Rudolf Heller (no registro está Rudolpho Heller, mas ele assinava “Rudolf”), Willy Heller, Adelia Heller e Ema Heller. Manteve seu sobrenome no nome de casada, ficando Julia Woehl Heller. Morreu aos 71 anos em 13/12/1843 de infarto agudo. Foi sepultada no cemitério da estrada Izabel. O marido da Julia, Rudolf Heller, morreu aos 53 anos, logo após o ano novo, em 02/01/1931. Portanto, Julia morreu 18 anos depois do marido. Rudolf Heller também veio da Boêmia com 23 anos, do vilarejo de Wernstadt (atual Verneřice), distrito de Děčín, que fica no sul da República Tcheca.

ANTÔNIO WOEHL (Anton Wöhl) nasceu em10/06/1871, chegou ao Brasil com 5 anos. Casou com Maria Sauer, filha de João Sauer. Tiveram 9 filhas e 1 filho. Viveram no Avencal – Mafra (SC). Ele morreu aos 42 anos, 23.03.1913 no Avencal. Foi assassinado a sangue frio pelo concunhado, inconformado com o fato do Antônio receber um terreno de herança do sogro João Sauer e ele não ganhar nada. Foi enterrado no Cemitério de Avencal, próximo da BR-280. Quando criança conseguiu a proeza de atravessar o oceano Atlântico a bordo de um navio a vapor aos 5 anos de idade, mas aos 42 não conseguiu escapar da violência.

Filhos nascidos no Brasil

ROBERTO WOEHL nasceu em 14.11.1876 (em Joinville) e foi batizado em São Bento do Sul em 11.02.1877 (padrinho: José Schwedler). Casou com Isabel Sauer, filha de Theodoro Sauer e irmã de Catharina Sauer que casou com Gregório Woehl. Roberto tinha uma forjaria no Avencal. Fabricava artefatos e peças de ferro (era ferreiro). Aprendeu o ofício com um ferreiro do bairro Lençol de São Bento do Sul. Veja nas fotos a frigideira de ferro que ele fabricou há 109 anos, uma verdadeira obra de arte.

GUSTAVO WOEHL, nascido em 16.01.1880 – batizado em 08.02.1880 (padrinhos: Henrique Keil e Catharina Denk). Casou com Clara Linzmeyer (filha de Georg Linzmeyer) em 08.07.1908 e viveu em São Bento do Sul, na Estrada das Neves

AMALIA WOEHL, nascida em 01.05.1881 – Batizada em 18.06.1882 (madrinha Anna Schwedler). Casou com Reinhold Endler em 10/01/1903. Tiveram os seguintes filhos: Rodolfo Endler, Bernardo Endler, Erica Endler, Elvira Endler, Nivaldo Endler, Hipólito Endler, Ervino Endler, Ewaldo Endler e Edmundo Endler. Viveram na Estrada das Neves, em São Bento do Sul (SC). Faleceu em 20/09/1945 de hidropisia. Sua filha, Elvira Endler, herdou a casa e objetos pessoais dos bisavós Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler Wöhl, parte dos quais foram doados por seus descendentes para o museu de São Bento do Sul.

EMILIA WOEHL, nascida em 21.03.1884 – batizada em 27.04.1884 (padrinhos: Caetano Zimmermann e Mathildes Hübner). Ainda não se sabe com quem casou e o que aconteceu com ela

EMILIO WOEHL morreu em 20.02.1885 com dez meses de tosse convulsiva

ESTEPHANIA WOEHL, nascida em 21.09.1886 – batizado em 19.12.1886 (padrinhos Antonio Woehl e Carolina Woehl). Estephania casou com Teodoro Sauer sobrinho, irmão de Maria Sauer (que casou com Antonio Woehl). Estephania e o marido eram donos de um salão de baile na Avencal - Mafra - SC, km 123 da BR-280, perto da Capela Santa Cruz. Depois, mudaram para Cruz Machado-PR e acabaram na miséria. Meu avô, Gregório Woehl, quando soube da situação da irmã, foi visitá-la e levou dinheiro para ajudar casal. Comentou que foi difícil chegar à casa de Estephania, teve que usar até um barco e seguir por um rio. Certamente, ele se referiu ao rio Iguaçu, que faz a divisa entre Cruz Machado e o município de Bituruna, região do Sul do Paraná, próxima de Porto União (SC).

EMILIO HENRIQUE, nascido 11.12.1888 – batizado em 24.02.1889 morreu aos 17 anos, em 18.02.1906, numa madrugada de domingo, vítima de bala perdida (foi acompanhar suas irmãs em um baile e houve uma briga com tiroteio). No registro de óbito, seu pai, Gregor Wöhl declarou que ele foi morto por ter sido atingido por dois tiros na parte ventral (barriga). Padrinhos de batizado: Henrique Keil e Theresia Kolonka.
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Agradeço às seguintes pessoas pelas importantes informações:

Maria de Lourdes Reusing, 80 anos (nasceu em 07/10/1938), minha prima, neta de Gregório Woehl & Catharina Sauer, filha de Narcisa (Sisa) Woehl Kosteski

Amalia Woehl Paes Grein, 94 anos, neta de Antônio Woehl & Maria Sauer.
Brigitte Brandenburg
Henrique Fendrich, jornalista, autor do Site São Bento no Passado.



CATHARINA SAUER WOEHL com netos e netas no dia 25/06/1956, aniversário de 81 anos. Ela nasceu em 27/06/1875 e morreu aos 88 anos, em 01/06/1964, faltando 26 dias para completar 89 anos. Local: Avencal – Mafra SC. Bebê no colo: EDSON WEINERT, nascido em 02/05/1956, tinha quase 2 meses. Criança do lado esquerdo, em frente da moça de vestido xadrez: TONICO (ANTONIO) KRUGER. Menino do lado esquerdo com uma blusa com detalhe preto no zíper: AMILCAR WOEHL. Criança do lado direito olhando para o bebê: GELCYR WOEHL. Criança atrás de Gelcyr, que aparece só a metada de cabeça; ORESTES WOEHL; Criança de gorro preto na frente: GILMAR WOEHL. Criança atrás de Gilmar Woehl: ELOI WAGNER. Criança de suspensório atrás da avó: ZEZO BAUER. O menino de costas no lado esquerdo é HELIO WAGNER. Ele estava posicionado para a foto com as outras crianças e de repente saiu correndo. As moças de vestido xadrez são as gêmeas do tio Antonio Woehl. As 3 moças à direita são filhas da tia Herminia Woehl Ferreira, que morreu em 2014 aos 104 anos. São elas: ZAIRA, bem à direita, de vestido com estampas brancas grandes; LUCI atrás de Zaira, a que aparece só a cabeça; DALILA, vestido escuro com estampas brancas. A moça de vestido preto entre elas, bem na frente, não se sabe quem é. O caminhão que aparece é de Germano Woehl. O primeiro veículo dele foi uma camionete para sua atividade de apicultura.

Foto tirada em 25/06/1956-Aniversário da Avó Catharina Sauer dos 81 anos (nasceu em 27/06/1875), que está sentada. Da esquerda para direita os filhos: Antonio Woehl, Hipólito Woehl (colete preto), Elfrida Woehl Heyse; Narcisa (Sisa) Woehl Kosteski; ATRAS: Herminia Woehl Ferreira; Germano Woehl

Á direita é a primeira casa dos meus avós, Gregório Woehl & Catharina Sauer. Localidade do Avencal, em Mafra -SC.



Capa do certificado de batismo de meu avô, Gregório Woehl. Tradução: Que a paz do Senhor esteja convosco.
Certificado de batismo do meu avô Gregor Wöhl (Gregório Woehl), filho do casal Gregor Wöhl & Mathilde Schwedler que vieram do vilarejo de Grünwald, distritro de Gablonz, Boêmia (Atual República Tcheca) Chegaram em São Francisco do Sul em 20/07/1876. Gregório Woehl tinha 7 anos quando chegou ao Brasil.
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Os padrinhos do meu avô que ficaram na Boêmia: Amali Wöhl & Klemmenz Novotnin
Provavelmente Amali Wöhl era irmã de meu bisavô. Ele usou estes nome em uma de suas filhas nascida no Brasil, Amalia Woehl. Local do Batizado: Wiesenthal, atual Lučany nad Nisou (República Tcheca), que fica a 5 km de Grünwald, vilarejo onde residiam no distrito de Gablonz, Boêmia Data do batizado (16/12/1869)

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“Acima de tudo ame as pessoas, assim como você foi amado por elas quando você entrou para a vida.
Com amor o Salvador se entregou
Seja como ele, e aja como ele agiu (ou praticou)”.
Esta lembrança (Diese Erinnerung,
É dada ao querido afilhado
Pela sua fiel madrinha,
AMALI WÖHL
Será designada sua madrinha em 16 de dezembro de 1869. (Wird dein Pategenannt am 16 dezember 1869)
Tradução de Brigitte Brandenburg, de Joinville (SC) e do Jornalista Henrique Fendrich, de São Bento do Sul (SC).

Batizado de  Gregor Wöhl (Gregório Woehl) Tradução: Wiesenthal,16 Dezember 1869 
Gelobet sei Jesus Christus (Louvado seja Jesus Cristo)
KLEMMENZ NOVOTNIN (nome do padrinho)
Wird dein Pate genannt (será designado seu padrinho)
Local do Batizado: Wiesenthal, atual Lučany nad Nisou (República Tcheca), que fica a 5 km de Grünwald, vilarejo onde residiam no distrito de Gablonz, Boêmia
Data do batizado (16/12/1869) - Observação: no Passaporte foi colocado errado o ano de nascimento,1868.
Tradução de Brigitte Brandenburg, de Joinville (SC) e do Jornalista Henrique Fendrich, de São Bento do Sul (SC).
Cartão enviado por Antonio Beckert, açougueiro de São Bento do Sul, para meu avô Gregório Woehl. Meu avô comprava gado na região do Avencal e entregava para Antonio Beckert que tinha uma fábrica de salsichas e linguiças, embutidos em geral. Ele criava um pouco de gado também. Meu avô entregou gado para Antonio Beckert durante 16 anos. Ganhou muito dinheiro com esta atividade. Tornaram-se grandes amigos. Então, meu avô pediu para Antonio Beckert ensinar o ofício para seu filho mais velho, Germano Woehl, meu pai, adolescente na época. Meu avô queria que seu filho Germano tivesse uma profissão e via esta atividade de Antonio Beckert como sendo muito lucrativa. Meu pai, Germano, foi para São Bento aprender a técnica de fabricação de salsichas, mas a contragosto. Ficou várias semanas aprendendo com Antônio Beckert. Aprendeu direitinho, mas não quis trabalhar neste ramo. Contudo, sempre que meu avô matava um boi ou porco, era meu pai que entrava em ação para fabricar os mais variados tipos de salsichas e linguiças. Seguia a risca as receitas, os temperos e demais ingredientes. Tudo era pesado meticulosamente para preparar a massa. Tradução do Cartão: São Bento, 10 de Setembro de 1918 Prezado Amigo Gregório, Trazer gado até no máximo nos dias 24 ou 25 deste mês, se possível Saudações de seu amigo Antônio. Agradeço à Brigitte Brandenburg pela tradução - Vieh zu bringen = trazer gado
Mit Grüss (escrito Gruhs) d. F. Antônio (dein Freund Antonio) = Com Saudações de seu amigo Antônio.

Açougue de Antonio Beckert, de São Bento do Sul, para quem meu avô Gregório Woehl entregava gado que comprava na região do Avencal, Mafra (SC). Antonio Beckert que tinha uma fábrica de salsichas e linguiças, embutidos em geral. Meu avô entregou gado para Antonio Beckert durante 16 anos. Ganhou muito dinheiro com esta atividade. Ele criava um pouco de gado também. A imagem acima mostra o que está escrito atras da foto, datada de 10/09/1918. Este prédio ainda existe. É o prédio onde funciona o Banco Itau. Quando o Banco Itau aquiriu este prédio e foi fazer a restauração, apareceu o letreiro do Açougue Antonio Beckert. Então, o Patromônio Histório de S.Bento pediu para manter este letreiro.

Residencia dos meus avós Gregório Woehl & Catharina Sauer no Avencal, Mafra-SC. O touro da raça Gir tinha acabado se ser comprado pelo meu avô. Esse foi o motivo da foto
 

Residencia dos meus avós Gregório Woehl & Catharina Sauer no Avencal, Mafra-SC. As pessoas são: minha tia Sisa (Narcisa) Woehl e sua filha, minha prima, Maria de Lourdes Reusing
Declaração de Germano Woehl sobre sua atividade de APICULTURA, desde 1925
Esta frigideira de ferro foi feita de forma artesanal pelo Roberto Woehl, irmão do meu avô, que chegou ao Brasil na barriga de minha bisavó Mathilde Schwedler (ela chegou grávida de 5 meses do Roberto). Ele tinha uma forjaria no Avencal e fabricava artefatos e peças de ferro (era ferreiro). Aprendeu o ofício com um ferreiro do bairro Lençol de São Bento do Sul. Ele fez esta frigideira há 109 para dar de presente de casamento para Leopoldina Sauer, prima de sua esposa Isabel Sauer, irmã de minha avó, Catharina Sauer. Quem herdou esta frigideira foi a família Grein de Mafra, que são parentes dos Grein do Rio Vermelho/Leonel, Itaiópolis, e também meus parentes. Eles ainda usam esta frigideira na cozinha. Agradecemos à Ivanete Grein por ter gentilmente cedido esta foto.