sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Morte aos macacos nos reflorestamentos de pinus

Macaco-prego (Cebus apella) fotografado na RPPN Corredeiras do Rio Itajai em 17/01/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.

Os macacos que se cuidem! Os investidores em reflorestamentos de pinus não estão para brincadeira. Metem bala naqueles que se atrevem a buscar comida nos reflorestamentos de pinus que substituíram as matas nativas onde era o hábitat dos macacos e de milhares de outras formas de vida.

Para azar dos investidores em reflorestamentos de pinus, os macacos-prego (Cebus apella) adquiriram o hábito de se alimentarem da casca na ponta dos pinus onde fica a parte mais tenra. Ao fazerem isso são acusados de secarem os pinus e, assim, tornaram-se mais uma "praga florestal" a ser combatida.

Repare na imagem abaixo o reflorestamento de pinus encostado no que restou da mata nativa (Mata Atlântica), nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliá-la e observar a grande quantidade de pinus que secaram.

Reflorestamento de pinus no entorno de uma mata preservada nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), com uma grande quantidade de pinus secando devido ao descascamento pelos macacos-prego. Foto tirada em 01/11/2010. Clique sobre a imagem para ampliar

Os moradores da região garantem que os macacos são os culpados pelo estrago e me informaram que atacam com mais intensidade no inverno, quando a fome aperta e eles não conseguem encontrar comida suficiente nos reduzidos fragmentos de floresta que ainda estão em pé aguardando as próximas investidas das motosserras.

Para acabar com o problema, donos de reflorestamentos resolveram simplesmente acabar com os macacos. Alguns contratam caçadores e pagam por cada macaco-prego abatido. Em 2005, ouvi comentários que uma empresa pagava R$ 10,00 por cabeça.

O problema dos macacos se alimentarem da casca de pinus é bem conhecido há muito tempo conforme mostra este trabalho publicado em 1994:
Alexandre Koehler e Carlos Firkowski. Descascamento de pinus por macaco-prego, FLORESTA, Vol. 24, No 12 (1994)

Tem até tese de mestrado sobre o assunto:
Denilson Roberto Jungles de Carvalho. Predação em Pinus spp. por Cebus nigritus (Goldfuss, 1809) (Primates; Cebidae) na Região Nordeste do Paraná; UFPr – Setor de Ciências Biológicas – Pós-graduação em Ecologia e Conservação - Curitiba (2007)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Educação Ambiental: concluído centro de interpretação da natureza para valorização da Mata Atlântica

Prédio com área total de 372 m2, onde fica o auditório, biblioteca, sala de informática, alojamentos confortáveis para pesquisadores e estagiários do Brasil e exterior. Foto tirada em 06/12/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.

Com o apoio da sociedade, através de doações de pessoas físicas, Fundação AVINA, PETROBRAS (seleção pública de projetos do Programa Petrobras Ambiental 2006), Ministério Público do Estado de Santa Catarina, pequenas empresas e Prefeitura de Jaraguá do Sul concluímos as obras do Centro Interpretativo da Mata Atlântica (CIMA).

O acabamento da parte interna (auditório, quartos, banheiro etc.) também já está concluído, mas só divulgaremos as imagens após a inauguração, prevista para o início de 2011.

HISTÓRIA
Quando a Elza e eu aceitamos este desafio durante a elaboração do planejamento estratégico do Instituto Rã-bugio quase não acreditávamos que seria possível obter apoio para uma obra que exigia tantos recursos financeiros. Afinal, a ONG tinha acabado de nascer e tinha apenas uma sede virtual, na nossa residência, onde hoje fica a RPPN Santuário Rã-bugio

Mas a vontade de defender a natureza sempre falou mais alto. “Tudo ou nada” não é uma simples força de expressão quando se trata de defender a diversidade de formas de vida deste Planeta.

O planejamento estratégico foi feito quando ainda atendíamos os estudantes em nossa casa, onde até os banheiros nossos eram cedidos aos estudantes. Lembro-me da fila de crianças que se formava na sala de casa. Os banheiros externos à nossa residência foram construídos bem depois.

Os conselheiros, bem como os representantes da Fundação AVINA, perceberam a necessidade de separarmos um pouco a nossa residência das atividades de educação ambiental e também da ampliação da escala de atendimento. Então, foram logo colocando este desafio de construir o CIMA na primeira reunião, alguns dias após a constituição da ONG.


FINALIDADE
Estimular o interesse dos estudantes pela conservação da Mata Atlântica. Além disso, o CIMA irá promover o ensino de ciências através da interação dos estudantes com a natureza. Estudos comprovam que estas atividades interativas com a natureza melhoram o desempenho dos estudantes em todas as áreas do conhecimento.

Serão atendidos estudantes de escolas de toda a região norte de Santa Catarina e também professores nos cursos de capacitação. Juntamente com o aprendizado sobre os serviços ambientais das matas preservadas (como a proteção dos rios e nascentes, das encostas, biodiversidade etc.), vamos incentivar os professores a desenvolverem atividades práticas do ensino de ciências sem a necessidade de recursos financeiros dispendiosos.

Sacada dos quartos de hóspedes no piso superior

ÁREA E LOCALIZAÇÃO
A área da mata preservada onde está sendo implantado o CIMA tem 40,6 hectares e pertence à Prefeitura de Jaraguá do Sul (SC). Fica na área urbana, bem próxima à região central da cidade de Jaraguá do Sul (SC), no bairro Barra do Rio Cerro. Foi cedida para o Instituto Rã-bugio, para fins educativos, por 10 anos, prorrogáveis por mais 10, aprovado através da Lei Municipal no 3.830/2005, de 03/06/2005. O plano diretor do município, aprovado na Lei Complementar nº 65/2007, de 01/06/2007, no art. 15, prevê a transformação da área em unidade de conservação de proteção integral (Parque Natural). Uma fração já foi averbada em cartório como área de preservação permanente. Uma das trilhas tem 1.150 metros.

Uma boa parte da mata é bem preservada e está inserida em um extenso fragmento de milhares de hectares. Além de ser um ponto geográfico marcante do Brasil: fica extremo sul da Serra do Mar, ou seja, é o ponto mais meridional da extenção da Serra do Mar.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Brasileiros fazem doações para salvar a Mata Atlântica

Mata preservadíssima que compramos com doações de brasileiros.

Um acontecimento extraordinário que poderá ficar na história da luta para salvar a natureza do Brasil: pela primeira vez conseguimos sensibilizar as pessoas para nos ajudar a salvar a Mata Atlântica com doações para comprarmos as matas bem preservadas que ainda restam.

São doadores brasileiros que acreditaram no nosso esforço e perceberam a urgência para salvar a Mata Atlântica que está sendo aniquilada

Com esta ajuda financeira de doadores brasileiros foi possível adquirir nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), mais 300 hectares de Mata Atlântica preservadíssima aumentando para 800 hectares a área protegida, parte da qual já foi transformada em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) . Começamos um naco de 2 hectares, nossa primeira singela aquisição, mas riquíssima em formas de vida.

A área adquirida abriga dezenas de espécies de aves e mamíferos ameaçados de extinção. Árvores centenárias raras e também ameaçadas de extinção. Muitos quilômetros de matas ciliares foram salvas. Clique aqui para ver as imagens deste paraíso que estamos salvando

A maior parte dos recursos foi doada pela IUCN da Holanda, através de projeto submetido. A segunda maior contribuição foi nossa (particular), com recursos de nossas economias.

A dificuldade para comprar esta área foi muito grande. Conseguir o dinheiro foi apenas uma das etapas a serem vencidas. Se não fosse a gente ter conseguido mobilizar tantas pessoas esta área não estaria mais verde na próxima atualização do Google Earth. Por pouco não perdemos para os investidores em reflorestamento de eucalipto e pinus.

O impressionante empenho da Elza em conseguir mobilizar todas estas pessoas foi decisivo. Um parceiro importante nesta aquisição foi o representante legal da indústria madeireira proprietária do terreno, que deu preferência de compra para nós e manteve o preço combinado por mais de um ano, tempo que levou para acertar a papelada.

O pai dele, um bem sucedido empresário que morreu em 1978 aos 44 anos, foi de alguma forma responsável por aquela mata preservada estar ainda ali, ter escapada da devastação. Por isso, de forma justa, vamos homenageá-lo com o nome da reserva, que vai se chamar RPPN “Odir Zanelatto”.

A indústria que o Sr. Odir Zanelatto criou agregava valor à principal matéria prima de itaiópolis: a madeira. Produzia portas para apartamentos (era fornecedor de grandes construtoras do Rio e São Paulo) e gerava muitos empregos em Itaiópolis, contribuindo significativamente para o desenvolvimento do Município. Sempre foi uma pessoa muito respeitada e admirada por todos da comunidade.

O apoio da ONG SPVS de Curitiba foi também fundamental na aquisição desta importante mata preservada. A SPVS atuou em sinergia conosco bancando, por exemplo, o aluguel de um carro para o translado do diretor da IUCN/Holanda de Curitiba até a área a ser comprada na fase final de aprovação da doação dos recursos.

Só a sociedade brasileira pode salvar a Mata Atlântica. Este é um projeto piloto que pretendemos dar escala aumentando cada vez mais o tamanho da reserva para dar alguma chance da vida seguir sua jornada. Queremos também que nosso exemplo seja reproduzido em todos os lugares.

Com seriedade e total transparência para dar segurança aos doadores, vamos conseguir cada vez mais adesões e comprar mais áreas de matas preservadas para salvar da extinção muitas espécies de plantas e animais.

Se quiser saber como funciona, CLIQUE AQUI para acessar as informações no site do Instituto Rã-bugio.

Primeira área adquirida em 2004. Fica às margens do rio Itajaí (que causa enchentes em Blumenau, SC)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Fungos luminescentes da Mata Atlântica: um espetáculo da natureza

Camada de folhas em decomposição (serrapilheira) no chão da floresta que na escuridão da noite exibem o espetáculo inesquecível dos fungos luminescentes, que acendem toda a área revolvida.

No dia 30/10/2010 tivemos uma grande surpresa ao encontrar na RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC), fungos luminescentes. Foi um momento muito mágico para nós saber que na floresta Atlântica de transição (entre Mata Atlântica densa e Mata de Araucárias), a 750 metros de altitude, no alto vale do rio Itajaí ocorre este fascinante ser vivo, que já tivemos a oportunidade de ver no meio da espessa camada de folhas em decomposição (serrapilheira) na floresta da restinga.

A descoberta ocorreu por causa dos anfíbios. Na RPPN das Araucárias Gigantes existem várias lagoas temporárias no meio da floresta que é primária, intacta ainda (nunca houve exploração de madeira). Ambientes íntegros com esses são lugares ideais para se encontrar espécies de anfíbios raras, sensíveis a qualquer tipo de intervenção humana, que não ocorrem em matas secundárias (que já foram desmatadas e regeneraram, mas com grande perda de biodiversidade).

Após uma chuva muito forte do dia anterior, fomos até uma lagoa temporária ao entardecer e ficamos sentados no chão da floresta nas proximidades esperando anoitecer até que os anfíbios começassem a coaxar intensamente. Enquanto aguardávamos na escuridão todas as espécies coaxarem, começamos a mexer na camada de folhas em decomposição e todo o chão em nossa volta começou a acender (emitir luz). Parecia um fenômeno sobrenatural. Ficamos impressionados! Onde a gente revirava a serrapilheira, acendia tudo, ou seja, milhares de pontos minúsculos emitiam luz (branca, meio azulada).

Ficamos devendo uma foto dos fungos luminescentes. Não foi esquecimento, mas a necessidade de aprimorar a técnica de fotografar este fenômeno. Com uma câmera digital equipada com um bom sensor (tipo CMOS) ajustado para o máximo de sensibilidade e fixada em um tripé para longa exposição não será difícil.

Observações como esta nos faz refletir sobre quantas formas de vida fascinantes e desconhecidas existem em nossas matas e poucos se dão conta de que tudo isso está sendo destruído no desmatamento e que esta perda é para sempre.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A alegria de encontrar o pavó, o pavão-do-mato, uma imponente ave da Mata Atlântica.

Pavó (Pyroderus scutatus), uma imponente ave que ocorre na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC).


Gostaríamos de compartilhar um momento de muita felicidade que tivemos no dia 29/10/2010 ao encontrarmos pela primeira vez na RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), uma ave magnífica que tanto desejávamos conhecer na natureza: o PAVÓ (Pyroderus scutatus), que mede quase meio metro (46 cm), sendo conhecido também como “pavão-do-mato”.

Em Santa Catarina, esta ave é bastante rara. Conhecíamos somente através de fotos. Foi uma satisfação muito grande encontrá-la justamente na área que compramos para proteger, transformando em RPPN. Isso nos estimula a lutar ainda mais para salvar o que resta da Mata Atlântica.

No local, observamos dois indivíduos vocalizando. Consta na literatura que na época de procriação os machos se congregam, formando grupos com até 10 indivíduos, para emitirem um som bem baixo, parecido com aquele produzido por alguém soprando na boca de uma garrafa vazia. Além de fotografá-lo, nós gravamos o som e também um vídeo. Clique aqui para ouvir e assistir ao vídeo

É bastante arisco, não permite aproximação. No entanto, freqüenta o mesmo lugar durante vários dias nesta época (de procriação).

O pavó alimenta-se essencialmente de frutos ofertados pelas árvores das nossas matas nativas preservadas. Como a nossa RPPN é bem preservada, fome os exemplares que habitam o lugar não passam.

Vamos nos esforçar ainda mais para protegê-los, ampliando a área da RPPN e, assim, proporcionar para as gerações futuras a alegria de poderem também contemplar esta ave e tantas outras raras e ameaçadas devido a toda esta destruição que ocorre da Mata Atlântica.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rocha misteriosa encontrada no leito dos riachos da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí

Formção rochosa muito interessante encontrada na RPPN Corredeiras do Rio Itajai, Itaiópolis (SC). Alguém saberia identificar?

A RPPN Corredeiras do Rio Itajaí protege vários rios e riachos que estão repletos de formas de vida aquática proporcionadas pela pureza das águas. A rica fauna de mamíferos também depende destes rios.

No leito desses riachos ocorre um tipo de rocha muito interessante, que desperta muita curiosidade. Repare na imagem acima que a rocha apresenta a superfície ondulada com certa regularidade, como se fosse esculpida pelo homem.

Já consultei alguns geólogos e eles não souberam identificar este tipo de formação rochosa, que é comum de ser encontrada nos riachos da RPPN. Eu nunca vi esta rocha em outros lugares.

Se alguém souber identificar esta rocha e fornecer algumas características, por favor, deixe registrado nos comentários, ou entre em contato através do site do Instituto Rã-bugio. Ficaremos muito agradecidos pela ajuda. Esta informação contribui para caracterizar melhor a RPPN.

Riacho da RPPN Corredeiras do Rio Itajai onde ocorre a rocha com a superfície ondulada.

domingo, 17 de outubro de 2010

Riqueza de aves da Mata Atlântica: patrimônio ameaçado de extinção

Saíra-lagarta (Tangara desmaresti) espécie que depende de áreas bem preservadas de Mata Atlântica para sobreviver. Clique sobre imagem para ampliar.

A cada visita que fazemos à RPPN Corredeiras do Rio Itajaí, localizada em Itaiópolis (SC), ficamos mais surpresos pela quantidade de espécies de aves que observamos.

Nos meses de inverno e início da primavera, nos dias frios e chuvosos, é a única oportunidade de observar de perto, e fotografar é claro, as várias espécies de saíras, que descem do alto das árvores para se alimentarem dos frutos de plantas arbustivas, como as pixiricas.

Bandos com mais de 50 saíras das espécies saíra-lagarta (Tangara desmaresti) e saíra-do-papo-preto (Hemithraupis guira) que são vistos nas copas das árvores procurando insetos descem para se alimentarem dos frutos das pixiricas.

No início da primavera, os bandos de saíras se desfazem para formarem os casais. É época de reprodução. Nesta época, são os casais que percorrem as pixiricas à procura de frutos maduros. Na falta deles, a fome aperta e as saíras-lagarta comem até os frutos bem verdes e aqueles que mal começaram a se desenvolver.

Estas saíras só podem ser encontradas em matas bem preservadas, demonstrando a importância de salvar estas poucas áreas que ainda restam. O desmatamento é o fim para esta espécie. Não adianta plantar árvores depois ou permitir a regeneração natural que esta espécie e centenas de outras não voltam mais. Por isso, concentramos nossos esforços para salvar as matas que ainda restam.

A saíra-lagarta é uma espécie tão ligada ao hábitat, isto é, às áreas bem preservadas de Mata Atlântica que não frequenta nem os quintais com pomares carregados de frutas madurinhas das propriedades rurais do entorno da RPPN, como fazem outras espécies de aves . Todos os agricultores que moram ali há décadas confirmam esta constatação. Aliás, o aviso de que era inútil esperar em seus pomares as saíras-lagartas para fotografá-las foi dado por eles.

Pode ser que a saíra-lagarta tenha comportamento diferente em outros lugares do Brasil, mas a população de saíra-lagarta da nossa região (Mata Atlântica da região norte de Santa Catarina) é extremamente sensível e não tem conseguido se adaptar ao meio ambiente alterado pela ação do homem ou em fragmentos muito reduzidos de matas preservadas.

Assista aos vídeos e veja dezenas de fotos deste lindo passarinho da Mata Atlântica: CLIQUE AQUI

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Final Feliz: Arrombamento e furto no Centro Interpretativo da Mata Atlântica

Graças à eficiência da policia de Jaraguá do Sul (SC), teve um final feliz o episódio do furto de materiais de construção do Centro Interpretativo da Mata Atlântica, ocorrido na semana passada.

Veja as imagens da fase atual da construção, clique aqui

Ladrões arrombaram dois depósitos que guardavam o material mais caro desta fase final da construção (acabamento), como fios elétricos, sanitários e hidráulica, comprado com dinheiro de doações e do patrocínio da Petrobras, Programa Petrobras Ambiental.

Quando foi comunicada do fato, a Elza estava em São José dos Campos (SP), trabalhando no projeto patrocinado pela Johnson & Johnson, “Mata Atlântica é qualidade de vida” , que é desenvolvido nas escolas daquele município e teve que viajar às pressas para SC. Estávamos muito preocupados com o material didático estocado, que, Graças a Deus, não sofreu vandalismo.

Ao registrar um boletim de ocorrência, o comissário de polícia comentou que tinha sido presa uma pessoa durante a madrugada em atitude suspeita, transitando pela cidade, com materiais de construção. Posteriormente, enviou fotos do material para a Elza reconhecer. De posse das notas fiscais se comprovou que realmente era o material furtado. Os itens apreendidos eram exatamente aqueles registrados no BO e que constavam nas notas fiscais apresentadas.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Dia da árvore: finalmente achamos uma na Mata Atlântica que produz jóias!

Sementes coloridas ("jóias") da árvore da Mata Atlântica "olho-de-cabra" que encontramos na RPPN Taipa do Rio Itajaí, em Itaiópolis (SC).

Neste dia da árvore, vamos homenagear uma árvore bastante simbólica da Mata Atlântica. É uma árvore desconhecida para a maioria das pessoas, mas sua semente é uma das mais chamativas que existe no mundo, cuja foto está acima. Trata-se da árvore conhecida popularmente pelos nomes olho-de-cabra, coronheiro, pau-ripa, dentre outros. O nome científico é Ormosia arborea, da Família: Fabaceae Faboideae

É uma árvore muito cobiçada pelo homem não exatamente pela beleza das sementes, mas para ser abatida pela qualidade da madeira. Eu desejei muito ter esta árvore em nossas propriedades, para proporcionar as gerações futuras o prazer de admirar esta beleza da biodiversidade da Mata Atlântica.

Elza abraçada ao tronco de uma magnífica árvore "olho-de-cabra" (Ormosia arborea) que finalmente encontramos na RPPN Taipa do Rio Itajaí em plena produção de sementes ("jóias"), no dia 06/09/2010.

Já produzi centenas de mudas, o que é muito fácil, mas apenas uma das mudas transplantadas sobreviveu na RPPN Santuário Rã-bugio e apresenta um crescimento extremamente lento. Creio que vai levar décadas para atingir a fase adulta, talvez até mais de 100 anos, se sobreviver, porque têm exigido um cuidado constante nos últimos 16 anos e ainda não passou de 30 cm de altura. Está muito doente. Parece querer nos enviar uma mensagem de que na natureza não é possível reconstituir aquilo que foi destruído e que todo o nosso esforço deve ser no sentido de salvar o que ainda resta, ou seja, proteger as árvores adultas, que já estão aí e não precisamos esperar 200 ou 300 anos para saber se uma mudinha plantada hoje irá vingar.

Então, minha esperança passou a ser encontrar esta magnífica árvore em nossas áreas protegidas (RPPNs) de Itaiópolis (SC). Os moradores do entorno garantiram que têm vários exemplares de grande porte. Só que nunca havíamos encontrado. Porém, no dia 06/09/2010, bem na véspera do dia da Independência do nosso Brasil, finalmente tivemos a felicidade de encontrar um exemplar gigantesco desta árvore na RPPN Taipas do Rio Itajaí, adjacente à RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. Estava com as sementes ("jóias") se desprendendo das vagens, conforme mostra a imagem abaixo.

Copa árvore "olho-de-cabra" (Ormosia arborea) carregada de sementes maduras que encontramos na RPPN Taipa do Rio Itajaí no dia 06/09/2010. Veja o detalhe das vagens com as sementes na imagem abaixo. (Clique sobre a imagem para ampliar)

Um dos dispersores destas sementes é o jacu, que é atraído, ou melhor, enganado pelo colorido das sementes, achando tratar-se de um apetitoso fruto maduro e enche sua moela com estas sementes duras, que acabam não lhe nutrindo. Esta estratégia das árvores enganarem os dispersores com sementes coloridas não é rara. A semente, que é extremamente dura, ao passar pelo aparelho digestivo da ave acaba sofrendo ruptura da casca protetora (quebra de dormência) e assim a água penetra e dispara o processo germinativo.

Detalhe das vagens com as sementes maduras da árvore "olho-de-cabra" (Ormosia arborea) que encontramos na RPPN Taipa do Rio Itajaí no dia 06/09/2010. (Clique sobre a imagem para ampliar)

Enquanto coletávamos algumas sementes para mostrar para os estudantes nas atividades de educação ambiental observamos algumas sementes parcialmente roídas, certamente por ratos silvestres. Algumas destas sementes estavam germinando. Assim, deduzimos que estes animais podem também ser dispersores importantes desta árvore, já que eles estocam as sementes longe da árvore mãe e devem perder algumas sementes com a casca parcialmente roída no meio das folhas secas.

Nossa felicidade foi tanta que nem reclamos muito dos carrapatos (micuins) que pegamos por rastejar sob a árvore para catar as sementes, ou melhor, as jóias.

Escola incentiva alunos a defenderem a Mata Atlântica e toda a biodiversidade

Os simpáticos estudantes do Colégio Global, de São Bento do Sul (SC), sendo recepcionados na sede da RPPN Santuário Rã-bugio.

Tivemos a honra de receber na RPPN Santuário Rã-bugio os simpáticos alunos da 6ª. e 7ª. Séries do COLÉGIO GLOBAL, de São Bento Sul (SC), uma tradicional escola com 22 anos de existência. A viagem de estudos foi organizada pelo coordenador de ensino, Fábio Zwifka.

Dá para ter idéia do excelente nível de qualidade do ensino desta instituição constatando o interesse em ensinar para seus alunos o que temos de mais importante em nossas vidas, que é a preservação da Mata Atlântica, ou seja, dos ambientes naturais do lugar onde vivemos. Eles fizeram, com muito prazer, uma viagem de 60 km, descendo a Serra do Mar, para chegar à RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC).

Estudantes na trilha interpretativa da RPPN Santuário Rã-bugio interagindo com a natureza sob orientação da monitora Valéria Weiss Greco

A professora de geografia utilizou em sala de aula as nossas cartilhas que foram distribuídas aos alunos sobre a Mata Atlântica e a riqueza da biodiversidade para desenvolver uma campanha para seus alunos valorizarem a biodiversidade local, bem como as áreas remanescentes de Mata Atlântica do município de São Bento do Sul.

Ações como estas contribuem para melhorar o desempenho dos estudantes em todas as áreas de conhecimentos, segundo estudos de especialistas. Estes estudantes do Colégio Global estão no caminho certo de um futuro promissor em suas vidas. Certamente, serão profissionais de sucesso nas diferentes carreiras que seguirem.

Estudantes do Colégio Global em atividade na trilha interpretativa

Eu, Germano Woehl Junior, tenho uma admiração muito especial por São Bento do Sul e toda sua gente. Meu bisavô, Gregor Wöhl, vindo da Áustria, foi um dos fundadores da cidade e eu morei lá, em 1978, onde estudei no Colégio Estadual São Bento, concluindo o ensino médio que se chamava de científico naquela época. Além disso, uma boa parte das fotos de anfíbios foi tirada nos banhados e riachos preservados deste município.

domingo, 12 de setembro de 2010

Imagens do pedaço do paraíso que estamos lutando para salvar

Imagens do conjuntos das RPPNs no vale do rio do Couro, afluente do rio Itajaí (que causa enchentes em Blumenau). Estamos protegendo as nascentes do rio Itajai beneficiando a população de Blumenau.

Imagens inéditas das RPPNs que criamos em Itaiópolis (SC). São mais de 500 hectares de áreas protegidas. Clique aqui para saber mais detalhes.

Quase toda esta linda floresta que aparece nesta imagem está protegida. Do lado esquerdo ficam as RPPNs Taipa Rio do Couro e Refúgio do Macuco. Do lado direito fica a RPPN Corredeiras do Rio Itajaí.

É considerável o esforço para proteger estas áreas para as gerações futuras e precisamos de ajuda. Não é tão simples salvar a Mata Atlântica como muito imaginam. Não basta comprar a mata para garantir a preservação.RPPN Taipa Rio do Couro. O plantação de eucalipto que aparece no topo do morro é do proprietário confrontante. A linha da divisa da RPPN passa ao lado destes eucaliptos e desce até o rio do couro.

A todo instante aparece um tipo de ameaça. Por ser uma mata preservada, muitos acham que está ali porque ainda não surgiu alguma idéia do que fazer com o terreno e não consideram a possibilidade de mantê-la intacta para proteger a biodiversidade para as gerações futuras.

Temos enfrentado muitos problemas, como a ação dos caçadores, que está sendo combatida com muito empenho e vem diminuindo muito, mas ainda é intensa e ameaça algumas espécies. Outro problema é a captura de passarinhos para o tráfico.

O vale é do rio do Couro, cuja pureza das águas pode ser vista no vídeo da mesnagem abaixo (Elza caminhando).

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Funcionários da Johnson & Johnson conhecem a Mata Atlântica

Funcionários da Johnson & Johnson de São José dos Campos (SP) atentos às explicações da Elza sobre a ciclagem de nutrientes, ou seja, a importância das folhas secas que caem das árvores e se acumulam sobre o solo das florestas decompondo-se pela ação de fungos, processo que tem papel fundamental na dinâmica de um ecossistema.

No dia 21/08/2010, sábado, atendemos um grupo de funcionários da empresa Johnson & Johnson com seus familiares na trilha interpretativa de um fragmento de Mata Atlântica do Campus Vila Branca da Universidade do Vale do Paraíba – UNIVAP, em Jacareí (SP).

O Instituto Rã-bugio já atendeu nesta trilha intepretativa 4.000 estudantes das escolas públicas de São José dos Campos e Jacareí (SP), que fazem parte do projeto "Mata Atlântica é qualidade de vida", patrocinado pela Johnson & Johnson.

A Mata Atlântica é reconhecida pela UNESCO como um dos ecossistemas mais importantes e ameaçados do mundo, restando menos de 7% da cobertura original e quase tudo é de florestas secundárias.

Elza explicando para os funcionários da Johnson & Johnson sobre a estrutura da floresta.

As áreas remanescentes desta floresta tropical são de importância estratégica para o Brasil pelos serviços ambientais ao protegem mananciais que abastecem mais de 70% da população e as principais metrópoles brasileiras, além de abrigarem ainda uma extraordinária biodiversidade de plantas e animais.

É muito importante que as pessoas adultas conheçam como funciona um ecossistema tropical interagindo com ele. Assim, aprendem na prática como é complexa a relação entre as espécies de plantas, animais e microorganismo, como fungos e bactérias e percebem, concretamente, como nosso modo de vida, nossos hábitos etc. afetam a natureza.

Só a sociedade brasileira pode salvar a Mata Atlântica, Floresta Amazônia e outros ecossistemas e para que haja interesse e empenho neste sentido as pessoas precisam conhecer estes ambientes naturais, que abrigam uma fabulosa biodiversidade.

Grupo de funcionários da Johnson & Johnson com seus familiares atendidos na trilha interpretativa de um fragmento de Mata Atlântica no Campus da UNIVAP, Jacareí (SP)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprova recursos para concluir Centro Interpretativo da Mata Atlântica

Etapa da construção do prédio principal em 25/08/2010

Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprova subvenção de recursos financeiros para a conclusão das obras das Instalações do Centro Interpretativo da Mata Atlântica (CIMA)

As instalações são constituídas de duas edificações:

1) Prédio de 150 m2 onde fica um refeitório, cozinha e banheiros para receber os estudantes (obra já concluída)

2) Prédio de dois pisos com área total de 372 m2, onde fica o auditório, biblioteca, sala de informática, alojamentos confortáveis para pesquisadores e estagiários do Brasil e exterior (em fase de conclusão).

Boa parte destas instalações foram construídas com recursos da Fundação AVINA, do patrocínio da PETROBRAS (Seleção Pública através do Programa Petrobras Ambiental 2006), repasse do Ministério Público de Santa Catarina e doações de pessoas físicas e algumas pequenas empresas de Jaraguá do Sul.

A trilha interpretativa tem 1.150 metros, onde já estão sendo atendidas as escolas da região do vale do Itapocu e norte de Santa Catarina (Joinville, Blumenau...). No total, incluindo o atendimento na RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim - SC, já foram atendidos 30 mil estudantes e mais de mil professores.

Além das atividades de educação ambiental, o CIMA funcionará também como um centro de difusão da ciência. Muitas atividades interativas com a natureza, nada mais são do que uma aula de laboratório de química e física, o que proporciona um benefício extraordinário para a sociedade, pois estamos contribuindo para a formação profissional dos estudantes envolvidos em nossos projetos.

Serão atendidos professores nos cursos de capacitação. Juntamente com o aprendizado sobre os serviços ambientais das matas preservadas (como a proteção dos rios e nascentes, das encostas, biodiversidade etc.), vamos incentivar os professores a desenvolverem atividades práticas do ensino de ciências sem a necessidade de recursos financeiros dispendiosos.

A área do terreno tem 40,6 hectares, fica no bairro Barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul (SC), e teve o uso cedido para o Instituto Rã-bugio, para fins educativos, por 10 anos, prorrogáveis por mais 10, aprovado através da Lei Municipal no 3.830/2005, de 03/06/2005. O plano diretor do município, aprovado na Lei Complementar nº 65/2007, de 01/06/2007, no art. 15, prevê a transformação da área em Unidade de Conservação (Parque Ecológico) e parte da área já foi averbada em cartório com esta finalidade.

A mata Atlântica é reconhecida pela UNESCO, como base em dados científicos, como sendo um dos ecossistemas do planeta mais importantes para ser preservado, haja vista sua riqueza de espécies de plantas e animais e a beleza de cenários naturais, mas está seriamente ameaçada. A região do vale do Itapocu, na Serra do Mar e adjacências, no norte de Santa Catarina, conserva ainda importantes áreas preservadas de mata Atlântica que abrigam muitas plantas e animais ameaçados de extinção e protegem muitos rios e nascentes, fundamentais para o abastecimento da população e funcionamento das indústrias. Iniciativas para protegê-la, como esta do CIMA, mostrando para a sociedade sua importância, são necessárias e imprescindíveis.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Falta EDUCAÇÃO AMBIENTAL no BRASIL?

Matéria do Jornal Nacional exibida em 17/08/2010 sobre uma pesquisa feita com metodologia científica em 141 municípios em todas as regiões do Brasil, entrevistando 2002 brasileiros com idade superior a 16 anos, revelou que apenas 3% escolheram o MEIO AMBIENTE como o tema de maior preocupação, as últimas colocações de 10 opções oferecidas. O erro da pesquisa é de 2%, ou seja, este número pode ser de apenas 1%.

Surpresa? Nenhuma. Vários indicadores revelam que este número fica em torno de 1%

domingo, 1 de agosto de 2010

Salvos mais dois pedacinhos da Mata Atlântica

Elza ao lado de uma das taipa (paredão rochoso), que deu origem ao nome da RPPN Taipa Rio do Couro, em Itaiópolis (SC)

Estão salvos CONCRETAMENTE para as gerações futuras mais dois pedacinhos da ameaçada MATA ATLÂNTICA em Santa Catarina repletos de formas de vida.

Acaba de ser publicada no Diário Oficial da União a criação de mais duas RPPNs nas áreas preservadas de nossa propriedade, em Itaiópolis (SC), nas cabeceiras do rio Itajaí (que causa enchentes em Blumenau). São áreas adjacentes às RPPNs já criadas, que totalizam uma área protegida de 500 hectares.

São estas as RPPNs criadas:

RPPN TAIPA RIO DO COURO - Área 36,3 ha

RPPN REFÚGIO DO MACUCO - Área 31,86 ha


Elza e sua sobrinha, Fernanda, no trecho do rio do Couro que corta a RPPN Refúgio do Macuco. Neste ponto, somos proprietários dos dois lados do rio. Na outra margem fica a RPPN Corredeiras do Rio Itajaí.


Criação da RPPN Taipa Rio do Couro

Diário Oficial da União, Nº 142, terça-feira, 27 de julho de 2010

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

PORTARIA No- 56, DE 26 DE JULHO DE 2010

Cria a RPPN Taipa Rio do Couro.


O Presidente do INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 19, inciso IV, do Anexo I da Estrutura Regimental, aprovada pelo Decreto 6.100, de 26 de abril de 2007, publicado no Diário Oficial da União do dia subseqüente; considerando o disposto no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, e o Decreto nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamenta a categoria de unidade de conservação de uso sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN - e, considerando as proposições apresentadas no Processo MMA / ICMBio n° 02070.001768/2009-49, resolve:

Art. 1º Criar a Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN TAIPA RIO DO COURO, de interesse público e em caráter de perpetuidade, em uma área de 36,30 ha (trinta e seis hectares e trinta ares), localizada no município de Itaiópolis, Estado de Santa Catarina, de propriedade de Elza Nishimura Woehl e Germano Woehl Junior, constituindo-se parte integrante do imóvel denominado Taipa do Rio do Couro, registrado sob a matricula n.º 7.553, registro nº 4, livro n.º 2, ficha 02, de 27 de abril de 2005, no Registro de Imóveis da Comarca de Itaiópolis - SC.

Art. 2º A RPPN Taipa do Rio do Couro tem os limites descritos a partir do levantamento topográfico realizado pelo Técnico em Agropecuária Almir Junior Adam, CREA/SC nº 072865-0

Art. 3º - A área da RPPN inicia-se a descrição deste perímetro no marco denominado "V01", vértice do Sistema Geodésico Brasileiro, DATUM - SAD 69, MC-51ºW, coordenadas Plano Retangulares Relativas, Sistemas UTM: (E=607594,3920 e N=7064419,0830m); segue confrontado com Julio Lada com a distância de 610,03m até o marco "V02" (E=607237,5590m e N=7063924,3020m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 235,18m até o marco "V03" (607109,4506m e N=7064121,5328m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 83,63m até o marco "V04" (E=607089,3016m e N=7064202,7034m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 78,58m até o marco "V05" (E=607140,9884m e N=7064261,8938m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 58,34m até o marco "V06" (E=607146,4520m e N=7064319,9810m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 156,40m até o marco "V07 (E=607286,7549m e N=7064389,0865m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 176,92m até o marco "V08" (E=607120,9379m e N=7064450,7951m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 30,48 até o marco "V09" (E=607143,2387m e N=7064471,5836m); Daí segue com o Rio do Couro com a distância de 127,19m até o marco "V10" (E=607075,0413m e N=7064578,9451m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 58,65m até o marco "V11" (E=607102,6002m e N=7064630,7234m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 135,64m até o marco "V12" (E=607049,6625m e N=7064755,6121m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 208,98m até o marco "V13" (E=607249,7014m e N=7064816,1011m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 83,11m até o marco "V14" (E=607246,8497m e N=7064899,1693m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 42,20m até o marco "V15" (E=607280,3262m e N=7064924,8793m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 22,98m até o marco "V16" (E=607300,2187m e N=7064913,3645m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 156,83m até o marco "V17" (E=607456,5704m e N=7064925,7586m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 35,63m até o marco "V18" (E=607490,0949m e N=7064937,8121m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 50,64 m até o marco "V19" (607508,2633m e N=7064985,0886m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 99,78m até o marco "V20" (E=607590,9460m e N=7065040,9430m); Daí segue confrontando com Elcira Eskelsen com a distância de 621,87m até o marco "V01" início de descrição, fechando assim o perímetro do polígono acima descrito.

Art. 4º A RPPN será administrada pelos proprietários do imóvel, que serão responsáveis pelo cumprimento das exigências contidas na Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e no Decreto n.º 5.746, de 05 de abril de 2006. Art. 5º As condutas e atividades lesivas à área reconhecida como RPPN criada sujeitarão os infratores às sanções cabíveis previstas na Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e no Decreto n° 6.514, de 22 de julho de 2008. Art. 6º

Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.


Criação da RPPN Refúgio do Macuco

Diário Oficial da União, Nº 144, quinta-feira, 29 de julho de 2010
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE

PORTARIA N.- 60, DE 27 DE JULHO DE 2010

Cria a RPPN Refúgio do Macuco

Vista da área da RPPN Refúgio do Macuco, em Itaiópolis (SC). Foto tirada a partir de um ponto da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. O conjunto das RPPNs criadas nesta mesma área totalizam 500 hectares.

O Presidente do INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE - ICMBio, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 19, inciso IV, do Anexo I da Estrutura Regimental, aprovada pelo Decreto 6.100, de 26 de abril de 2007, publicado no Diário Oficial da União do dia subseqüente; Considerando o disposto no art. 21 da Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, e o Decreto nº 5.746, de 05 de abril de 2006, que regulamenta a categoria de unidade de conservação de uso sustentável, Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN - e, Considerando as proposições apresentadas no Processo IBAMA/MMA - ICMBio n° 02070.001946/2009-31, RESOLVE:

Art. 1º Criar a Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN REFÚGIO DO MACUCO, de interesse público e em caráter de perpetuidade, em uma área de 31,86 ha (trinta e um hectares e oitenta e seis ares), localizada no município de Itaiópolis, Estado de Santa Catarina, de propriedade de Elza Nishimura Woehl e Germano Woehl Junior, constituindo-se parte integrante do imóvel denominado Sítio Stoltz, registrado sob a matricula n.º 2.849, registro nº 6, livro n.º 2, ficha 01, de 21 de fevereiro de 2005, no Registro de Imóveis da Comarca de Itaiópolis - SC.

Art. 2º A RPPN Refúgio do Macuco tem os limites descritos a partir do levantamento topográfico realizado pelo Técnico em Agropecuária Almir Junior Adam, CREA/SC nº 072865-0.

Art. 3º - A área da RPPN inicia-se a descrição deste perímetro no marco denominado "V01", vértice do Sistema Geodésico Brasileiro, DATUM - SAD 69, MC-51ºW, coordenadas Plano Retangulares Relativas, Sistemas UTM: (E=607469,8790m e N=7062694,1540m) no marco "V01" segue confrontando com Paulo Schambeck com a distância de 347,46m; até o marco "V02" (E=607461,3860 m e N=7063042,0080m); Daí segue confrontando com o Rio Perdido a distância de 53,57 m até o marco "V03" (E=607512,3310m e N=7063058,5640m); Daí segue confrontando com o Rio Perdido a distância de 86,17m até o marco "V04" (E=607591,8990m e N=7063025,4860m); Daí segue confrontando com Paulo Shambeck com a distância de 591,20m até o marco "V05" (E=607823,2217m e N=7063569,5507m); Daí segue confrontando com Ilvan Sebastião dos Passos com a distância de 668,50m até o marco "V06" (E=607154,9496m e N=7063586,8202m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 63,93m até o marco "V07" (E=607184,6064m e N=7063530,1838m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 82,25m até o marco "V08" (E=607225,6884m e N=7063458,9240m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 125,40m até o marco "V09" (E=607213,6618m e N=7063334,1011m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 96,00m até o marco "V10" (E=607234,1465m e N=7063240,3136m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 80,79m até o marco " V 11 " (E=607280,5475m e N=7063174,1745m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 76,33m até o marco "V12" (E=607310,7820m e N=7063104,0900m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 93,71m até o marco "V13" (E=607274,6749m e N=7063017,6165m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 88,21m até o marco "V14" (E=607295,3065m e N=7062931,8488m); Daí segue confrontando com o Rio do Couro com a distância de 239,83m até o marco "V15" (E=607263,3507m e N =7062694,1540m); Daí segue confrontando com Martim Cieslinski com a distância de 206,52m até o marco "V01" início da descrição, fechando assim o perímetro do polígono acima descrito.

Art. 4º A RPPN será administrada pelos proprietários do imóvel, que será responsável pelo cumprimento das exigências contidas na Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, e no Decreto n.º 5.746, de 05 de abril de 2006.

Art. 5º As condutas e atividades lesivas à área reconhecida como RPPN criada sujeitarão os infratores às sanções cabíveis previstas na Lei n° 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, e no Decreto n° 6.514, de 22 de julho de 2008. Art. 6º

Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Educação Ambiental para Comunidade Indígena de Araquari (SC)

Crianças indígenas guaranis da Escola Indígena Estadual “Cacique Werá Puku” atendidos nas atividades de interpretação de trilha da RPPN Santuário Rã-bugio

Nas proximidades da RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC), temos uma comunidade indígena. São índios da etnia guarani.

O Ministério da Justiça já homologou a criação da reserva que terá 3.017 hectares e foi denominada de Reserva Indígena do Piraí, devido ao nome do rio Piraí que atravessa a reserva. A sede fica no município de Araquari (SC), que faz divisa com Guaramirim (SC). O ecossistema predominante na reserva é a Floresta de Restinga de Interior, que está em processo de extinção.

Os curumins (crianças indígenas), que estudam na Escola Indígena Estadual “Cacique Werá Puku”, já foram beneficiados pelo nosso projeto de educação ambiental. Eles participaram das atividades nas trilhas interpretativas da RPPN (foto acima).

terça-feira, 29 de junho de 2010

CÓDIGO FLORESTAL: Bruna, aluna da 5a. Série, sabe mais do que os políticos

Atividades de interpretação de trilha com estudantes da Escola Estadual Marechal Rondon, de São José dos Campos (SP)

Bruna, 11 anos, estudante da 5a. Série de uma escola pública do interior de São Paulo sabe mais do que os políticos em Brasília sobre a importância do Código Florestal para o futuro do Brasil.

Os deputados federais que estão tentando derrubar o Código Florestal (veja a matéria no site O ECO), que desde 1965 protege o que resta de nossas matas, deveriam aprender com a Bruna sobre a necessidade de salvarmos a riqueza da biodiversidade para as gerações futuras.

Bruna participa do nosso projeto de Educação Ambiental “Mata Atlântica é qualidade de vida” patrocinado pela Johnson & Johnson e desenvolvido em parceria com as escolas públicas de São José dos Campos e Jacareí, no Estado de São Paulo.

O projeto consiste em desenvolver atividades ao ar livre de interpretação de trilhas em um fragmento de Mata Atlântica que fica no Campus Vila Branca da UNIVAP – Universidade do Vale do Paraíba. Veja que impressionante a visão da Bruna sobre meio ambiente clicando no link abaixo (arquivo PDF)

Relatório de atividades da estudante Bruna Stephany de Souza Assunção, Aluna da 5ª Serie da Escola Estadual Professora Hermínia Silva Mesquita - Jacareí (SP)


Incluindo a Bruna foram atendidos até agora neste projeto 3.411 estudantes e 90 professores. A meta é atender 4.000 estudantes.

Veja também nestes dois relatórios como é importante este projeto:

Rafaela G. Miranda – aluna da 7a. Série - Escola Estadual Dr. João Victor Lamanna - Jacareí (SP)

Micaela Motta dos Santos – aluna da 8a. Série - Escola Estadual Professor Adherbal de Castro - Jacareí (SP)

Veja os desenhos deste menino, que tem 11 ou 12 anos

Leonardo Y. Sato - aluno da 6a. Série - Escola Estadual Dr. João Victor Lamanna - Jacareí (SP)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Cobras indesejáveis: Matar ou entregar aos traficantes?

Caixa com as cobras resgatadas pelo corpo de bombeiros nas residências de Guaramirim (SC), que foram devolvidas à natureza. Clique sobre a imagem para ampliar.

A pior coisa que pode acontecer para uma serpente depois que perde o hábitat é ser encontrada e capturada viva pelos humanos. Algumas têm a sorte de receber a sentença de morte instantânea, independentemente de ser venenosa ou não. Outras, com menos sorte, são mantidas presas e, até que o alívio da morte chegue, são submetidas a intermináveis seções de tortura, passando por horrores que os mais monstruosos torturadores da história da humanidade sequer ousaram imaginar em aplicar ao pior inimigo ou criminoso.

Assim que o nosso trabalho nas escolas de Guaramirim (SC) de popularizar a biodiversidade da Mata Atlântica ficou bem conhecido, o corpo de bombeiros voluntários* pediu nossa ajuda sobre o que fazer com uma absurda quantidade de cobras que eles resgatavam nas residências, que não parava de aumentar. Segundo a opinião de muitos, a defesa que fazemos dos animais contribuiu para atormentar a vida do pessoal do corpo de bombeiros. As pessoas já estão percebendo que é errado matar.

Mas elas ainda não percebem o quanto as serpentes são importantes na natureza e mesmo nas áreas urbanizadas. As serpentes salvam vidas humanas ao controlarem a população de ratos, que podem transmitir a bactéria da leptospirose através da urina, doença que pode ser fatal. A leptospirose mata centenas de pessoas todos os anos e a incidência vem aumentado assustadoramente, sobretudo na periferia das grandes cidades.

Eu conheci quase toda a fauna de répteis (cobras e lagartixas) da região na sede do corpo de bombeiros de Guaramirim. Mas espere aí, Lagartixas? Sim, lagartixas! Infelizmente, as pessoas telefonavam para o corpo de bombeiros, aterrorizadas, pedindo ajuda para serem salvas do ataque “iminente e mortífero” de uma inofensiva lagartixa de 5 cm. Daí a importância do nosso trabalho de popularizar a biodiversidade.

A primeira providência que tomamos foi presentear a corporação com guias de identificação de serpentes. Eles conheciam bem as três espécies venenosas da região, mas tinham dúvidas sobre as demais. E quanto às lagartixas, explicamos que no Brasil não temos nenhuma espécie de lagarto venenoso e que no Planeta existe apenas duas espécies, que vivem em ilhas, bem longe daqui.

Então, eles aprenderam a reconhecer bem todas as espécies e adotar um procedimento simples: soltá-las na mata mais próxima da residência onde ocorreu a captura. Mas antes de se deslocar até a residência fazer uma tentativa de tranqüilizar a pessoa e, dependendo do local onde a cobra se encontra, sugerir que a deixe em paz que ela vai embora.

Teve uma história interessante de uma cobra que apareceu no pátio de uma escola na hora do recreio dos alunos. A zeladora não teve dúvida e pegou um cabo de vassoura para mata-la. Os alunos a impediram aos gritos: “A Elza disse que é só esperar um pouco que ela vai embora”. E a cobra foi salva e pode seguir sua jornada.

Por muito tempo, todas as cobras venenosas capturadas, jararacas e jararacuçus eram devolvidas para a natureza nas matas preservadas de Guaramirim.

O que me intrigava era aparecer tantas jaracuçus nas residências, pois é uma serpente que só ocorre em matas bem preservadas. Descobrimos algo supreendente: as jararacuçus estavam sendo resgatadas nas propriedades rurais. Agricultores estavam telefonando para o corpo de bombeiros solicitando o resgate de cobras até no meio das matas preservadas. Segundo eles, as jararacuçus só surgiam na região do município onde fica a RPPN Santuário Rã-bugio, a parte que fica encostada na Serra do Mar, justamente a que é mais preservada no município.

Jararacuçu, jararaca e uma inofensiva dormideira (que está embaixo da jararaca) resgatadas nas residências e propriedades rurais pelo corpo de bombeiro de Guaramirim (SC). Todas foram devolvidas à natureza.
Data da foto: 29/11/2002.
Clique sobre a imagem para ampliar.

Teve um resgate de jararacuçu que foi engraçado. Ocorreu na propriedade de um agricultor que mora a 300 metros da RPPN. Ele telefonou para o corpo de bombeiros que se deslocou 15 km com a viatura para fazer o translado de 300 metros da jararacuçu, libertada imediatamente na RPPN. Acho que não passava pela cabeça desse agricultor que incluímos também as serpentes na defesa que fazemos da biodiversidade. O mais provável é que ele queria ver a jararacuçu bem longe dali, como se fosse a única que habitasse aquelas extensas matas preservadas.

O caso mais difícil de devolução para a natureza foi o da maior jararacuçu que alguém já encontrou na região. Também foi capturada nas proximidades da RPPN em uma mata preservada de um agricultor que chamou o corpo de bombeiro ao ver a cobra no meio da mata, enrolada, dormindo tranquilamente. Por uma feliz circunstância, a Elza ficou sabendo do “achado” surpreendente. Mas já foram logo avisando que aquela jararacuçu não seria devolvida à natureza, pois o comandante do corpo de bombeiros, ao qual o de Guaramirim está subordinado, queria esta cobra, custe o que custar.

A Elza ficou desesperada e na maior diplomacia lutou sem tréguas para convencer o comandante da unidade de Guaramirim a desobedecer a ordem superior e devolver a cobra à mamãe natureza. Chegou ao extremo de precisar envolver Deus nos apelos.

Então, comandante de Guaramirim se rendeu e acatou os argumentos da Elza. Atendendo minha sugestão (para que não fique dúvida sobre nossas boas intenções), a Elza pediu para o comandante acompanha-la até uma mata preservada na Serra do Mar e testemunhar a soltura desta criatura, um momento mágico para todos nós, seres humanos, que foi registrado neste vídeo

Acho que foi logo após este dia que recebemos uma notícia triste de que as serpentes venenosas não seriam mais libertadas e teriam que ser necessariamente encaminhadas para o corpo de bombeiros de Jaraguá do Sul, que estava concentrando todas as serpentes capturadas nos municípios da região do vale o rio Itapocu para enviá-las a algum lugar.

Nas mãos de traficantes de animais ou não, o destino destas serpentes será invariavelmente cruel, conforme escrevi no primeiro parágrafo. A quantidade de cobras jararaca e jararacuçu que eles recebem é tão grande que sequer se dão ao luxo de alimentá-las após fazer a extração de veneno, conforme a constatação da Polícia Federal na operação que prendeu um grande receptador dias atrás (veja a matéria Diário Catarinense, 10/06/2010) . O veneno é extraído com muita crueldade e a cobra jogada em uma caixa e se não morrer logo, vai para uma nova seção de tortura para extração do veneno, que vale uma fortuna.

Nesta matéria da Radio Jaraguá AM de 07/01/2010, sobre a captura de cobras nas residências, repare que o corpo de bombeiros de Guaramirim diz algo diferente dos demais. Está aí o resultado do nosso trabalho de educação ambiental. As pessoas precisam ser educadas para que tolerem mais a presença de animais silvestres que estão ficando sem áreas naturais para viverem.

* Em Santa Catarina o corpo de bombeiros é constituído por voluntários e não uma divisão da polícia militar como nos outros Estados.

terça-feira, 1 de junho de 2010

O Príncipe da Serra do Mar de Joinville

Campos de Altitude (Alto Quiriri), nas montanhas mais altas da Serra do Mar, um ecossistema muito especial, raríssimo e muito ameaçado que o nosso "principe" Sr. Carlos F. A. Schneider salvou para as gerações futuras.

Dizem que Joinville (SC) é a cidade dos Príncipes. Neste final de semana ficamos sabendo que é mesmo quando tivemos o privilégio de conhecer pessoalmente pelo menos um deles. Não sei se existem outros naquela cidade.

Ele não é estrangeiro, mas um brasileiro digno de merecer este título, que nos enche de orgulho e deverá ficar para a história da conservação da natureza do nosso País. Um benfeitor da humanidade que salvou da destruição uma área significativa da Serra do Mar na região norte de Santa Catarina, algo em torno de 10 mil hectares, até agora.

Estou me referindo ao Sr. Carlos F. A. Schneider, 86 anos, um dos mais bem sucedidos empresários brasileiros do ramo industrial que figura também como destaque na galeria de honra da história da industrialização do nosso País. Um de seus empreendimentos é a empresa CISER S.A. fundada por ele em 1959, em Joinville (SC), uma das maiores fabricantes de porcas e parafusos da América Latina, fornecedora para montadoras de automóveis etc.

Muitos devem ficar intrigados com o fato de uma porção significativa da Serra do Mar em Joinville estar ainda tão bem preservada, apesar da enorme pressão. Afinal, Joinville é uma metrópole, sendo a cidade mais populosa e a mais desenvolvida de Santa Catarina. Mas não é por acaso que ainda temos este patrimônio natural. É fruto do esforço do nosso príncipe de verdade.

São consideráveis os benefícios para a população de Joinville deste excelente estado de preservação da Serra do Mar, pois proporciona muita qualidade de vida para a população. Os habitantes de Joinville têm o privilégio de beber uma água de qualidade tão boa quanto àquela que só é servida para a população que vive em metrópoles do primeiro mundo, como Nova York e Tóquio. É a genuína “água da serra”.

Paisagem típica do Campos de Altitude na Serra do Mar de Joinville e Garuva (SC), região conhecida como Alto Quriri. As nascentes de muitos rios surgem nesta paisagem natural de campos com vegetação arbórea nos vales, onde nascem os riachos. Este riquíssimo patrimônio foi salvo pelo Sr. Carlos F. A. Schneider que há anos vem comprando e preservando estas áreas.

Nosso príncipe proporcionou para a geração atual de joinvilenses pode usufruir das belíssimas paisagens intactas da Serra do Mar e da água puríssima das centenas de rios e riachos que descem a serra protegidos pela Mata Atlântica que recobre as montanhas de granito porque teve a sorte de existir na comunidade uma pessoa com visão no futuro, o Sr. Carlos F. A. Schneider.

Há décadas nosso príncipe vem comprando aos poucos estas áreas preservadas de Mata Atlântica densa que recobrem as colossais montanhas de quase pura rocha de granito que formam a Serra do Mar e abrigam uma riquíssima biodiversidade. Ele reverte para a comunidade tudo o que tem conseguido ganhar com sua competência empresarial na forma de um benefício de importância tão extraordinária. É um exemplo raro de empresário brasileiro que faça uma destinação tão nobre dos lucros de um negócio.

Daqui a 100, 200 ou 3.000 mil anos as pessoas que nos substituirão certamente vão se orgulhar muito da atitude muito ousada para esta época do Sr. Carlos F. A. Schneider, de ter olhado para o passado e para o futuro próximo e distante, percebendo, assim, o quanto é crucial salvar um monumento natural desta magnitude para a perpetuação de milhares de formas de vida que compartilham o Planeta conosco.

Com tantos benefícios para a sociedade, você deve estar imaginando que nas datas comemorativas tais como o Dia do Meio Ambiente, a cidade inteira presta homenagens para o nosso príncipe e que as escolas orientam seus alunos para neste dia contemplem a Serra do Mar enquanto falam sobre a contribuição de pessoas como o Sr. Carlos Schneider para que toda aquela beleza exuberante não seja apenas uma miragem. Mas, eu já vou logo avisando: é bom não se iludir muito.

Quando você chega a Joinville, pela rodoviária ou aeroporto, o serviço de som já lhe prepara para que não tenha o dissabor de uma grande decepção no que se refere a importância que a geração atual dá para o patrimônio natural. Eles começam anunciando o seguinte: “Joinville: a cidade alemã que tem um toque da aristocracia francesa”. Mais uma vez, quero alertar que o locutor não se refere aos alemães e franceses de hoje e nem dos últimos 300 anos ou mais, no que diz respeito à percepção sobre a importância da conservação da natureza.

Daí podemos ter idéia do que significa existir nos tempos atuais um empresário com os valores do Sr. Carlos F. A. Schneider. Como a tendência da sociedade é sempre no sentido de melhorar a medida que o tempo passa, embora algumas mais rapidamente do que outras, não deverá demorar muito para que os visitantes de Joinville ao desembarcarem no aeroporto ou na rodoviária enquanto se deslumbram com a paisagem da Serra do Mar ouvirem o locutor dizer: “Joinville: uma cidade que preservou esta belíssima paisagem natural que você esta apreciando porque teve em sua comunidade um príncipe chamado Carlos F. A. Schneider”. E você finalmente entenderá que faz algum sentido Joinville ser rotulada de “a cidade dos príncipes”.

Encontro com o "Principe da Serra do Mar de Joinville" Sr. Carlos F. A. Schneider, que tem 86 anos.

Foi interessante a forma como ocorreu este nosso agradável e inesquecível encontro com o Sr. Carlos F. A. Schneider. Ele leu uma matéria publicada no jornal A Noticia, sobre as matas preservadas que compramos aos poucos, pedacinho por pedacinho, na tentativa desesperada de tentar salvá-las. Então, pediu aos familiares que agendassem um encontro porque queria nos conhecer, mesmo sabendo que a nossa humilde escala para salvar a natureza não arranha sequer uma fração centesimal da escala empreendida por ele.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

O filósofo que há 100 anos teve a ousadia de ensinar para humanidade que as matas preservadas são a Casa de Deus

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A imagem acima é de um imã de geladeira que meu colega comprou recentemente em uma livraria nos Estados Unidos.

A frase In God’s wildness lies the hope of the world é do filósofo e naturalista John Muir, escrita no século XIX, cujo significado é mais ou menos o seguinte: “As matas preservadas são de Deus e nelas estão a esperança da humanidade”

Este suvenir me chamou a atenção. Então, fui pesquisar na internet a biografia do autor. Fiquei muito impressionado ao descobrir quem foi John Muir e, mais surpreso ainda, ao saber que ele escreveu esta frase e tantas outras com uma defesa ardente da natureza há mais de 100 anos.

Logo de cara, achei que se tratava de um escritor contemporâneo porque são frases que expressam um pensamento muito moderno e bem mais avançado do que o nosso, que defendemos a natureza de forma tão apaixonada.

Tem outra fase dele que é exatamente o nosso projeto de educação ambiental e começa assim: “Deixe as crianças andarem na floresta para elas aprenderem como funciona a natureza...”

Mas a contribuição de John Muir para a humanidade não veio somente do dom de sua arte literária extremamente refinada ao escrever estas coisas maravilhosas e tão avançadas, há mais de 100 anos. Já naquela época ele conseguiu materializar o que expressava com sua arte de escrever.

Enquanto viveu teve a proeza de, naquela época, século XIX, convencer a sociedade norte-americana a criar várias unidades conservação da natureza. A primeira delas foi o Parque Nacional de Yosemite, criado em 1890. Depois vieram outras, conforme segue abaixo em sua biografia.

O jornalista Marcos Sá Correa, do site O ECO, que já leu todos os livros de John Muir, contou-me que ele era uma pessoa muito articulada e influente. Certa vez, teve a audácia de convidar o Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, para acampar com ele no meio de uma mata preservada e apreciar a natureza, ver como é magnífica. E o Presidente Roosevelt aceitou o convite e foi.

Reparem como a sociedade norte-americana reconhece o valor de pessoas que, efetivamente, defenderam a natureza. No dia 21 de abril todas as escolas da Califórnia comemoram o "dia de John Muir", quando o naturalista é homenageado. Neste dia, os professores das escolas são convidados a falar aos alunos sobre as contribuições dele para a criação das unidades de conservação da natureza (áreas protegidas, parques nacionais etc) norte-americanas.

Os norte-americanos há mais de 100 anos já consideravam as unidades de conservação da natureza como a Casa de Deus. Enquanto que, aqui, ainda hoje, a imensa maioria da população considera as unidades de conservação como a porta do inferno.

Biografia do John Muir


John Muir (Dunbar, Escócia, 21 de abril de 1838 — Noël, Los Angeles, 24 de dezembro de 1914), foi um naturalista e escritor norte-americano do século XIX, que lutou pela preservação do patrimônio natural dos Estados Unidos.

Sua família emigrou da Escócia para os Estados Unidos na metade do século XIX. Na sua juventude, já inventava máquinas para cortar madeira: criou relógios e termômetros e, passou a maior parte do seu tempo, observando a natureza. Entra na universidade de Wisconsin em 1860; porém, em 1863, decide viajar para o norte dos Estados Unidos e ao Canadá, onde descobre novos espaços, ainda virgens. Em 1867, fica cego de um olho devido a um acidente, porém coloca um tapa-olho e retorna as suas viagens: visitou Cuba, Panamá e São Francisco, onde se entusiasma pela Serra Nevada.

Intalou-se em Yosemite e ganhou notoriedade, recebendo a visita de Joseph Le Conte (1823-1901), Asa Gray (1810-1888) e Ralph Waldo Emerson (1803-1882). Continuou seu trabalho como pastor e seguiu estudando a natureza. Em 1874, escreveu uma série de artigos sobre a Serra Nevada. Em 1879, descobre Glacier Bay no Alasca. Em 1880, casa-se e instala-se em Martinez na Califórnia, passando a viajar pelo mundo inteiro. Nos anos seguintes, publicou quase 300 artigos e 10 obras onde expõem a sua filosofia ecológica.

Em 1890, com o apoio de Robert Underwood Johnson ( editor da revista "Century"), convence o Congresso dos Estados Unidos de criar o Parque Nacional de Yosemite. A partir daí, ele incentiva a criação de novas reservas como Sequoia, Monte Rainier, Parque Nacional Floresta Petrificada e o Parque Nacional Grand Canyon, passando a ser chamado de "o pai dos sistemas de parques nacionais". Em 1892, Muir e seus discípulos criam o Sierra Clube, com a função inicial de proteger a reserva de Yosemite, ocupando a presidência até a sua morte em 1914. Em 1901, John Muir publicou Nos parcs nationaux que chamou à atenção do presidente americano Theodore Roosevelt, que o visitou em Yosemite, em 1903.

Em 1913, John Muir perde a luta contra a construção de uma barragem num vale de Yosemite (Hetch Hetchy) destinada a criar um lago para suprir as necessidades de água da cidade de São francisco.

Morreu em 1914 na cidade de Noël , Los Angeles, vítima de uma pneumonia.

Na Califórnia, 21 de abril é o "dia de John Muir", quando o naturalista é homenageado: os professores das escolas são convidados a falar aos alunos sobre as contribuições dele para a preservação das unidades de conservação da natureza (áreas protegidas) norte-americanas.

O Monte Muir, da Serra Nevada, foi nomeado em sua homenagem.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Bovespa ajuda a salvar a biodiversidade da Mata Atlântica na Serra do Mar

Atividades de interpretação da natureza no início da trilha da Prainha da Oma, um local de Mata Atlântica preservada na Serra do Mar de Corupá (SC), riquíssimo em biodiversidade e com paisagens exuberantes da floresta tropical. 03/05/2010

O apoio ao Instituto Rã-bugio da BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo), através do Programa BOVESPA Social e Ambiental (BVS&A) está ajudando a salvar a biodiversidade e a paisagem da Mata Atlântica na Serra do Mar, em Santa Catarina.

O projeto “Crianças Salvando a Mata Atlântica” financiado pelo programa da BVS&A está sendo realizado com as escolas públicas do município de Corupá (SC) e vai envolver um total de 2.250 estudantes nas atividades de educação ambiental para que eles compreendam a importância das matas preservadas para a proteção dos recursos hídricos, estocagem de carbono e preservação da biodiversidade.

A realização deste projeto só foi possível graças ao forte apoio da comunidade de Corupá e da Secretaria de Educação Municipal. Os proprietários de uma área preservadíssima na Serra do Mar, que tem uma ótima infra-estrutura para o ecoturismo, denominada de Prainha da Oma ("vovó" em alemão), cederam o espaço daquele paraíso preservado pela família Schmid para as atividades ao ar livre com os estudantes.

O local é encantador. É uma amostra autêntica de floresta tropical, de Mata Atlântica primária, com todas aquelas gigantescas árvores centenárias, densamente adornadas com bromélias e cipós e um rio de águas cristalinas que desce a Serra do Mar em uma seqüência interminável de belíssimas cachoeiras.

Neste ambiente paradisíaco o aprendizado torna-se muito prazeroso para os estudantes que passam a ter uma outra visão sobre a natureza, que é de fundamental importância para formar valores e criar uma percepção de que não podemos destruir o que ainda resta deste nosso paraíso tropical.

Os recursos da BVS&A para este investimento nas escolas de Corupá são doados por investidores da Bolsa de Valores. O projeto proposto pelo Instituto Rã-bugio participou de uma seleção para fazer parte de carteira de projetos, onde os investidores escolhem o qual preferem para fazerem a doação.

Paisagem de tirar o fôlego da Serra do Mar, em Corupá (SC). O projeto com as escolas financiado pelo Programa Bovespa Social e Ambiental (BVS&A) visa salvar este patrimônio para as gerações futuras

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Está salvo para as gerações futuras mais um pedacinho da Mata Atlântica: RPPN Refúgio do Macuco.

Uma pequena amostra da paisagem das nossas RPPNs em Itaiópolis (SC)


O Ministério do Meio Ambiente, através do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, acaba de emitir o termo de compromisso para averbação de mais uma unidade de conservação da natureza em Santa Catarina, Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) REFÚGIO DO MACUCO, área preservada de nossa propriedade.

A RPPN Refúgio do Macuco, com 31,86 hectares, integra outras áreas de propriedade do casal já transformadas em RPPN que totalizam 505 hectares, que foram compradas pedacinho por pedacinho. São áreas muito valiosas que exigem muita proteção porque além de abrigarem mamíferos e aves ameaçadas de extinção concentram uma enorme quantidade de madeira de grande valor comercial (canela-preta, araucária, peroba, cabreúva etc.).

Todas as RPPNs foram criadas a nível FEDERAL, que é um processo rigoroso e somente áreas comprovadamente bem preservadas são aprovadas, que passam a integrar o Sistema Nacional de Unidades de Conservação.

Localizada nas cabeceiras do rio Itajaí, em Itaiópolis, Planalto Norte Catarinense, a RPPN Refúgio do Macuco, recebeu este nome porque no local ocorre o macuco (Tinamus solitarius), uma ave muito rara e ameaçada de extinção. O macuco já foi extinto em muitas matas preservadas porque é uma ave muito visada pelos caçadores. Em Jaraguá do Sul, por exemplo, não existe mais.

Para compra das áreas preservadas foram utilizados recursos pessoais, da nossa poupança. É um esforço desesperador para salvar da devastação estas últimas áreas preservadas de Mata Atlântica, que prestam um serviço essencial para a população, já que protegem os recursos hídricos, a biodiversidade, evitam erosão e estocam carbono que se for liberado com o desmatamento agrava o problema do aquecimento global.

Para cuidar da área, recebemos ajuda através da aprovação de um projeto submetido ao Programa Desmatamento Evitado da ONG SPVS de Curitiba, que conta com os recursos doados pelo Banco HSBC, da campanha Seguro Verde Auto. Neste projeto, obtivemos recursos para contratação de vigilância por exemplo e também para a construção de uma sede e implementação do plano de manejo, que também foi elaborado com os recursos deste projeto.

Para o processo de criação desta RPPN contamos também com os recursos de um projeto aprovado que foi submetido ao edital do Programa de Incentivo às Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPN da Mata Atlântica, da Aliança para Conservação da Mata Atlântica (Fundação SOS Mata Atlântica e outras)

No site do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMbio, do Ministério do Meio Ambiente, está disponível um formulário eletrônico e todas as informações para se criar uma RPPN.

Veja a matéria que foi publicada no jornal A NOTÍCIA, em 07/05/2010.