segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

ZOGUE-ZOGUE o macaco menos estudado da Floresta Amazônica



Conheça o ZOGUE-ZOGUE o macaco (Callicebus cinerascens) menos estudado da Floresta Amazônica que está ameaçado devido à fragmentação da floresta. Sua ocorrência é restrita a uma região do Mato Grosso, Rondônia, e também no estado do Amazonas. Ocorre em pelo menos uma unidade de conservação federal, na Floresta Nacional do Juruena. Registramos estas imagens em 16/12/2018 no Sitio Santa Catarina, de propriedade da família de Gelcyr Woehl, Município de Brasnorte, Mato Grosso.
Brasnorte-MT, foi o segundo sítio onde a espécie foi encontrada e estudada, por ocasião da construção de uma hidrelétrica. A descoberta desta espécie de macaco é bem recente.














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Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, Santa Catarina
http://www.ra-bugio.org.br/

Aquisição de áreas preservadas de Mata Atlântica e criação de reservas (RPPN) para salvar as nascentes do RIO ITAJAÍ
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Acompanhe nosso trabalho de Educação Ambiental nas escolas para salvar a MATA ATLÂNTICA
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sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Abrace a Natureza do Brasil contribua para Salvar a Mata Atlântica

Campanha "Abrace a Natureza do Brasil" da BrazilFoundation parar arrecadar fundos para o Instituto Rã-bugio, uma das organizações sociais selecionadas para receber doações do Brasil e Estados Unidos.

Contribua para salvar o que ainda resta de Mata Atlântica.

Para conhecer nosso projeto e fazer a doação acesse

https://abraceobrasil.org/pt-br/projetos/institutorabugio/
 

Apóie também ajudando a divulgar a campanha
https://www.facebook.com/germano.w.junior/posts/10156711097090365

#institutorabugio #salveanatureza #abraceanaturezadobrasil
#brazilfoundation  #campanhaabraceobrasil #abraceobrasil

Como sua doação vai ajudar


Nosso projeto coloca os estudantes, crianças e adolescentes, em contato com natureza, e promove o aprendizado sobre a biodiversidade e serviços ambientais da Mata Atlântica, para despertar o interesse deles em defender a natureza do Brasil.

O valor arrecadado permitirá atender 815 alunos e 36 professores nas atividades interativas com a Mata Atlântica. É um projeto de educação ambiental realizado com fundamentação científica que contribui para melhorar a qualidade do ensino nas escolas públicas, além de contribuir para salvar a Mata Atlântica, que é protegida por uma rigorosa legislação ambiental, mas que não funciona. A continuidade deste trabalho é crucial. Com os recursos podemos pagar monitores, atender os alunos e manter a organização.

Sobre a BrazilFoundation


A BrazilFoundation é uma organização internacional que mobiliza recursos para ideias e ações que transformam o Brasil. Trabalhamos com líderes e organizações sociais e uma rede global de apoiadores para promover igualdade, justiça social e oportunidade para todos os brasileiros.

Em 18 anos de atuação, a BrazilFoundation arrecadou mais de US$ 40 milhões que foram investidos em mais de 600 organizações sociais de todo o país nas áreas de Educação, Saúde, Cultura, Desenvolvimento Socioeconômico e Direitos Humanos.

A BrazilFoundation é uma organização sem fins lucrativos de acordo com a Seção 501(c)3 do código tributário dos Estados Unidos, EIN 13 4131482, e uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – no Brasil pela Lei n 9.790/1999, CNPJ 048395720001-10. Contribuições feitas à BrazilFoundation são dedutíveis dentro dos limites estabelecidos por lei nos Estados Unidos e no Brasil.

Parceiros da BrazilFoundation
Adorni Films, BRASA, BRASUSC, Consulado Brasileiro em Nova York, Doare, Foresti Design, Pedra, Brazil Ahead, Carol Bassi Jewelry, Jair & Tania Khalill



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Crianças e adolescentes em contato com a natureza na Mata Atlântica de Santa Catarina


Estudantes em contato com a natureza aprendendo sobre a biodiversidade da Mata Atlântica na Serra do Mar de Santa Catarina.  Fotos das atividades de educação ambiental com estudantes das escolas públicas de Jaraguá do Sul (SC) no final de agosto e inicio de setembro de 2018. São estudantes do ensino fundamental e médio das escolas:

EEB Professor João Romário Moreira
EEB Professor Heleodoro Borges
EMEF Waldemar Schmitz

Projeto financiado com recursos do Fundo para Infância e Adolescência (FIA) pelo CMDCA – Conselho Municipal dos direitos da criança e do adolescente de Jaraguá do Sul (SC)

Leia os relatórios dos estudantes participantes e saiba mais sobre o projeto neste link

http://www.ra-bugio.org.br/projetosemandamento.php
 














Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC
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Aquisição de áreas preservadas de Mata Atlântica e criação de reservas (RPPN)
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quinta-feira, 19 de julho de 2018

Contato com a Natureza com recursos do Fundo para Infância e Adolescência FIA

CMDCA – Conselho Municipal dos direitos da criança e do adolescente de Jaraguá do Sul (SC) selecionou o projeto de educação ambiental “Água e Biodiversidade da Serra do Mar” do Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade que atenderá em atividade educativas ao ar livre, em contato com a natureza, 3 mil estudantes e 150 professores da rede publica de ensino de Jaraguá do Sul.

A duração do projeto será de 12 meses. As atividades terão início no próximo mês de agosto. O objetivo é proporcionar conhecimento cientifico para os estudantes sobre a biodiversidade local e os serviços ambientais da Mata Atlântica, como a conservação dos recursos hídricos e a proteção das encostas da Serra do Mar.

O projeto atua em parceria com os professores. Para ajudar a fixar os conhecimentos adquiridos nas atividades prática em contato com a natureza serão fornecidas duas cartilhas para os estudantes após as atividades práticas, uma sobre a Mata Atlântica e outra sobre as espécies de anfíbios da região Norte de Santa Catarina.

Uma questão da prova do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2011 sobre temática ambiental foi extraída do conteúdo dessas cartilhas que está publicado integralmente no site do Instituto Rã-bugio que foi citado como referência. Até hoje é muito acessado pelos estudantes de todo o Brasil que se preparam para o ENEM.

Além contribuir para o aprendizado o contato com a natureza proporciona também benefícios para a saúde mental dos estudantes, combatendo transtornos do défict de falta de atenção e hiperatividade, conforme revelam estudos científicos realizados nos Estados Unidos.


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Instituto Rã-bugio para Conservação da Biodiversidade
Jaraguá do Sul, SC
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Aquisição de áreas preservadas de Mata Atlântica e criação de reservas (RPPN) para salvar as nascentes do rio Itajaí
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domingo, 15 de julho de 2018

História da família WOEHL, da linhagem de Gregor Wöhl & Mathilde Schwedler


 
PESSOAS NA FOTO: 1 menino Emilio Henrique Woehl, 2 Amalia Woehl, 3 Julia Woehl, 4 Roberto Woehl, 5 Gustavo Woehl. Sentados:.meus bisavós, Mathilde Schwedler e Gregor Wöhl, e Estephania Woehl. Gregório Woehl e André Antonio Woehl não estão na foto porque já tinham casado e estavam morando no Avencal, Mafra (SC). Pela idade que Estephania aparenta ter, uns 14-15 anos (nasceu em 21.09.1886) e o menino Emilio Henrique, 12 anos, esta foto foi tirada em 1901. Considerando que Emilio Henrique, nascido em 11.12.1888, morreu aos 17 anos, em 18.02.1906, vítima de disparo de arma de fogo acidental de um dos convidados em uma festa de casamento. O convidado Oswaldo Binner foi armado ao casamento e durante a festa sua pistola de dois canos caiu do bolso do paletó disparando os dois tiros que acertaram a barriga de Emilio Henrique que estava próximo.


O casal Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler, ambos com 29 anos, e suas três crianças, Gregor (7 anos, meu avô), Andreas (5 anos) e Julia (3 anos) partiram de sua terra natal, vila de Wiesenthal, n. 140, na divisa com a vila de Grünwald, distrito de Gablonz, Boêmia (atual República Tcheca) e foram até o porto de Hamburgo (Alemanha), onde embarcaram para o Brasil no navio a vapor Vandalia. A viagem para cruzar o Atlântico e chegar ao Rio de Janeiro durou 25 dias. Chegaram ao Rio no dia 15/07/1876 e 5 dias depois, no dia 20/07/1876, no porto de São Francisco do Sul (SC). Um irmão de Mathilde, Josef Schwedler, 35 anos, da vila de Johannesberg, veio no mesmo navio com a família, a mulher Ana, 35 anos, e dois filhos, Julius (4 anos) e o bebê Robert (3 meses).

Eles viajaram de 3ª classe e a principal reclamação foi que tiveram que tomar sopa de ervilhas diariamente durante estes 30 dias. No almoço e janta era sopa de ervilhas. Juraram que nunca mais colocariam na boca sopa de ervilhas. Esta viagem foi feita em navio fretado pela Sociedade Colonizadora de Hamburgo, que tinha um contrato com o governo brasileiro para assentar imigrantes europeus nas terras do patrimônio de S.A. Imperial o Príncipe de Joinville (terras do dote da Princesa Dona Francisca, filha de D. Pedro I). Naquela época, o governo incentivava a imigração de europeus como política para desenvolver a agricultura.

Mathilde chegou grávida de 5 meses de Roberto Woehl. Então, eles decidiram permanecer em Joinville e não seguir viagem imediatamente para São Bento do Sul com os outros imigrantes conforme planejado, até o Roberto nascer. A viagem de carroça para subir a Serra do Mar (serra Dona Francisca) durava 4 dias e colocava em risco minha bisavó grávida de 5 meses. Quem já andou de carroça por meia hora pode imaginar o sofrimento que é suportar as pancadas no corpo devido aos buracos e pedras durante 4 dias.

Gregor começou a procurar emprego de carpinteiro em Joinville e consegui em uma vila que estava sendo construída, mas por um salário muito baixo. Era comum explorarem a mão de obra barata (escrava) de imigrantes em desespero. A família teve que morar em um barraco em Joinville, à beira da estrada, passando muitas necessidades. Ele alugou uma mula com dois cestos para carregar as 3 crianças. Sabe-se pouca coisa sobre este período de tempos difíceis, tanto na Europa como na chegada ao Brasil porque eles não gostavam de comentar, pois sofreram muito.


Algumas semanas após o Roberto nascer, eles finalmente foram para São Bento do Sul. Inicialmente, Gregor comprou um lote onde hoje é a Rua Felipe Schmidt esquina com a Rua Jorge Lacerda. A compra foi realizada no dia 18/01/1877 e ele pagou 15 mil Reis. Segundo os historiadores, estes lotes da área central eram reservados para os imigrantes que fossem empreender. Certamente, ele pretendia montar sua marcenaria ali e por isso venderam para ele, que chegou 4 anos depois da vila ser criada. Muitos imigrantes chegaram antes dele e, mesmo assim, ele ainda conseguiu comprar diretamente da empresa colonizadora a melhor parte. Porém, cinco anos mais tarde, por volta de 1882, ele vendeu este lote da área comercial e foi morar definitivamente na Estrada das Neves, a 800 metros dali, num terreno maior mas de alta declividade, onde criava porcos, gansos, galinhas e tinha até vacas de leite. É possível que ele tenha juntado o dinheiro para compra do lote da área comercial durante os 5 meses que ficou em Joinville trabalhando duro como carpinteiro na construção de casas, porque sabe-se que ele chegou ao Brasil sem nada. A situação de miséria persistiu por mais uns 10 anos, pelo menos. Meu avô, Gregório Woehl, foi alfabetizado, mas seus irmãos não foram.

Foi no ano da chegada deles à São Bento, 1876, a criação de uma escola que recebia subsídios de doações da comunidade, mas era necessário pagar uma pequena mensalidade. Mesmo assim, meu bisavô não teve condições de colocar seus filhos na escola.

Como se sabe, 8 anos é a idade máxima que uma criança precisa ser alfabetizada, segundo os especialistas. No entanto, meu avô Gregório, um menino que viveu a aventura de atravessar o oceano Atlântico aos 7 anos em um navio a vapor, viagem que durou 25 dias, e em seguida conheceu a exuberância da floresta tropical, ao subir de carroça a Serra do Mar, pela estrada Dona Francisca, iria dar um jeito de aprender a ler e escrever.

Para complementar a renda da família o menino Gregório, meu avô, trabalhava cuidando do quintal e jardins da proprietária de um hotel em São Bento do Sul, que tinha ficado viúva no período que meu avô trabalhava para a família. Esta mulher contratou um professor particular para dar aulas às suas crianças. Então, meu avô se escondia abaixo da janela e acompanhava estas aulas, ouvindo as palavras do professor. Certa vez, a dona do hotel o pegou em flagrante. Ficou muito comovida com a situação daquele menino pobre, percebeu que ele tinha muita vontade e interesse em aprender e permitiu que ele assistisse às aulas particulares junto com suas crianças. Foi assim que ele aprendeu a ler e escrever. Tinha uma ótima caligrafia. Nas anotações dele dá para ver que costumava misturar português e alemão, mas sem nenhum erro gramatical ou de grafia.

Neste período, ele conseguiu entrar na escola de música de São Bento do Sul. Queria aprender a tocar a gaita alemã bandoneon. Então, ia descalço porque o dinheiro não era suficiente para comprar um par de sapatos. Contou que tinha muita vergonha de ir descalço, porque era o único da sala nessas condições. As aulas eram a noite (durante o dia ele tinha que trabalhar duro). Então, ele costumava passar barro preto nos pés para disfarçar um pouco, ficar parecendo que estava usando sapatos pretos. Não se sabe quem pagava a mensalidade da escola de música, provavelmente era ele mesmo com os trocados que ganhava trabalhando para a dona do hotel. Além do bandoneon, ele aprendeu a tocar clarinete na escola de música de São Bento.

Só aos 17 anos ele conseguiu comprar um par de sapatos, com seu próprio dinheiro. A dona do hotel novamente lhe deu uma força. Ofereceu toda a área do quintal para ele fazer uma plantação de feijão e ficar com a renda da safra. Deu uma boa produção e com o resultado da venda dos feijões ele conseguiu, finalmente, ter seu primeiro par de sapatos. Foi meu próprio avô quem contou esta história para minha prima, Maria de Lourdes Reusing, que foi criada por ele e minha avó Catharina Sauer.

No local onde moravam, Estrada das Neves, tempos depois, meu bisavô Gregor Wöhl montou uma marcenaria e começou a produzir em série ataúdes (urnas funerárias). Eventualmente fabricava móveis também. Muitos parentes têm móveis fabricados por ele há mais de um século. Ele ganhou muito dinheiro com esta atividade. Tiveram mais 7 filhos no Brasil, no total, 10 filhos. Veja abaixo a relação e destino de cada um, alguns trágicos.

Meu avô, Gregório Woehl, também se tornou carpinteiro e trabalhava na construção de casas. Construía casas bem longe de São Bento. Um desses locais foi Avencal, em Mafra (SC), onde ele e seu irmão Roberto conheceram as jovens Catharina Sauer, que se tornaria minha avó, e sua irmã, Isabel Sauer, filhas de Theodoro Sauer. Meu avô Gregório e seu irmão Roberto casaram com as duas irmãs.


Porém, o primeiro emprego do meu avô Gregório Woehl foi no ramo das artes. Na juventude, ele era músico profissional. Tocava  clarinete na Banda Augustin, de São Bento do Sul, que foi a primeira banda da cidade, criada em 1876, no ano da chegada da família de meu avô. Posteriormente, ele saiu da banda e foi tentar a carreira solo, tocando bandoneon nos bailes e festas. Ele trabalhava como carpinteiro nos dias de semana e nos finais de semana ganhava dinheiro com arte, como músico. Eu acho que ele conquistou minha avó Catharina Sauer com sua arte de tocar música nos bailes e festas no Avencal, em Mafra (SC), porque se sabe que minha avó Catharina adorava ir aos bailes, festas etc.
 
O espírito empreendedor do meu avô Gregório Woehl era notável. Tinha um faro excepcional para os negócios. Não desperdiçava oportunidades de ganhar dinheiro. Começou comprando gado na região do Avencal, em Mafra-SC, e levando para São Bento do Sul para vender aos açougues e fábricas de lingüiças e salsichas. O tempo de viagem conduzindo o gado, cerca de 40 cabeças de cada vez, até São Bento era de dois dias. O açougue que comprava o gado do meu avô era de Antônio Beckert, que se tornou seu amigo. Meu avô fez isso durante 18 anos e ganhou muito dinheiro. Ele criava um pouco de gado também. Com esta atividade muito lucrativa ele conseguiu comprar cerca de mil alqueires de terra no Avencal.

Na condução do gado para entregar ao açougue (frigorífico) de Antonio Beckert em São Bento do Sul, que levava quatro dias, a filha mais velha de Gregorio Woehl, Matilde Woehl Bauer, nascida em 20/10/1895, tinha muita responsabilidade ainda na adolescência. Já era uma amazona nesta fase da vida, já tinha muita habilidade para conduzir a boiada e até laçar os bois que desgarravam. As outras duas filhas que nasceram após Matilde, Francisca Woehl Heyse, nascida em20/09/1897, que casou com João Heyse e Elfrida Woehl Heyse, nascida em 11/06/1903, que casou Paulo Heyse, irmão de João Heyse, também foram envolvidas ainda na adolescência na atividade de conduzir boiadas até São Bento do Sul. Elas contaram para seus netos que nos dias chuvosos e no inverno era muito sofrido. E também tinha o problema de os cavalos que Gregório Woehl dava para elas montarem geralmente não estavam completamente domados e saiam em disparada assim que elas montavam.

Posteriormente, ele parou com o negócio de compra e venda de gado e decidiu comprar a serraria de seu irmão, Roberto Woehl, e um sócio, Sebastião Sauer. Teve muita dificuldade para pagar, mas conseguiu. No início, operava a serraria com apenas um empregado. Após o expediente, no período noturno, ele continuava serrando e minha avó, jovem na época, entrava em ação, já que eram necessárias duas pessoas para serrar as toras. Algumas vezes trabalhavam até de madrugada. Tiveram que trabalhar duro desta forma, dia e noite, para pagarem as parcelas da compra da serraria para seu irmão Roberto e o sócio Sebastião Sauer, que vencia sempre no dia 16 de cada mês e o Roberto era rigoroso com este prazo.

Após este sufoco para quitar a dívida da compra, ele administrou bem esta serraria e ganhou muito dinheiro. Quando ele morreu, deixou um estoque grande de madeira serrada, pronta para ser vendida. Ele continuou trabalhando na serraria junto com os empregados, que eram nove no total. Aos 79 anos, um pouco antes de adoecer e morrer (pneumonia), ele ainda trabalhava na serraria. Certa vez, vieram compradores de madeira de Joinville e ele foi atendê-los, com chapéu e ombros cobertos de serragem, usando roupa de serviço e calçando sandálias. Os compradores perguntaram: “Gostaríamos de falar com Gregório Woehl”. Ele respondeu: “Sou eu mesmo”. Mas os compradores ainda ficaram com dúvidas ao encontrá-lo naquela situação e mudaram a pergunta: “Gostaríamos de falar com o dono da serraria”. Ele repetiu a resposta: “Sou eu mesmo”. 
Tinha clientes como Martin Zipperer, fundador da Móveis Cimo, que freqüentava a casa dele para tomar vinho e um licor caseiro de marmelo-Japão, que minha tia Narcisa fazia.
 

Para o funcionamento dos motores da serraria tinha geração própria de energia elétrica, em uma pequena central hidrelétrica no rio da Areia, que passava ao lado da serraria. A energia elétrica gerada na propriedade era fornecida também para a residência, que era a única do Avencal a ter este conforto naquela época.

Luiz Antonio Heyse, filho de Hary Heyse e neto de Franscisa (Woehl) Heyse a segunda filha do meu avô Gregório Woehl, mais conhecida na família como tia Chiquinha, que casou com João Heyse, contou que seu pai Hary Heyse comentava que Gregório Woehl era muito organizado em tudo, principalmente no quesito ferramentas. Nenhuma poderia ficar fora do lugar após o uso.



Teve um episódio envolvendo seu futuro genro, João Heyse. Em uma das longas jornadas pelas estradas do Rio da Areia, viagens que eram uma verdadeira aventura, o aro de ferro da roda da carroça havia se soltado. Já estava anoitecendo quando ele chegou à casa da namorada, Francisca Heyse, e pediu emprestado um martelo ao futuro sogro, Gregório Woehl, para fazer o concerto da roda.



Na hora do jantar, Gregório Woehl perguntou em tom enérgico para João Heyse:
 “João, você não devolveu meu martelo!


Tremendo de medo de levar uma bronca séria e colocar em risco seu namoro com Chiquinha, João Heyse respondeu:

De-de... devolvi, sim senhor! Eu coloquei no mesmo lugar de onde o senhor retirou”.




Sem hesitar, Gregório Woehl, levantou-se imediatamente da cadeira, pegou um funzel (mini-lampião a querosene) e foi conferir se o martelo tinha sido realmente colocado no lugar. Graças a Deus estava tudo em ordem, como João Heyse havia respondido.



Luiz Antonio Heyse contou também que Gregório Woehl afiava as serras usadas na serraria, e quando era preciso trabalhava em todas as funções. Nas suas tarefas o capricho era premissa indispensável, concluiu Luiz Antonio.

Meu avô Gregório Woehl tinha também na propriedade uma casa comercial de secos e molhados, isto é, que vendia de tudo, desde tecidos e ferramentas até itens de alimentação e bebidas. Quem atendia era minha avó Catharina Sauer Woehl e meu tio Hipólito Woehl, o filho mais novo de meus avós. Minha avó é quem administrava a casa comercial e viajava até Joinville para comprar os itens que comercializava. Já existia trem nesta época e a estação ficava próxima, no Tingui. Quando meu tio Hipólito casou, minha avó não conseguia mais conciliar as atividades da casa comercial com os afazeres domésticos, porque ela tinha que fazer almoço para os nove empregados da serraria. Então, decidiram encerrar as atividades.

Um fato bem marcante sobre o espírito empreendedor do meu avô ocorreu por ocasião de suas visitas à sua irmã, Julia Woehl Heller, em Corupá (SC). Julia casou com Rudolf Heller e trabalhavam com bananicultura na Estrada Felipe Schmidt, Rio Novo, Rota das Cachoeiras. Para meu avô deve ter sido uma grande novidade as plantações de banana em Corupá. Sem entender nada de bananicultura ele conseguiu enxergar na atividade uma oportunidade de negócios. Fornecer cavalos para os produtores de banana. Ele deve ter conversado com os bananicultores e percebido a dificuldade deles em adquirir bons cavalos. Montou uma criação de cavalos na localidade de Bituva, Mafra (SC), em uma área 500 alqueires que comprou da sogra Christina Hack e cunhados. Ele era muito profissional nesta atividade. Viajava até Curitibanos (SC) para comprar garanhões de raça do criador de cavalos Cizenando Costa. Marcava os cavalos que criava com a letra G e conseguia vendê-los por um bom preço já que não faltavam clientes. Chegou a produzir 85 potrilhos por ano. Ele tinha tudo anotado, era bem organizado.


Minha avó, Catharina Sauer (chamada de vó Kéth) era muito extrovertida e festeira também. Todo o aniversário era comemorado com muita festa, mandava matar até um boi para fazer uma churrascada. A história a seguir resume seu jeito de ser. Ela estava usando uma foice para cortar uma planta, uma touceira de capim talvez, e acabou acertando em cheio a perna, sofrendo um grave acidente, com um corte profundo, muito sério mesmo. As pessoas que estavam com ela entraram em desespero quando viram a gravidade do ferimento. Foi uma correria para levá-la urgente para o hospital. Enquanto minha tia Narcisa Woehl tentava estancar o sangue, amarrando um pano sobre o ferimento, tio Hipólito Woehl foi correndo pegar a camionete. Aí, segurando-a pelos braços, disseram: "Rápido, rápido... vamos, vamos para o hospital...". Vó Kéth parou e respondeu: "Ah, não! Espere aí! Antes eu quero comer, porque estou morrendo de fome." Livrou-se das pessoas que a seguravam, sentou-se à mesa e comeu tranquilamente um reforçado café das três. Só depois concordou ir para o hospital.

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GREGÓRIO WOEHL (15/12/1869 – 24/07/1949, morreu aos 79 anos) e CATHARINA SAUER (25/06/1875 – 01/06/1964, morreu aos 89 anos) viveram no Avencal, Mafra-SC e tiveram 8 filhos:
 

Matilde Woehl Bauer 20/10/1895 – 12/09/1938, morreu aos 42 anos; casou com Roberto Bauer em 21/04/1923.

Francisca Woehl Heyse 20/09/1897 – 09/08/1982, morreu aos 84 anos; casou com João Christian Paulo Heyse em 11/02/1920.

Germano Woehl 20/10/1901-13/08/1973, morreu aos 72 anos; casou com Oraide de Almeida em 16/06/1923, ficou viúvo em 13/10/1948 e casou novamente com Josepha Kalabaide Woehl em 14-07-1951.

Elfrida Woehl Heyse 11/06/1903 – 05/06/1990, morreu aos 86 anos; casou com Paulo Martin Christian Heyse em 14/05/1924.

Antonio Woehl 26/04/1906 –25/02/1996, morreu aos 89 anos; casou com Florisbella Hack em 22/02/1930.

Narcisa Woehl Kosteski 09/02/1909- 24/05/1994, morreu aos 85 anos; casou com Alexandre Kosteski em 30/01/1937, ficou viúva em 27/02/1939 e casou novamente com Samuel Pinto.

Herminia Woehl Ferreira (16/05/1911 – 15/03/2014, morreu aos 102 anos; casou com Heleodoro Ferreira em 30/09/1933.

Hipólito Woehl 12/04/1918 – 27/11/2001, morreu aos 83 anos; casou com Anita de Cassias Pereira Woehl em 19/05/1945.


Narcisa Woehl Kosteski sofreu uma tragédia logo no início de seu casamento. Seu marido, Alexandre Kosteski, natural de Itaiópolis (SC), morreu aos 23 anos, em 27/02/1939, vitima de violência em uma discussão com um vizinho, um adolescente de apenas 16 anos, Dorival Bino, que lhe desferiu um golpe de foice na cabeça. Alexandre morreu no hospital de Rio Negro (PR) 15 dias depois. A filha do casal, Maria de Lourdes Reusing, tinha apenas 4 meses. Então, minha tia Narcisa e sua filha Lourdes foram morar com meus avós Gregório Woehl e Catharina Sauer.

CATHARINA SAUER (25/06/1875 – 01/06/1964, morreu aos 89 anos). Nasceu em Rio Negro (PR). Filha de Theodoro Sauer (1844 – 01/09/1889, morreu aos 45 anos) e Christina Hack (1854 – 24/06/1933, morreu aos 80 anos). Theodoro Sauer e Christina Hack casaram em 1869

Pais de Christina Hack: Nicolao Hack e Catharina Clemens

Nicolao Hack nasceu em 1827 na Prússia Renana (Rheinpreußen), também conhecida como Província do Reno, divisão geopolítica do Imperio Alemão (Kaiserlich Deutsches Reich), que existiu entre 1822 e 1946. Foi a província mais ocidental do Reino da Prússia. Atualmente este território pertence à Alemanha e Bélgica. Nicolao Hack morreu em 09/10/1896, no Avencal em Mafra-SC, localidade que nesta época pertencia a Rio Negro (PR).

Catharina Clemens nasceu em 22/09/1832, em Rio Negro (PR). Filha de Joannes Clemens, (nascido em 1811, Gerolstein, Rhineland-Palatinate, Alemanha) e Christina Sauer (nascida em 1812 na Prússia Renana (Rheinpreußen), território que atualmente pertence à Alemanha e Bélgica)

Joannes Clemens é filho de Petri Clemens e Margarethae Jarding

Pais de Theodoro Sauer: Peter Sauer e Magdalena Peters
Casaram no dia 02/11/1837 na Lapa PR.
Peter Sauer nasceu em1813 na Prússia Renana (Rheinpreußen) e morreu em 17/02/1900

Magdalena Peters nasceu no dia 22/11/1818 na Prússia Renana (Rheinpreußen) e morreu em 17/02/1900 no Avencal, Mafra SC.
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ESCOLA - EDUCAÇÃO BÁSICA

Meus bisavós, Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler, tratavam com muito carinho os netos, as crianças, filhos de Gregório Woehl. Meu pai e tias que quando adultas casariam com Heyse e Bauer tinham quartos reservados só para eles em São Bento do Sul (SC), onde ficaram morando por 4 anos para estudar na escola alemã, Kolumbus Schule, e na escola de música. Eles foram alfabetizados no idioma alemão, nesta escola alemã de São Bento, que foi criada e mantida com dinheiro de doações e ação voluntária da comunidade são bentense.

Germano Woehl, meu pai, aprendeu a ler, escrever e falar alemão nesta escola, assim como suas irmãs mais velhas. Já os irmãos mais novos não tiveram tanta sorte, porque o governo criou uma escola pública na comunidade do Avencal. A professora não dominava a técnica de alfabetizar crianças. Minha tia, Francisca Woehl Heyse (tia Chiquinha), que casou com João Heyse e morava na Moema, em Itaiópolis, ao fazer uma visita aos pais, observou que seu irmão caçula, meu tio Hipolito Woehl, não estava conseguindo aprender a ler e escrever naquela escola. Então, ela levou o menino para a Moema, porque lá tinha uma escola que funcionava, por causa de um excelente professor, Fábio Zesino de Oliveira, que sabia alfabetizar as crianças. E graças a esta atitude, seu irmãozinho, meu tio, aprendeu a ler e escrever na idade correta.

Meu avô dominava bem tanto o idioma alemão como os dialetos bairische e Reichenbergische. Este último dialeto revela a origem dos Woehl na Boêmia, que foi no distrito de Reinchenberg, vila de Taschenhausen, lote n. 4, onde viveram de 1650 até 1800, quando meu tetravô Franz Wöhl se mudou para o distrito de Gablonz, na vila de Wiesenthal, n. 140. Foi neste endereço que a família de Gregor Wöhl residia quando emigrou para o Brasil. Ali nasceram meu avô Gregório, André Antonio e Julia.

Minha avó, Catharina Sauer, falava somente alemão, sua língua materna. Apesar de ter nascida no Brasil, aos 20 anos ela ainda não falava português. O que não era problema para se comunicar com nosso avô. Com o passar dos anos, ela aprendeu a falar português.


ESCOLA DE MÚSICA

Meu pai, Germano Woehl, e  minha tia Chiquinha (Francisca) Woehl Heyse não tiveram interesse pela arte da música na escola de música de São Bento do Sul. Porém, minhas tias Matilde e Elfrida (Frida) e tio Antônio se interessaram:

Tia Matilde Woehl Bauer aprendeu a tocar cítara.
Tia Frida (Elfrida) Woehl Heyse aprendeu a tocar violino.
Tio Antonio Woehl (meu padrinho) aprendeu a tocar saxofone. Era o único da família com o dom de cantar. Quando não tocava, ele cantava. Ele chegou a tocar na Banda Weiss de São Bento do Sul.


Meu avô Gregório Woehl tocava muito bem a gaita alemã bandoneon (parecida com acordeon) também conhecida como harmônica, que aprendeu a tocar também na escola de música de São Bento, conforme foi contado no inicio do texto. Com frequência eles (pai e filhos) tocavam juntos após o jantar. Às vezes, meu avô tocava nos bailes também, na localidade onde moravam, no Avencal, Mafra (SC)

SOBRE O CURSO p/FABRICAR LINGUIÇA que meu avô mandou meu pai fazer em São Bento

Meu avô queria que meu pai, Germano Woehl, adolescente, tivesse uma profissão. Então, mandou ele para São Bento para aprender a técnica de fazer linguiças, salsichas, embutidos em geral com Antônio Beckert, dono do açougue que comprou gado dele durante 16 anos, com quem meu avô estabeleceu uma relação de amizade. Meio contrariado, ele foi. Ficou em São Bento algumas semanas, aprendendo este ofício, que meu avô tanto insistiu. E aprendeu direitinho. Ele ficou hospedado na casa do nosso bisavô, Gregor Wöhl, no quarto exclusivo reservado para ele da época de estudante. Quando terminou o curso, ele desabafou para meu avô: “Olha, não quero saber desse negócio de fabricar salsichas. Não gosto de lidar com isso. Quero fazer outra coisa... “. Contudo, sempre que meu avô matava um boi ou porco, era meu pai que entrava em ação para fabricar os mais variados tipos de salsichas e linguiças. Seguia a risca as receitas, os temperos e demais ingredientes. Pesava tudo meticulosamente para preparar a massa.

Quando era jovem e solteiro, meu pai Germano Woehl foi lidar com agricultura nas terras do meu avô. Depois montou um moinho de trigo, que manteve até 1940, pelo menos. Em 1925, dois anos após ter casado virou apicultor, tornando-se um grande produtor de mel. Em 1939 ele registrou uma declaração que começou com apicultura em 1925, aos 24 anos. Na década de 30, teve uma criação comercial de nutria (Myocastor coypus), mamífero conhecido também como ratão-do-banhado, para produção de peles.  Montou também uma marcenaria no Avencal em Mafra (SC) para o cunhado Fani de Almeida (irmão de sua primeira mulher) tomar conta. Consta nos registros contábeis que Germano Woehl abriu uma firma em 07/05/1943 para instalar uma serraria na localidade de Leonel, em Mafra (SC), em sociedade com Domingos Sillos Correa. Porém, seis meses mais tarde, em 10/11/1943, Germano Woehl desfez a sociedade, comprando a parte do sócio Domingos Sillos Correa. Foi logo em seguida, em 1944, que Germano Woehl abriu outra serraria e laminação em Itaiópolis (SC), quando ainda mantinha a atividade de apicultura de acordo com os registros contábeis de 1948 e 1949 (a apicultura foi incorporada na empresa). Abriu também outra madeireira em Borazópolis (PR), cuja administração ficava por conta de seu filho Joel Woehl. Antes de ir para Itaiópolis ele chegou a ser sócio de Baltazar Mitterer em outra serraria no Avencal em Mafra (SC). O problema de se aventurar em tantos negócios é que às vezes precisa recorrer ao meu avô para empréstimos para o financiamento ou equilibrar as contas. Na contabilidade da empresa dos anos de 1948 e 1949, consta devolução mensal de empréstimo ao meu avô Gregório Woehl no valor de Cr$ 47.830,30 (Cr$ é a moeda da época, Cruzeiros “antigos”) e a outro investidor de nacionalidade italiana, amigo da nossa família, Giulio Carotta, no valor Cr$ 57.317,40 Cruzeiros. Totalizando estas parcelas mensais pagas nota-se que eram somas consideráveis, que meu pai devolveu ao longo de dois anos.



Os irmãos do meu pai e seus cunhados da família Heyse, que foram empresários de sucesso, avaliaram que duas coisas o fizeram quebrar. Esta madeireira em Itaiópolis e meu irmão Joel Woehl ter ficado doente, que estava sendo preparado para ser o sucessor. O Joel cuidava da madeireira em Borazópolis (PR), que estava indo muito bem, quando ficou doente de forma irreversível (transtorno mental). Meus tios diziam que meu pai nunca deveria ter abandonado a apicultura. Ele ganhava muito dinheiro. com o negócio de mel. Até exportava e abastecia o mercado interno, de grandes centros consumidores, como o Rio de Janeiro. Então resolveu encerrar a atividade e investir nesta madeireira em Itaiópolis, que só lhe deu prejuízo. Quanto ao moinho do meu pai Germano Woehl, uma correspondência datada de 19/12/1940 de uma empresa do setor de alimentos do Rio de Janeiro, Sociedade Comercial de Alimentação Ltda, revela as dificuldades que ele estava enfrentando. O cliente, respondeu que passou a importar centeio em grãos da Argentina porque era mais barato. Meu pai vendeu este moinho mais tarde.
Outra atividade que contribuiu também para ele ter perdido muito dinheiro foi ter entrado no negócio de mentol, ou seja, extração de óleo de hortelã. Ele comprou uma extensa área em Apucarana-PR e fez uma grande plantação de hortelã. Ele teve um sócio desonesto, que roubou ele. Ele perdeu até a extensa área de Apucarana, onde hoje fica o centro da cidade. Ele aprendeu sozinho a lidar com apicultura e usar a tecnologia para obter alta produtividade. Aprendeu lendo as matérias na revista que ele assinava na época “Chácaras e quintais”, que foi lançada em 1909 e extinta em 1971. Era o único da família que sabia ler e escrever bem.

Tanto Gregório Woehl (meu avô) como Germano Woehl (meu pai) eram pessoas bem calmas e tranquilas. Eram de poucas palavras, muito reservados. Gregório Woehl, nunca falou de negócios dentro de casa, perto da família. Sobre negócios, ele costumava trocar muitas ideias com o genro Paulo Heyse, que dava dicas preciosas sobre o comércio de madeiras, sobre preços, compradores, tendência do mercado, enfim Paulo Heyse era um consultor que ajudou meu avô Gregório Woehl a ganhar muito dinheiro com a serraria. Quem sempre foi bem nervosinha era minha avó, Catharina Sauer.

Meu bisavô, Gregor Wöhl, foi responsável pela ascensão social da família, que deu apoio para todos, até para os netos. Chegou aqui, no Brasil, aos 29 anos, em estado de miséria extrema, passando fome e rapidamente passou para classe alta. Eles não gostavam de falar do passado, porque sofreram muito.

Ele nunca deixava a peteca cair. Trabalhava muito, se esforçava ao extremo para manter sempre alto o padrão de vida da família, que andava bem vestida (veja a foto da família em 1901). Nos eventos sociais, como a ir à missa os domingos, sempre vestiam uma roupa impecável.

Dá para perceber que todos recorriam a ele, até para seus netos estudarem em São Bento. Ele que sustentou por 4 anos aquele monte de criançada dos meus avós Gregório Woehl e Catharina Sauer, que foram estudar em São Bento. Certamente, meus avós não precisou gastar um centavo com os estudos do meu pai e suas irmãs e irmãos. Até a escola de música foi bancada pelo meu bisavô.

Mas em termos de superação e empreendedorismo ninguém chegou perto do meu avô Gregório Woehl. Ele deu continuidade ao esforço do meu bisavô para elevar as condições sociais da família e conseguiu ir muito além, alcançando níveis de sucesso que proporcionaram grande prosperidade para todos seus filhos usufruir. A história de meu avô Gregório Woehl deve servir de inspiração para todos.


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Jornal de São Bento do Sul (SC) publicou na época uma nota sobre a morte do meu bisavô, Gregor Wöhl, aos 78 anos, ocorrida em 01/10/1924.
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“Novamente, um dos antigos fundadores de São Bento desapareceu na paz eterna. Na quinta-feira o marceneiro Gregor Wöhl faleceu de velhice, após ter permanecido um mês na impossibilidade de deixar o leito. Por 48 anos ele trabalhou correta e modestamente em sua profissão de marceneiro e fabricante de caixões [ataúdes ou urnas funerárias]. Foi um vizinho muito popular, em paz e satisfeito, estimado por seus concidadãos, amado pelos seus familiares, e colaborou silenciosa e modestamente pelo desenvolvimento de São Bento, e placidamente ele passou à eternidade.” VZ 4/10/1924.
“Wieder ist einer der alten Mitbegründer S. Bentos zur ewigen Ruhe eingegangen. Um Donnerstag starb der Tischlermeister Gregor Wöhl na Altersschwäche, nachdem er schon monatelang ins Bett nicht mehr hatte verlassen können. 48 Jahre hat der Verstorbene recht und schlicht hier. Seine Profession als Tischler und Sargfabrikant ausgeübt. Ein wohlgelittener Nachbar, hat er in Ruhe und Frieden, geachtet von seinen Mitbürgern, geliebt von seinen Familienangehörigen an der Entwicklung São Bentos still und bescheiden mitgearbeitet und friedlich ist er hinübergeschlummert zur Ewigkeit.”VZ-4/10/1924

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Genealogia e História da Família Woehl (Wöhl)

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BISAVÓS: Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler 

Gregor Wöhl. Nascido em 09/05/1847, filho de Andreas Wöhl e Theresia Hübner. Imigrou ao Brasil do vila de Wiesenthal, na divisa com a vila de Grünwald, Distrito de Gablonz, na Boêmia (República Tcheca), a bordo do Vapor Vandalia, chegando ao porto do Rio de Janeiro no dia 15/07/1876 e desembarcando em São Francisco do Sul dia 20/07/1876, contando à época com 29 anos. Trouxe consigo a esposa Mathilde Schwedler, nascida em 09/07/1846, natural de Johannesberg, filha de Anton Schwedler e Joana Kleinert. O casal trouxe três filhos, Gregor com 7 anos (meu avô, pai de Germano Woehl), Andreas, com 5 anos e Julia, com 3 anos. Casaram na igreja católica de Wiesenthal, Boêmia, em 25/11/1872, quando já tinham dois filhos, Gregor e Andreas, 3 meses antes da Julia nascer.

Vieram juntos com a família de Gregor para São Bento do Sul (SC), no mesmo navio, um irmão de Mathilde, Josef Schwedler, 35 anos, nascido 23/08/1840 e sua família, a mulher Ana, 35 anos, e dois filhos, Julius (4 anos) e o bebê Robert (3 meses). Todos procedentes da vila de Johannesberg, Gablonz, Boêmia.


O casal morava na Estrada das Neves, São Bento do Sul (SC). Gregor faleceu aos 78 anos no dia 01.10.1924. Mathilde Schwedler faleceu aos 74 anos no dia 15/01/1921. Tiveram os filhos Gregor, Andreas, Julia, Roberto, Gustavo, Amália, Emília, Estephania e Emílio Henrique.
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Filhos que nasceram na Boêmia (atual República Tcheca)

GREGÓRIO WOEHL (Gregor Wöhl). Foi meu avô. Nascido no vilarejo de Wiesenthal, n. 140, distrito de Gablonz no dia 15/12/1869. Chegou ao Brasil com 7 anos. Casou em 12/01/1895 com Catharina Sauer (1875-1964, morreu aos 89 anos). Viveram no Avencal, Mafra-SC. Morreu em 24/07/1949, aos 79 anos, de pneumonia dupla.

JULIA WOEHL (Julie Wöhl). Nascida no vilarejo de Wiesenthal, n. 140, distrito de Gablonz, em 20/02/1873. Chegou ao Brasil com 3 anos. Casou com Rudolf Heller em 22/11/1902 e foi morar em Corupá-SC, na Estrada Felipe Schmidt, Rio Novo (Rota das Cachoeiras), Corupá (SC), onde tinham plantação de bananas (eram bananicultores) e também um pomar de laranjas. Faziam doce (mousse, com caldo de cana-de-açúcar) destas frutas para vender em São Bento do Sul. Manteve seu sobrenome no nome de casada, ficando Julia Woehl Heller. Morreu aos 71 anos em 12/12/1843 de infarto agudo. Foi sepultada no cemitério da Estrada Isabel. O marido da Julia, Rudolf Heller, morreu aos 53 anos, logo após o ano novo, em 02/01/1931. Portanto, Julia morreu 18 anos depois do marido. Rudolf Heller também veio da Boêmia com 23 anos, do vilarejo de Wernstadt (atual Verneřice), distrito de Děčín, que fica no sul da República Tcheca.
Filhos: Rudolf Reinhold Emil Heller 14/08/1903-, Ema Heller 22/05/1905–19/08/1958 (casada com Jacinto Packer), Adele Heller 29/09/1906-08/04/1957 (casada com Eugenio Schneider, morreu aos 50 anos), Wilhelm Heller e Elvira Heller 1916–1918 (morreu com 18 meses).

ANDRE ANTÔNIO WOEHL (Andreas Wöhl). Nascido no vilarejo de Wiesenthal, n. 140, distrito de Gablonz, em 09/07/1871. Chegou ao Brasil com 5 anos. Casou em 14/10/1893 com Maria Sauer, filha de João Sauer. Viveram no Avencal – Mafra (SC). Ele morreu aos 41 anos em 27.03.1913 no Avencal. Foi assassinado a sangue frio pelo concunhado, João Vicente Beira (natural da Lapa PR, casado com Rosa Sauer) com um tiro no peito de tocaia feita às margens da estrada na primeira subida após o Cemitério Santa Cruz no Avencal, quando ele estava com a carroça transportando carne de sua produção para vender aos trabalhadores na construção da estrada de ferro na estação do Tinguí. Seu concunhado estava inconformado com o fato do Antônio ter recebido um terreno de herança do sogro João Sauer Sobrinho que ele tinha interesse. Quando criança conseguiu a proeza de atravessar o oceano Atlântico a bordo de um navio a vapor aos 5 anos de idade, mas não conseguiu escapar da violência aos 41 anos. A esposa Maria Sauer estava grávida de 8 meses de Julina Woehl quando André Antonio foi assassinado. Oito crianças ficaram órfãs do pai, mas o avô, João Sauer Sobrinho, pai de Maria Sauer, ajudou a família financeiramente por muitos anos.
Filhos: EMILIA WÖHL 17/06/1896–; ROBERTO WÖHL SOBRINHO 31/05/1898 - 13/02/1980 casou com Maria Elisia Dias e esposa morreu no parto da primeira e única filha, Maria Celina; ANNA WÖHL 05/12/1900– casou com Arlindo Nunes; CATHARINA WÖHL 24/09/1902– casou em 10/04/1923 com Amantino Xavier Paes 1898-; MATHILDE WÖHL 24/01/1905–; AMALIA WÖHL 07/03/1907; FRANCISCA WÖHL 1908–; MARIA ANTONIA WÖHL 17/06/1911 - 21/01/1995 casou em 24/10/1936 com Francisco Peschel 23/10/1907 – 26/05/1989; JULINA WOEHL 20/04/1913- casou em 03/09/1938 com Joaquim Davet 18/06/1916 - 25/10/1992.

Filhos nascidos no Brasil

ROBERTO WOEHL nasceu em 14.11.1876 (em Joinville) e foi batizado em São Bento do Sul em 11.02.1877 (padrinho: José Schwedler). Casou com Isabel Sauer, filha de Theodoro Sauer e irmã de Catharina Sauer que casou com Gregório Woehl. Roberto tinha uma forjaria no Avencal. Fabricava artefatos e peças de ferro (era ferreiro). Aprendeu o ofício com um ferreiro do bairro Lençol de São Bento do Sul. Veja nas fotos a frigideira de ferro que ele fabricou há 109 anos, uma verdadeira obra de arte. Morreu aos 74 anos, em 08/08/1952, de câncer no fígado.
Filhos: MARIA WÖHL 26/04/1904; ROSA WÖHL 26/04/1905- casou com José Preissler; ALVINO WÖHL 19/06/1907 - 30/06/1964 casou em 06/07/1941 com Noemia Debeterco 13/10/1921; HELENA WOEHL 21/07/1909 - 02/08/1984 casou em 27/09/1930 com Alfredo Ferreira 06/05/1907; IDA WOEHL 11/10/1913 – 21/11/1993 casou em 02/02/1935 com Adolfo Anastácio Pereira 09/05/1913 – 08/10/1993; MARIA ANTONIA WOEHL 1917–1995; ALFRIDO SILVERINO WOEHL (Ido Woehl) 20/06/1920 – 19/03/1995 casou com Ida Schafaschek 1934 - 11/08/2018; MARIA EDITH WOEHL 06/07/1925 – 30/12/1960 casou em 03/02/1951 com Adelino Zierhut 23/01/1928 – 11/09/1995; PAULO WOEHL casou com Odete Boneman.

GUSTAVO WOEHL, nascido em 16.01.1880 – batizado em 08.02.1880 (padrinhos: Henrique Keil e Catharina Denk). Casou com Clara Linzmeyer (filha de Jorge Linzmeyer) em 08.07.1908 e viveu em São Bento do Sul, na Estrada das Neves. Morreu em 20.02.1956 em Rio Negrinho (SC), na vila São Pedro, onde morou por um tempo.
Filhos: Luiz Woehl 1918–2003, Germano Frederico Woehl -1971, Carlos Woehl, Francisca Woehl Funk, José Woehl, Maria Woehl, Paulo Woehl e Rosa Woehl Siedschlag.

AMALIA WOEHL, nascida em 01.05.1882 – Batizada em 18.06.1882 (madrinha Anna Schwedler). Casou em 10.01.1903 com o marceneiro Reinhold Endler (1881 - 10.08.1950), que teve o nome traduzido para Reinaldo Augusto Endler. Viveram na Estrada das Neves, em São Bento do Sul (SC), na propriedade de Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler. Faleceu em 20.09.1945 de hidropisia. Amália se separou do marido Reinhold Endler e foi morar por algum tempo sozinha na primeira casa do irmão Gregório Woehl, na Estrada Dona Francisca no Avencal, Mafra (SC). Reinhold Endler morava com o filho mais velho, Rodolfo Endler, quando faleceu aos 69 anos, na localidade de Agudos, Major Vieira (SC). Foi sepultado no cemitério de Rio das Antas, em Major Vieira (SC). O filho do casal Bernardo Endler era considerado um excelente carpinteiro e também marceneiro e foi morar na localidade de Rio Mandioca, divisa entre São Bento e Corupá. Há trabalhos dele de marcenaria que estão preservados até hoje. O filho Ervino Endler teve como padrinho e madrinha de batizado Gregório Woehl e Catharina Sauer Woehl que foi realizado em São Bento em 07-03-1910. Ervino foi morar e trabalhar no Rio da Areia, Mafra (SC), onde foi assassinado em fevereiro de 1943 com um tiro no abdômen pelo amante de sua mulher, cujo nome não foi citado no registro de óbito porque o declarante alegou desconhecer. Meu avô Gregório Woehl, o padrinho dele, chegou a socorrê-lo quando o trouxeram ferido em cima de uma carroça no Avencal. Mandou meu tio Hipólito Woehl levá-lo com urgência de camionete para o hospital de Rio Negro, mas ele não resistiu. Amália Woehl, que morreu 2 anos após esta tragédia ocorrida com o filho Ervino, não deixou os netos desamparados. Incluiu em seu testamento as três crianças de Ervino: Olívio, Olívia e Edimar. Os bens de Amália Woehl essencialmente eram as propriedades de Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler. Sua filha, Elvira Endler, acabou ficando com a casa e objetos pessoais de Gregor Wöhl e Mathilde Schwedler, parte destes objetos pessoais foram doados por ela para o museu de São Bento do Sul.
Filhos: Rodolfo Endler, Bernardo Endler 28.02.1905 – 16.10.1951; Erna Endler 06.05.1907 -; Ervino Endler 16.12.1909 - 22.02.1943; Elvira Endler 26.09.1911– 30.05.1987 casou aos 21 anos com o alfaiate e viúvo Evilásio Borges de Aquino em 29.11.1930 (nome de casada Elvira de Aquino); Ewaldo Endler 07.10.1914- 27.09.1979; Edmundo Endler 01.03.1921 - 25.08.1968 e; Hypólito Endler 02.04.1924 -.


EMILIA WOEHL, nascida em 21.03.1884 – batizada em 27.04.1884 (padrinhos: Caetano Zimmermann e Mathildes Hübner). Morreu em 20.02.1885, com dez meses, de tosse convulsiva

ESTEPHANIA WOEHL, nascida em 21.09.1886 – batizada em 19.12.1886 (padrinhos Antonio Woehl e Carolina Woehl). Estephania casou em 08/08/1908 com Theodoro Sauer (23.02.1881 - 30.03.1966), irmão de Maria Sauer (que casou com André Antonio Woehl). Morreu aos 59 anos em 16.06.1945, em Guarapuava (PR). A causa primária da morte foi insuficiência hepato-renal que lhe causou muito sofrimento durante 6 meses quando teve um colapso cardíaco e veio a falecer no Hospital São Vicente de Paula, em Guarapuava (PR). Theodoro Sauer também morreu em Guarapuava PR, aos 85 anos. Morava com a filha Lydia Sauer Bastos e foi ela que fez o registro de óbito. Theodoro Sauer era filho de João Sauer Sobrinho, um próspero comerciante, e Genoveva Rauen. Logo após terem casado, Estephania e o marido tinha uma casa de comércio e  um salão de baile no Avencal, Mafra - SC, no km 123 da BR-280, perto da Capela Santa Cruz. Viveram no Avencal até 1927. Em junho de 1927, três meses após nascer a filha mais nova do casal, Thereza Christina Maria Sauer em 09.04.1927 decidiram se mudar para Cruz Machado PR onde compraram uma casa no centro da cidade e um sítio (chácara) na zona rural. Porém algo deu errado em Cruz Machado-PR, onde acabaram na miséria. Meu avô, Gregório Woehl, quando soube da situação da irmã, foi visitá-la e levou dinheiro para ajudar casal. Comentou que foi difícil chegar ao local onde Estephania residia, teve que usar até um barco e seguir por um rio. Certamente, ele se referiu ao rio Iguaçu, que faz a divisa entre Cruz Machado e o município de Bituruna, região do Sul do Paraná, próxima de Porto União (SC). Posteriormente, se mudaram para Guarapuava-PR, Distrito de Palmeirinha e depois no centro da Guarapuava.
 
FILHOS: O casal teve 10 filhos(as), sendo que dois deles morrem quando ainda eram bebês. HERCILIO SAUER, nasceu em 26.06.1909, em São Bento do Sul, faleceu em Campo Mourão PR, dia 12.08.1980 aos 71 anos de problemas cardíacos, casou em Caçador SC no dia 31.01.1940 aos 30 anos com Maria Rita Rodrigues Sauer aos 19 anos (nascida em 09/11/1920 em Curitiba – PR), filhos Sidnei Sauer, Sueli Sauer e Silvanira Sauer; LYDIA SAUER, nasceu em 18.12.1910, faleceu em 10.06.1990, casou em 05/06/1935 com Julio Manoel de Bastos (03.07.1909 – 10.11.1983) e viveu no distrito de Palmeirinha, Guarapuava PR; ELVIRA SAUER, nasceu em 23.01.1914 e casou com Francisco Alves em 23.10.1943 em Santos SP; OSVALDO SAUER, nasceu em 03.05.1917 e viveu em Foz do Iguaçu PR, onde foi servir ao Exército e ao dar baixa foi trabalhar com artefatos de couro, selaria de cavalo, oficio que aprendeu no Exército, e mais tarde abriu uma sapataria em sociedade com o irmão Afonso Sauer, casou com casou com Emilia Risden, ficou viúvo e casou novamente com Ana Maria Urnau; AFONSO SAUER, nasceu em 22.10.1923 e casou com Gentilina Pasa em Foz do Iguaçu PR, onde trabalha em sociedade com o irmão Osvaldo Sauer na sapataria; ANA SAUER, nasceu em 26-07-1915, sendo o parto realizado na casa de Amália Woehl Endler x Reinaldo (Reinhold) Endler, em São Bento do Sul, casou com Hermelino Cesar Lago e viveu em São Paulo capital; JOAQUIM SAUER, nasceu morto em 22-01-1920; BRÁULIO SAUER, nasceu em 26.03.1921, foi registrado como Brasílio Sauer e viveu em Pato Branco e Palmas PR; HILDA SAUER, nasceu em 07-07-1922 e morreu ao 8 meses, em 15-05-1923, vitima de coqueluche; THEREZA CHRISTINA MARIA SAUER, a filha mais nova, nasceu em 09.04.1927, casou com Américo Dias de Ávila Pires e viveu em Ipanema, Rio de Janeiro RJ, onde tinha uma loja de móveis e decorações, a Domus, em Ipanema, que mais tarde se tornou também em galeria de arte que promovia eventos culturais com lançamento de livros ou de uma nova exposição. Nesse período Thereza Christina escreveu um conto que foi premiado, isso lhe deu entusiasmo para escrever um livro, "Cão dos Infernos", publicado em 1965 pela Editora Civilização Brasileira. Após o fechamento da loja, foi contratada como secretária-executiva do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), onde trabalhou até se aposentar.


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Minha prima Edith Heyse Bessa contou que conheceu Estephania e suas duas irmãs mais velhas, Amália Woehl Endler e Julia Woehl Heller. Eram mulheres altas que impunham presença, chamavam atenção. Estephania particularmente era uma mulher linda. Estephania era muito querida e generosa na comunidade do Avencal. Era muito simpática e feliz. Ela atendia a mulherada na casa de comercio do casal e costumava não cobrar pelos tecidos e acessórios quando se tratava de mulheres pobres. O casal não tinha problemas financeiros porque o pai de Theodoro, João Sauer Sobrinho, alem do financiamento inicial, lhe deu toda a receita de sucesso para ganhar dinheiro com comércio. Ou seja, João Sauer Sobrinho montou uma máquina de fazer dinheiro para o filho Theodoro que era só tocar. Caso cometesse algum erro de gestão, o pai estava sempre por perto para consertar e injetar mais dinheiro se fosse preciso para cobrir o prejuízo ou pagar fornecedores. A casa de comercio de Estephania & Theodoro ficava às margens da BR-280, no final da subida após a ponte do rio da Areia, do lado direito no sentido Mafra – São Bento do Sul, onde eles tinham também um salão de baile que funcionava nos finais de semana. A residência fica no mesmo local. Eles ganhavam muito dinheiro, tinham um alto padrão de vida. O salão de baile anexo era até um hobby para o casal, a fonte de renda vinha da casa comercial. Era bem movimenta em 1927 quando venderam tudo as pressas e foram embora. É um mistério porque tiveram que sair às pressas do Avencal em 1927. Discretamente, mandaram de trem as crianças sozinhas na frente, levando até filha caçula (Thereza Christina), que era um bebê de apenas três meses, para Cruz Machado e ficaram para vender tudo por bagatela. Estephania se recusou a ir, afinal ela viveu ali momentos de felicidade intensa com a família até seus 41 anos de idade, quase 20 anos. Vivia muito feliz ali com o marido, as crianças e os parentes por perto. O comerciante Oscar Meyer que comprou a casa comercial deles continuou tocando o mesmo negócio, vendendo exatamente os mesmos produtos e fez fortunas ali, ganhou muito dinheiro após a saída deles, por muitos anos. A decadência do Avencal ocorreu bem mais tarde, entre 1940 e 1950.

Aconteceu algo muito grave para Theodoro ter decidido às pressas ir embora e ele escondeu isso da esposa Estephania, dos filhos e do resto da família, porque senão saberíamos. Pode ter sido este cargo político que ele aceitou de Inspetor de Quarteirão, o equivalente ao delegado de policia de hoje, mas não era cargo remunerado. Mas Theodoro Sauer não se importava em exercer esta atividade policial voluntária e muito perigosa porque queria tentar a carreira política e este cargo era um trampolim. Estephania se queixava para os parentes da atividade política do marido. Com forte sotaque alemão, ela dizia para minha avó, Catharina Sauer: “Eu queria tanto que o Dêts (nome carinhoso que ela usava para Theodoro) largasse a política”. Com certeza, Estephania, o desaconselhou, encheu as paciências dele para não pegar esta responsabilidade, que era encrenca na certa e colocava a família em risco de vida. Ele deve ter contrariado a esposa Estephania, não atendeu seus apelos desesperados e aceitou o cargo. O Avencal estava cheio de bandidos, muito perigosos. Devido a esta atividade policial de inspetor de quarteirão, na repressão de um infrator perigoso, talvez até em alguma briga no salão de baile do casal, deve ter recebido alguma ameaça séria contra ele e a família, de vingança contra as filhas adolescentes, por exemplo. Lydia tinha 15 anos, Elvira, 10 anos e Ana, 9 anos. Por que ele mandou de trem primeiro as crianças, sozinhas, sem avisar ninguém, pelo que se sabe?

Ele não revelou o motivo para ninguém possivelmente para não dar o braço a torcer, de confirmar a previsão óbvia da esposa Estephania desta atividade policial voluntária, que deve causado muita discórdia entre o casal quando ele aceitou. Guardou este segredo com ele a vida inteira. A cada ano que passava ficava cada vez mais forte a justificativa para manter este segredo bem guardado, por que ele sabia que foi isso que destruiu a felicidade da família, casou um sofrimento muito grande para a família e a morte prematura da esposa Estephania.

Quando se mudaram para Guarapuava, Distrito de Palmeirinha, eles foram morar na casa de empregados de um pequeno fazendeiro que fabricava cachaça e tinha algumas vacas de leite. Era a única casa da propriedade, sem privacidade nenhuma, porque o patrão usava a casa também quando vinha da cidade. O pagamento dos salários não era em dinheiro, mas em mercadorias que o patrão revendia as empregados por preços abusivos. Nesta fase, a família de oito filhos ficou reduzida a apenas dois, Afonso e Thereza Christina, os mais novos. Estephania fazia almoço caprichado para a família, o patrão chegava, almoçava primeiro e comia a galinha inteira, deixava só as costas e o pescoço para eles dividirem depois. Pior: tiveram que hospedar na casa um empregado do fazendeiro, forasteiro perigoso, grande e muito forte, que tentou violentar Thereza Christina, com 12 na época. Ele dormia no sótão da casa. Thereza Christina gostava de tomar banho sozinha no rio que cortava a propriedade, onde tinha um poço raso na curva do rio, num lugar bem reservado e gostoso. Na inocência, ela ficava nua, deixava a roupa no gramado e ficava horas nadando sozinha, relaxando. Um dia, ela viu este cara a observando deitado na grama ao lado da roupa dela. Ela saiu da água rapidamente, escondeu o corpo atrás de arbustos e gritou com o cara. Ele não se intimidou, pegou a roupa dela e estava levando embora Então, Thereza ameaçou de contar para seu pai. Ele dando risada, jogou para perto dela suas roupas, mas ficou com a calcinha e não quis devolver, prometeu devolver mais tarde, em casa. Thereza Christina ficou preocupada por que sua mãe, Estephania, iria limpar o quarto do rapaz na manhã seguinte e poderia encontrar sua calcinha lá. Não iria aceitar as explicações dela e levaria uma surra daquelas. Naquele mesmo dia, à noite, ela esperou a mãe dormir e notou que o cara estava com a luz acesa (lampião) no quarto e foi até lá silenciosamente, na ponta dos pés, implorar, falando bem baixinho, que ele devolvesse sua calcinha. Ele pediu que ela entrasse no quarto. Quando ela abriu a porta e entrou, ele estava deitado nu sobre a cama, apagou o lampião e rapidamente a agarrou pelo braço para impedir que ela fugisse. Thereza reagiu dizendo que sua mãe estava atenta, lhe aguardando voltar, porque tinha dito para ela que foi lá fora para usar a privada. Então, ele a soltou. Ao sair do quarto, Thereza disse para ele que quando seu pai, Theodoro Sauer, chegasse no dia seguinte iria contar tudo para ele. O rapaz debochou dela, que não tinha medo daquele velho. “Se este velho vier me encher o saco eu destripo ele na hora”, disse mais ou menos isso e continuou com as ameaças. “Guria, se não quiser ver aquele velho estrebuchando, cale o bico, viu!” E completou dizendo que só devolveria a calcinha dela no dia seguinte. Thereza Christina conta que teve que ficar calada e não tinha para quem pedir proteção. Mas Deus não lhe abandonou e ouviu suas preces durante a noite. No dia seguinte quando seu pai, Theodoro Sauer, chegou cedo dando uma boa noticia naquele momento de angústia, que patrão tinha acabado de lhe dar as contas depois de um desentendimento que tiveram e ele mandou o patrão para aquele lugar. Eles tinham que sair da casa imediatamente, que era para eles (Thereza e Afonso) ajudarem a mãe, tia Estephania, a juntar a tralha para a mudança para uma casa na cidade de Guarapuava. Theodoro disse para a família que lá no centro seria mais fácil conseguir trabalho.

No centro de Guarapuava eles conseguiram uma casa grande de madeira pagando um aluguel simbólico, apenas para cuidar da casa, para o proprietário Alexandre Cleve, que era muito rico, dono do Tabelionato Alexandre Cleve da Comarca de Guarapuava e proprietário de muitos imóveis na cidade. A relação do casal ficou conflituosa desde a saída deles do Avencal, onde eles eram muito felizes. Eles se separaram quando estavam morando nesta casa no centro de Guarapuava. Estephania ficou morando com a filha adolescente, Thereza Christina Maria Sauer e Theodoro Sauer foi acolhido pela filha mais velha do casal, Lydia Sauer Bastos, que morava no distrito de Palmeirinha, onde foi trabalhar como meeiro do genro Julio Martins de Bastos, que tinha um terreno lá. O filho Afonso Sauer foi servir o exército em Foz do Iguaçu e lá permaneceu trabalhando com o irmão Osvaldo Sauer.

Durante a primeira metade do período de seu casamento, Estephania tinha uma vida de felicidade plena, vivia no paraíso, tinha uma vida de rainha. Na outra metade, após a saída do Avencal, viveu na desgraça, em situação de miséria extrema. Quando a família achava que já tinham chegado ao fundo do poço, ainda tinha espaço para despencaram ainda mais, para as coisas piorarem. Nos últimos anos de sua vida, Estephania teve que trabalhar de faxineira até aos domingos, limpando os escritórios grandes e agências bancárias do centro da cidade. A filha caçula, Thereza Christina Sauer, conta que quando era adolescente ajudava a mãe nesta atividade e puxava os baldes de água para lavar os vidros e calçadas e esta parte externa da limpeza dos escritórios lhe causava muito constrangimento porque suas colegas da escola saiam da missa do domingo de manhã e passavam ali. Então, toda a vez que via alguém passar, ela virava o rosto para não ser identificada ou corria para se esconder e não passar vergonha de ser vista e todo mundo saber ela era filha de uma faxineira. Mas Estephania se preocupava com o futuro da filha, trabalhando duro como faxineira para pagar escola particular e se empenhou em mandá-la para Curitiba aos 12 anos para morar com a viúva de um banqueiro, dona do Banco onde ela fazia a limpeza em Guarapuava, com o objetivo de ela estudar, mas não deu certo porque a viúva não cumpriu o que prometeu, a explorava como empregada doméstica da mansão.

Thereza Christina era uma adolescente muito esperta. Aos 15 anos já trabalhava para o cartório de um advogado e aos 16 tornou-se escrevente juramentada, podendo assinar pelo advogado. Aprendia rapidamente as coisas e era muito profissional no que fazia Tanto o juiz com o promotor de Guarapuava a elogiavam muito e ficavam impressionados com sua destreza. Mas esta precocidade e presença de destaque no meio jurídico e dos cartórios, além da beleza estonteante  (alta, olhos azuis...), lhe causou um problema na época. A esposa do tabelião Alexandre Cleve, Luiza Ferreira Guimaraes Cleve faleceu em 29-03-1943 aos 60 anos, quando ele tinha 65 anos. Alexandre Cleve era muito rico e dono da casa onde Estephania morava com a filha adolescente, onde pagavam um aluguel simbólico. A mansão onde ele residia era vizinha. Após o falecimento da esposa, não se sabe exatamente quando, Alexandre Cleve fez uma proposta para casar com Thereza Christina, nascida em 09-04-1927, que deveria ter 16 ou 17 anos. Não fez a proposta diretamente para ela, mas para a mãe Estephania, sua inquilina, que conversou com Theodoro depois, já que estavam separados. Os dois, que estavam com quase 60 anos, concordaram e aconselharam que a filha caçula Thereza Christina aceitasse se casar com o viúvo rico. Mas ela soube contornar a situação e conseguiu escapar dessa. Alexandre Cleve é filho do famoso dinamarquês Luis Daniel Cleve, sertanista, jornalista e político brasileiro, que foi parar em Guarapuava após participar de vários acontecimentos marcantes da história brasileira. É homenageado em várias cidades parananenses, com nome de praças, ruas e ata cidade, Clevelância.

Estephania ficou abalada, emocionalmente devastada, por estar nessa situação de pobreza extrema. Estava doente, muito depressiva e precisando de tratamento médico e psicológico. Lamentava muito não ter dinheiro para visitar o parentes em Santa Catarina e que ainda tinha uma irmã viva morando lá na Hansa Humboldt (Corupá-SC, referindo-se a Julia Woehl Heller), mas não podia visitá-la. A prima Thereza Christina Sauer relata que o inconformismo da mãe vinha do fato do pai jogar fora todo o patrimônio que eles tinham. Estephania dizia que ele era  “cabeçudo teimoso”. Certa vez, Theodoro Sauer estava lendo na mesa da cozinha, num dos raros momentos de paz na família, Estephania, sentou-se em frente dele (do Dêts, como ela o chamava) e não demorou muito para ela disparar esta crítica: “Adianta você ficar lendo estes livros? Pelo jeito não lhe ajudaram muito, pinchou (jogou) fora tudo o que tinha, assim mesmo.” Theodoro Sauer se defendia dessas críticas alegando que o motivo do fracasso foi a crise econômica. O lugar para onde eles foram quando saíram às pressas do Avencal, Cruz Machado PR, era um lugar que já estava em decadência porque o ciclo da erva-mate tinha acabado e as serrarias eram a atividade econômica que ainda restava. Mesmo neste cenário bastante previsível e óbvio de colapso econômico eminente pelo esgotamento rápido da matéria prima, Theodoro escolheu este lugar para tentar repetir o sucesso no Avencal com comércio. Com o pouco dinheiro que conseguiu na venda do patrimônio no Avencal, ele comprou um imóvel no centro de Cruz Machado, para montar uma casa comercial provavelmente, e uma propriedade mais retirada do centro para moradia. Em 1930, três anos após a chegada deles, veio uma crise econômica mundial. Foi neste. cenário que Theodoro Sauer estava tentando viabilizar uma casa comercial na decadente Cruz Machado, que ia entrar em colapso independente da crise econômica mundial. O obvio aconteceu, Theodoro Sauer perdeu tudo na aposta que fez em Cruz Machado e ficaram na miséria. Especula-se que a escolha de Cruz Machado foi porque ele tinha algum parente lá. Alguém de confiança foi esperar as crianças que foram enviadas de trem sozinhas para lá.

Theodoro Sauer, o Dets como Estephania carinhosamente o chamava quando moravam no Avencal, estava ficando impaciente e violento com ela, não compreendendo seu quadro depressivo, que exigia tratamento médico. Certa vez bateu nas costas dela com o ferro de mexer brasa. Ela não conseguiu fugir para fora de casa e apenas protegeu a cabeça enquanto ele batia com violência repetidas vezes nas costas dela com esta barra de ferro. Após a surra que levou do marido, Estephania ficou de costas, com o rosto escondido no braço, chorando contra a parede. As crianças, que apavoradas tinham corrido para fora de casa, pensaram que o pai ia matar a mãe e quando entraram na cozinha viram ela chorando encontrada na parede com o vestido atrás todo marcado dos riscos da barra de ferro suja de carvão.

Estephania morreu aos 59 anos em 16.06.1945. A filha caçula Thereza Christina que estava com 18 anos na época foi quem fez o registro de óbito da mãe. Ela sofreu durante seis meses por insuficiência hepato-renal, mas só foi internada dois dias antes da morte no Hospital São Vicente de Paula, em Guarapuava (PR). Theodoro Sauer viveu bem mais, morreu aos 85 anos. Morava com a filha Lydia Sauer Bastos e foi ela que fez o registro de óbito. Ele trabalhava em limpeza e serviços gerais deste mesmo hospital onde Estephania morreu.

O primo de Theodoro Sauer, Narciso Sauer casado com Quintilhana Clemente (Clemens) Sauer que viveram no Avencal, Mafra (SC), próximo da Igreja Santa Cruz, até pelo menos dezembro de 1940, foram embora com a família para o mesmo local onde Theodoro Sauer morava na casa de sua filha Lydia, Distrito de Palmeirinha. Eles compraram terreno lá.

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Mudança para Cruz Machado PR no Diário da Lydia Sauer Bastos

Episódio da mudança do Avencal, Mafra SC, para Cruz Machado, no Paraná, em junho/1927, extraído do diário da filha de Estephania, Lydia Sauer Bastos, com 15 anos na época. Esta história foi contada pela filha mais nova de Estephania, Thereza Christina Maria Sauer de Ávila Pires, que faz parte de um belo texto escrito em 22.06.1997 sobre a história da família Woehl e Sauer, escrita a pedido de sua prima Maria Helena Ferreira, neta de Roberto Woehl x Isabel Sauer, que mora em Mafra SC. Segue a transcrição do texto. O que está entre chaves [ ] são minhas observações.

Autora: Thereza Christina Maria Sauer de Ávila Pires, aos 70 anos.
Rio de Janeiro (RJ), 22.06.1997

Quando em 1971 pude ir a Santa Catarina conhecer um pouco de nossos parentes (e quantas alegrias eles me deram!) fiquei fascinada com as histórias da prima ELVIRA ENDLER DE AQUINO [filha de Amalia Woehl Endler], de São Bento. Ela era um repositório vivo da crônica de nossos avós imigrantes. Então me prometi que, tão logo pudesse, voltaria com um gravador para recolher a saga. Mas a vida continuou a rolar. Só quando em 1989 me aposentei, resolvi que tinha chegado a hora de pegar um gravador e sair atrás da prima Elvira. Mas nem cheguei a ir. Ela havia falecido há 4 anos. Espero sinceramente que alguma de suas filhas tenha registrado as histórias.

Também a mana Lidia tinha histórias para contar, da 2a geração. A aventura que fazia-nos rir muito era aquela de “A VIAGEM”. Aconteceu em 1927 quando papai [Theodoro Sauer] e mamãe [Estephania Woehl Sauer] resolveram deixar SC para viver no Paraná, tendo comprado uma casa na cidade além de uma chácara, em Cruz Machado. O casal ficou encerrando os assuntos em SC, mas despachou na frente toda a tribo (éramos 8: Hercílio com 16, Lydia com 15, mais uma escadinha de 5, e finalmente eu, um bebê de 3 meses no colo da Lydia. Pois no meio do caminho, o trem parou. Bandidos assaltando o trem! Eles apearam dos cavalos, um se postou numa ponta do vagão, outro na outra ponta, carabina na mão. Os outros cinco depenavam os passageiros. Sem tirar nem por, uma cena de puro filme far-west. Mulheres gritando, garotada berrando, bebês se esguelando. Pois nessa confusão medonha, Hercílio [16 anos], chefe da tribo, teve a presença de espírito: rapidamente pegou o dinheiro das despesas de viagem e escondeu... nos meus cueiros [fraudas].

A esperteza deu certo, apesar do pavor em que estavam todos. Quando a horda foi-se, apareceu o chefe do trem para avisar aos passageiros: Teriam de ficar parados, pois os bandidos haviam arrancados os trilhos. Hercílio saiu pelas redondezas à procura de leite para o nenê [que era a autora deste texto, Theresa], que não parava de berrar. Depois a mudança de alimentação diz que me provocou uma diarréia medonha, que não havia meio de medicar naqueles ermos (coitada da Lydia). Nesse transe ficaram por TRÊS DIAS – até que o trem teve ordem de... REGRESSAR AO PONTO DE PARTIDA.

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Outro trecho do belo texto de Theresa Christina Maria Sauer de Ávila Pires

Parece-me importante distribuir estas cópias [deste texto] porque (um espanto!) já numa mesma geração se pode “perder a pista” de membros da família, como é o caso do mano mais velho, Hercílio Sauer, que se isolou muito agora [morava em Campo Mourão PR], quando procurei saber de sua família, ninguém sabe seus endereços – e até mesmo seus nomes completos.

Assim também vão se perdendo as histórias dos pioneiros nossos ancestrais – uma saga de aventuras, de lutas, alegrias e tristezas, e sobretudo de trabalho pesado, auto proteção e muita astúcia para enfrentar a convivência com onças e bugres (no começo, as casas eram erguidas sobre altas estacas, sendo a escada erguida durante a noite...) E em casa, a fera era nosso patriarca WÖHL, o senhor absoluto. [nesta parte final a autora Thereza Christina se refere ao meu bisavô Gregor Wöhl, pai de  Gregório Woehl, Gustavo, Roberto, Estephania...]




EMILIO HENRIQUE WOEHL, nascido 11.12.1888 – batizado em 24.02.1889 morreu aos 17 anos, em 18.02.1906, vítima de uma tragédia ocorrida em uma festa de casamento, fato noticiado nos jornais da época, como Gazeta de Joinville de 03/03/1906. A festa de casamento foi realizada no sábado à noite do dia 17/02/1906, no salão de festas de José Weiss. Um dos convidados, Oswaldo Binner, foi ao casamento armado com uma pistola de dois canos levada no bolso do paletó. Durante a festa a pistola caiu do bolso do paletó e ao bater no chão disparou. Emilio Henrique estava próximo e as duas balas disparadas o atingiram na barriga. Ele morreu no dia seguinte. O registro do óbito foi feito pelo próprio pai, Gregor Wöhl, declarando que seu filho foi morto em conseqüência de dois tiros na parte ventral. Padrinhos de batizado: Henrique Keil e Theresia Kolonka. 

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Minha bisavó, Mathilde Schwedler (filha de Joseph Schwedler, tecelão), era 1 ano e 2 meses mais velha do que meu bisavô Gregor. Eles não eram casados quando tiveram meu avô Gregório e meu tio André Antonio. Por isso, o nome do pai Gregor Wohl não consta no registro de nascimento (batismo) do avô Gregório e nem do tio André Antonio (a igreja católica sempre foi rigorosa com esta questão do casamento). Casaram somente em 25/11/1872, três meses antes da tia Julia nascer. Lembrando que até o século 19 não existia cartório, era a igreja católica que fazia o registro civil de nascimento, casamento e óbito. No Brasil foi assim até o ano de 1890.

Quando conceberam meu avô Gregório, ele tinha 22 anos e ela 23 anos. Gregor Wohl nasceu em 09/05/1847 e Mathilde Schwedler em 09/07/1846. O primeiro filho que tiveram recebeu o nome do pai, GREGOR, o segundo, o nome do avô, ANDREAS.

Nos registros de batizado constam o nome da parteira e o endereço delas. Informa que são parteiras profissionais, formadas e credenciadas para a atividade (Geprüfte Hebamme). As parteiras foram diferentes para as 3 crianças. Do meu avô Gregório a parteira foi Johanna Soiblaus que residia no próprio vilarejo de Wiesenthal. Já as parteiras de Julia e André são de Maxdorf, um vilarejo adjacente. Foi o mesmo padre que fez os três registros: Ignaz Knobloch

Nas imagens tem os detalhes do mapa de Wiesenthal mostrando o lote n.140 que pertencia ao meu tetravô Franz Wöhl e posteriormente ao meu bisavô Gregor Wöhl, que veio para o Brasil. Observe o nome de Franz riscado e escrito o nome de Gregor em vermelho. O mapa em alta definição está neste link. O lote 140 está no setor K

https://archivnimapy.cuzk.cz/uazk/skici/skici/BOL/BOL541018430/BOL541018430_index.html


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 TRISAVÓS (tataravós): Andreas Wöhl e Theresia Hübner

Meu trisavô Andreas Wohl nasceu em 1812. Profissão: Carpinteiro. Casou com Theresia Hübner em 25/08/1835. Ele com 23 anos e ela com 20 anos, que casou grávida, uma vez que a primeira filha do casal nasceu menos de 3 semanas após o casamento, em 13-09-1835. O casal teve 13 filhos, sendo que 6 morreram ainda bebês.

Foram morar no vilarejo de Hennersdorf, casa n. 19, que fica bem próximo de Wiesenthal, em Gablonz. Este endereço Hennersdorf, n.19 também foi dos Woehl por décadas após esta data de casamento.

No registro de batismo de minha trisavó Theresia Hübner não consta o nome do pai, significa que ela é filha de mãe solteira. Por isso ela recebeu o sobrenome da mãe, Anna Hübner, que era viúva e filha de Joseph Hübner (tecelão) e Katharina Seibt, residentes no vilarejo de Johannesberg, n. 100.

Andreas morreu aos 57 anos em 06/02/1868 de tuberculose. Meu avô Gregório Woehl não chegou a conhecer seu avô, porque nasceu em 15-12-1869.

Filhos de meus trisavós Andreas Wöhl e Theresia Hübner, por ordem de nascimento.
Repare que eles repetiam o nome no bebê seguinte quando o anterior morria. A primeira criança, que morreu logo após o nascimento, tinha o nome da mãe da Theresia.

Maria Ana Wöhl - Nasceu em 13-09-1835 e morreu com 14 dias em 26-09-1835.
Joseph Wöhl - Nasceu em 18-01-1837 e morreu com 3 dias em 21-01-1837.
Joseph Wöhl - Nasceu em 09-06-1838 e morreu com 18 meses em 30-11-1839
Maria Ana Wöhl - Nasceu em 23-05-1840 e morreu com 1 ano em 06-06-1941
Andreas Wöhl - Nasceu em 04-02-1843
Josef Wohl - Nasceu em 24-03-1845 - padrinho de meu avô
GREGOR WÖHL - Nasceu em 09/05/1847 – meu BISAVÔ
Anton Wöhl – Nasceu em 27-06-1849 – morreu com 9 meses em 01/03/1850
Helena Wöhl – Nasceu em 12-06-1851
Franz Wöhl - Nasceu 12-11-1853
Johann Wöhl - Nasceu em 24-06-1855 morreu com 2 meses – 16/08/1855
Anton Wöhl - Nasceu em 23-03-1860


Josef Wöhl, nascido em 1845, era artesão que produzia objetos em vidro (Glasdrücker), artigos de decoração, dando formas a vidros que saem amolecidos de fornos por meio de sopro e manuseio de pinças. Ele foi padrinho de meu avô Gregorio Woehl. Casou com Adelheid Posselt e foi morar na casa dos meus trisavos, Hannersdorf, n.19 (veja nas imagens dos mapas onde ficava esta propriedade). No registro de Joseph o padre usou nosso sobrenome Wöhl na forma Woehl.

Minha prima Maria de Lourdes Reusing lembrou que meu avô Gregório tinha uma foto grande na parede com a família de Andreas e Theresia e que meu tio Antonio Woehl ficou com esta foto. Ela lembrou que o mais velho, Andreas (André), chamava atenção porque era bem loiro e tinha os cabelos enrolados, diferente de todos os Woehl (foi o comentário do avô Gregório). Na foto dava para ver a forma do cabelo do meu tio Andreas. Meus tios Joseph e Adelheid Posselt tiveram uma filha, Hedwig Wöhl, nascida em 17-10-1882.

Andreas é citado carta de Rosl Bär enviada em 02-01-1948 para meu avô Gregório Woehl. Rosl informou que era neta de Andreas, o irmão de Josef e Gregor Wöhl (meu bisavô) e enviou uma foto de Eleonora Wöhl informado no verso da foto que Eleonora era a tia do meu avô Gregório. Na foto estava também Ida Günter nascida Wöhl. No entanto, os registros mostraram que Rosl Bär era bisneta de Andreas Wöhl. Andreas teve um filho chamado Robert Wöhl que casou com Eleonora Hoffmann, que é a pessoa na foto. Ida Wöhl que casou com Emil Günter era filha do casal Robert Wöhl e Eleonora Wöhl (Hoffmann).

Nos registros da igreja católica os padres escreviam Woehl de formas variadas: Vel, Wehl, Wehle, Wöhle, Wöhl e até a forma estrangeira (fora da Alemanha) Woehl (ö = oe). Estas variações criaram problema para meu avô Gregório aqui no Brasil. Então, por meio de um processo judicial na Comarca de Mafra (SC), ele fez opção de usar somente a forma Woehl, declarando que passaria a usar a seguinte nome: Gregório Woehl. Ele já tinha usado Wöhl no nome dos filhos e com esta decisão judicial seriam atualizados para Woehl.


Link do mapa em alta definição da vila de Hennersdorf com lote n. 19 de meu trisavô Andreas Wöhl. Local onde nasceu meu bisavô Gregor Wöhl que emigrou com a família para São Bento do Sul em 1876

https://archivnimapy.cuzk.cz/uazk/skici/skici/BOL/BOL144018430/BOL144018430_index.htm


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 TETRAVÓS:  Franz Wöhl e Maria Anna Feix

O meu tetravô, Franz Wöhl nasceu em 1777
no vilarejo de Tschernhausen, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca), que fica a 50 km do vilarejo de Wiesenthal, distrito de Gablonz de onde veio para o Brasil a família de meu avô, Gregório Woehl. e ocupava o lote n. 4 deste vilarejo. 
 Então ele mudou para o distrito de Gablonz, onde se casou com Maria Anna Feix em 14-07-1800, passando a residir no vilarejo de Wiesenthal, ocupando o lote n. 140, do qual ficou proprietário. Este lote n. 140 foi ocupado pela família Woehl por quase 100 anos. Foi o último endereço da família de meu avô, Gregório Woehl, ao emigrarem para o Brasil, em 1876. Profissão do meu tetravô, Franz Wöhl: diarista (Taglöhner), ou seja, trabalhava por dia. Porém, no registro de óbito de Wiesenthal foram usados o termo Mühlscher ou Mülscher para a profissão dele, que significa produtor de feno usado para alimentação de cavalos. Ele morreu em 31/07/1856, aos 80 anos. Ele sofria de epilepsia, consta em seu registro de óbito, e foi encontrado morto em um buraco ou valeta.

Filhos de meus tetravós Franz Wöhl e Maria Anna Feix

Johann Franz Wöhl – Nasceu em 08-07-1801 em Hennersdorf, n. 12
Anton Wöhl – Nasceu em 30-09-1802 em Hennersdorf, n. 12
Joseph Wöhl – Nasceu em 12-09-1804 em Hennersdorf, n. 12
Augustin Wöhl – Nasceu em 05-03-1808 em Hennersdorf, n. 12
ANDREAS WÖHL – meu trisavô - Nasceu em 29-12-1811 em Wiesenthal, n. 140
Josef Wöhl – Nasceu em 01-08-1814 em Wiesenthal, n. 140
Maria Anna Wöhl – Nasceu em 25-08-1817 em Wiesenthal, n. 140
Karolina Wöhl – Nasceu em 01-06-1819 em Wiesenthal, n. 140
 

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PENTAVÓS: Joannes Christophorus Wöhl e Maria Apolonia König

Os Wöhl se misturam com os Köning em 1770.

Meu pentavô Joannes Christophorus Wöhl nasceu no vilarejo de Tschernhausen, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca). Christophorus era lavrador, praticava agricultura de subsistência. Nos registros da igreja católica foi usado o termo “rusticus” para a profissão dele. Rusticus que significa lavrador (pequeno agricultor). Ele era viúvo quando casou com Maria Apolonia Köning em 17-07-1770 no vilarejo de Mildenau, no mesmo distrito de Reichenberg. Maria Apolonia
nasceu em 05-12-1747 e, portanto, tinha 22 anos quando casou. Era filha de agricultores. 

Meu pentavô casou com sua primeira mulher, Anna Rosina Bergmann, em 23-11-1761. Ela morreu em 23-11-1769. Ele casou com Maria Apolonia König 8 meses depois e teve 16 filhos nos dois casamentos.

Filhos dos meus pentavós Joannes Christophorus Wöhl e Maria Apolonia König, por ordem de nascimento.

Joannes Christoph Josephy Wöhl - Nasceu em 28-03-1771
Joannes Chrisphorus Wöhl - Nasceu em 26-03-1772
Ana Maria Johoanna Wöhl – Nasceu em 26-05-1775
FRANZ WÖHL – meu tetravô – Nasceu em 07-01-1777
Joes Christopher Wöhl – Nasceu em 31-03-1778
Joes Antonius Wöhl - Nasceu em 23-03-1780
Joannes Godefridus Wöhl – Nasceu em 17-07-1781
Johan Godefride Wöhl – Nasceu em 21-01-1782
Ana Maria Helena Wöhl - Nasceu 23-04-1784

Filhos do meu pentavô Joannes Christophorus Wöhl com sua primeira mulher Anna Rosina Bergmann. Casaram em 23-11-1761. Anna Rosina morreu em 23-11-1769.

Joes Josephus Cajetanus Wohl – Nasceu em 19-03-1763
Joes Christophorus Antonius Wohl – Nasceu em 20-09-1764
Anna Maria Juliana Wohl – Nasceu em 10-11-1765
Franciscus Vincentius Martians Wohl – Nasceu em 09-11-1766
Maria Eva Theresia Wohl – Nasceu em 22-01-1768
Anna Rosina Ludmila Wohl – Nasceu em 16-02-1769 – Morreu 3 semanas depois em 09-03-1769

Observação: Era tradição na Boêmia, no século 18, usar Johann (João) na frente do nome. Johann é em alemão. Hans é uma variante de Johann. Nos registros de batismo os padres escreviam João em latim, de diferentes formas: Joes, Joannes, Joanis, Johan etc. Quando adultas, as pessoas substituíam todos estes nomes por Johann ou Hans.

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HEXAVÓS (6º. Avós):  Joannes Christophorus Wohl e Anna Catharina Posselt

Meu Hexavô tem exatamente mesmo nome do pentavô, Joannes Christophorus Wöhl e nasceu em 1705. Era agricultor. Minha hexavó  Anna Catharina Posselt nasceu em 1709. Ambos eram do vilarejo de Tschernhausen, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca). Os Wöhl se misturam com Posselt em 1733.

Filhos de  meus hexavos Joannes Christophorus Wohl e Anna Catharina Posselt. Casaram em 02-02-1733. Ele com 28 anos ela com 24 anos

Antonius Wöhl – Nasceu em 30-10-1734
Anna Maria Wöhl – Nasceu em 22-11-1736
JOANNES CHRISTOPHORUS WÖHL – meu pentavô - Nasceu em 09-02-1739
Antonius Wöhl – Nasceu em 29-07-1741
Maria Apolonia Wöhl – Nasceu em 03-08-1743
Catharina Wöhl - Nascida morta em 16-01-1746 (mas foi batizada)

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HEPTAVÔ ou SÉTIMO AVÔ: George Wöhl e Maria Peukert

Meu sétimo avô George Wöhl nasceu por volta de 1677no vilarejo de Tschernhausen, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca). Ele era agricultor. Em alemão o nome dele é Georg Wöhl . Em latim,
Georgius Wöhl. Maria Peukert era do vilarejo de Ringenhain, distrito de Reichenberg, Boêmia. Eles casaram no vilarejo de Ringenhain em 19-10-1700.

Filhos de George Wöhl e Maria Peukert

Johan Georg Wöhl – Nasceu em 25-06-1701
Anna Maria Wöhl – Nasceu em 13-07-1702
JOHANN CHRISTOPH WÖHL – meu hexavô – Nasceu em 07-01-1704
Ana Veronica Wöhl – Nasceu em 12-07-1707
Hans Michael Wöhl -  Nasceu em 30-11-1708
Hans George Wöhl – Nasceu em 02-03-1710
Maria Magdalena Wöhl – Nasceu em 22-07-1711 


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OITAVOS AVÓS: Hans Wöhl e Maria Preibisch

Hans Wöhl e Maria Preibisch casaram em 14-11-1668 no vilarejo de Mildenau, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca). Fica perto do vilarejo de Tschernhausen, Maria é filha de Michel Preibisch, meu 9º. avô, e nasceu em Mildenau. Hans Wöhl nasceu por volta de 1640 em Tschernhausen, vilarejo que fica próximo de Mildenau.

Filhos do casal Hans Wöhl x Maria Preibisch, todos nascidos no vilarejo de Tschernhausen, distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca).

Christoph Wohl - Nasceu em 29-11-1669
Rosina Wohl - Nasceu em 19-07-1671
Maria Wohl - Nasceu em 28-12-1672
Johannes Wohl – Nasceu em 29-12-1674
GEORGE WOHL – meu sétimo avô – Nasceu em 1676

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Na Boêmia, os Woehl se misturaram com Preibisch, Peukert, Posselt, König, Feix, Hübner e Schwedler.

Os woehl viveram durante 300 anos em dois lugares na Boêmia:
Vilarejo Tschernhausen, lote n. 4, no distrito de Reichenberg até o ano de 1800 e vilarejos de Wiesenthal, lote/casa n. 140 e Hennersdorf, n. 12 e n. 19, no distrito de Gablonz. Os distritos de Gablonz e Reichenberg ficam a 50 km de distância. Ou seja, os woehl não se deslocaram muito na Boêmia.


Veja o mapa do vilarejo de Tschernhausen feito na época com a identificação do lote n.4 de propriedade e residência dos Wöhl (Tschernhausen, n. 4) no distrito de Reichenberg, Boêmia (atual República Tcheca). Neste local nasceu meu tetravô Franz Wohl em 1777. Observe outra familia Wöhl residente no lote numero 16 deste vilarejo. Agora nós sabemos o local exato de onde viveram os Woehl nos anos de 1700, antes de irem para as fabricas de cristais em Gablonz (onde surgiram as taças de cristal), que fica a 50 km de Tschernhausen. As imagens seguintes são do mapa do vilarejo de Hennersdorf onde está identificado o lote n. 19 com o nome de meu trisavô Andreas Wöhl. Ali nasceu meu bisavô Gregor Woehl que veio com a família para São Bento do Sul em 1876.

Link do mapa em alta definição da vila de Tschernhausen, onde pode ser visto o lote n.4, onde viveram meus pentavós e nasceu meu tetravô Franz Wohl em 1777.

https://archivnimapy.cuzk.cz/uazk/skici/skici/BOL/BOL513018430/BOL513018430_index.html


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Agradeço às seguintes pessoas pelas importantes informações:

Maria de Lourdes Reusing, 80 anos (nasceu em 07/10/1938), minha prima, neta de Gregório Woehl e Catharina Sauer, filha de Narcisa (Sisa) Woehl Kosteski

Brigitte Brandenburg, de Joinville, por ter encontrado os mapas das vilas da Boêmia e pelas transcrições e traduções dos registros.

Amalia Woehl Paes Grein, 94 anos, neta de Andre Antônio Woehl  e Maria Sauer.

Henrique Fendrich, jornalista, autor do Site São Bento no Passado.




CATHARINA SAUER WOEHL com netos e netas na comemoração de seu aniversário de 81 anos, dia 24/06/1956. Ela nasceu em 27/06/1875 e morreu aos 88 anos, em 01/06/1964, faltando 24 dias para completar 89 anos. Local: Avencal – Mafra SC. Bebê no colo: EDSON WEINERT, nascido em 02/05/1956, tinha quase 2 meses. Criança do lado esquerdo, em frente da moça de vestido xadrez: TONICO (ANTONIO) KRÜGER. Menino do lado esquerdo com uma blusa com detalhe preto no zíper: AMILCAR WOEHL. Criança do lado direito olhando para o bebê: GELCYR WOEHL. Criança atrás de Gelcyr, que aparece só a metade da cabeça; ORESTES WOEHL; Criança de gorro preto na frente: GILMAR WOEHL. Criança atrás de Gilmar Woehl: ELOI WAGNER. Criança de suspensório atrás da avó: ZEZINHO WOEHL (filho tio Hipolito Woehl). MARIA DE LOURDES REUSING (filha da tia Narcisa Woehl Kosteski) está atrás do Zezinho. ADELINA BAUER WAGNER está de vestido preto, atrás da avó Catharina, entre o menino Amilcar e Maria de Lourdes. OLINDA BAUER (NEGA) está atrás do menino Amilcar. JAIRO A. WOEHL é o rapaz atrás da avó Catharina, a pessoa mais alta da foto. Ao lado direito de Zezinho está ZÉLIA WOEHL (filha tio Antonio) de vestido escuro com estampas brancas. O menino de costas no lado esquerdo é HELIO WAGNER. Ele estava posicionado para a foto com as outras crianças e de repente saiu correndo. As moças de vestido xadrez são as gêmeas do tio Antonio Woehl, MARILDA (com blusa) e MARLENE WOEHL. ERNESTO HEYSE está entre Marilda e Marlene (só aparece a cabeça dele). As 3 moças à direita são filhas da tia Herminia Woehl Ferreira, que morreu em 2014 aos 102 anos. São elas: ZAIRA, bem à direita, de vestido com estampas brancas grandes; LUCI atrás de Zaira, a que aparece só a cabeça; DALILA é moça de vestido preto (a cor do vestido era vermelha) entre elas, bem na frente. O caminhão que aparece é de Germano Woehl. O primeiro veículo dele foi uma camionete para sua atividade de apicultura.veículo dele foi uma camionete para sua atividade de apicultura.




CATHARINA SAUER WOEHL com seus filhos, noras e netos na comemoração de seu aniversário de 81 anos, dia 24/06/1956. Atrás da criança no colo de toca branca está Josepha Kalabaide Woehl com o filho Gilmar Woehl no colo. Germano Woehl é a pessoa mais alta, que está atrás, entre Dalila e a moça de vestido preto.
Foto tirada em 24/06/1956-Aniversário da Avó Catharina Sauer dos 81 anos (nasceu em 27/06/1875), que está sentada. Da esquerda para direita os filhos: Antonio Woehl, Hipólito Woehl (colete preto), Elfrida Woehl Heyse; Narcisa (Sisa) Woehl Kosteski; ATRAS: Herminia Woehl Ferreira; Germano Woehl
Foto tirada em 1902. Montados no cavalo: Meu avô Gregório Woehl com meu pai Germano Woehl no colo. Ao lado do cavalo é minha avó Catharina Sauer com Elfrida Woehl (tia Frida) no colo. A menina ao lado dela é Francisca Woehl (tia Chiquinha), que casaram com Paulo Heyse e João Heyse. A mulher e a criança à direita eram vizinhos, ou seja não eram da familia.
Á direita é a primeira casa dos meus avós, Gregório Woehl & Catharina Sauer. Localidade do Avencal, em Mafra -SC.

Passaporte da família de Gregor Wöhl emitido em Gablonz, Boêmia

Verso do passaporte da família de Gregor Wöhl emitido em Gablonz, Boêmia, onde está a relação dos acompanhantes: Mathilde Schwedler (esposa), Gregorio Woehl (filho, com 7 anos),
Andre Antonio Woehl (filho, com 5 anos) e Julia Woehl (filha, com 3 anos).

Capa do certificado de batismo de meu avô, Gregório Woehl. Tradução: Que a paz do Senhor esteja convosco.
Certificado de batismo do meu avô Gregor Wöhl (Gregório Woehl), filho do casal Gregor Wöhl & Mathilde Schwedler que vieram do vilarejo de Grünwald, distritro de Gablonz, Boêmia (Atual República Tcheca) Chegaram em São Francisco do Sul em 20/07/1876. Gregório Woehl tinha 7 anos quando chegou ao Brasil.
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Os padrinhos do meu avô que ficaram na Boêmia: Josef Wöhl e Adelheid Posselt Wöhl

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“Acima de tudo ame as pessoas, assim como você foi amado por elas quando você entrou para a vida.
Com amor o Salvador se entregou
Seja como ele, e aja como ele agiu (ou praticou)”.
Esta lembrança (Diese Erinnerung,
É dada ao querido afilhado
Pela sua fiel madrinha,


Será designada sua madrinha em 16 de dezembro de 1869. (Wird dein Pategenannt am 16 dezember 1869)
Tradução de Brigitte Brandenburg, de Joinville (SC) e do Jornalista Henrique Fendrich, de São Bento do Sul (SC).

Batizado de  Gregor Wöhl (Gregório Woehl) Tradução: Wiesenthal,16 Dezember 1869 
Gelobet sei Jesus Christus (Louvado seja Jesus Cristo)
KLEMMENZ NOVOTNIN (nome do Padre)
Wird dein Pate genannt (será designado seu padrinho)
Local do Batizado: Wiesenthal, atual Lučany nad Nisou (República Tcheca), que fica a 5 km de Grünwald, vilarejo onde residiam no distrito de Gablonz, Boêmia
Data do batizado (16/12/1869) - Observação: no Passaporte foi colocado errado o ano de nascimento,1868.
Tradução de Brigitte Brandenburg, de Joinville (SC) e do Jornalista Henrique Fendrich, de São Bento do Sul (SC).



Xícara que Gregorio Woehl ganhou quando era criança. Foi presente de sua madrinha de batizado Adelheid Posselt Wöhl (esposa de Joseph Wöhl, irmão de Gregor Wöhl). Ele trouxe esta xícara na bagagem e a vida inteira tinha muito cuidado, não deixava ninguém tocar.
Cartão enviado por Antonio Beckert, açougueiro de São Bento do Sul, para meu avô Gregório Woehl. Meu avô comprava gado na região do Avencal e entregava para Antonio Beckert que tinha uma fábrica de salsichas e linguiças, embutidos em geral. Ele criava um pouco de gado também. Meu avô entregou gado para Antonio Beckert durante 16 anos. Ganhou muito dinheiro com esta atividade. Tornaram-se grandes amigos. Então, meu avô pediu para Antonio Beckert ensinar o ofício para seu filho mais velho, Germano Woehl, meu pai, adolescente na época. Meu avô queria que seu filho Germano tivesse uma profissão e via esta atividade de Antonio Beckert como sendo muito lucrativa. Meu pai, Germano, foi para São Bento aprender a técnica de fabricação de salsichas, mas a contragosto. Ficou várias semanas aprendendo com Antônio Beckert. Aprendeu direitinho, mas não quis trabalhar neste ramo. Contudo, sempre que meu avô matava um boi ou porco, era meu pai que entrava em ação para fabricar os mais variados tipos de salsichas e linguiças. Seguia a risca as receitas, os temperos e demais ingredientes. Tudo era pesado meticulosamente para preparar a massa. Tradução do Cartão: São Bento, 10 de Setembro de 1918 Prezado Amigo Gregório, Trazer gado até no máximo nos dias 24 ou 25 deste mês, se possível Saudações de seu amigo Antônio. Agradeço à Brigitte Brandenburg pela tradução - Vieh zu bringen = trazer gado
Mit Grüss (escrito Gruhs) d. F. Antônio (dein Freund Antonio) = Com Saudações de seu amigo Antônio.

Açougue de Antonio Beckert, de São Bento do Sul, para quem meu avô Gregório Woehl entregava gado que comprava na região do Avencal, Mafra (SC). Antonio Beckert que tinha uma fábrica de salsichas e linguiças, embutidos em geral. Meu avô entregou gado para Antonio Beckert durante 16 anos. Ganhou muito dinheiro com esta atividade. Ele criava um pouco de gado também. A imagem acima mostra o que está escrito atras da foto, datada de 10/09/1918. Este prédio foi o primeiro de São Bento e ainda existe. É o prédio onde funciona o Banco Itau. Quando o Banco Itau aquiriu este prédio e foi fazer a restauração, apareceu o letreiro do Açougue Antonio Beckert. Então, o Patromônio Histório de S.Bento pediu para manter este letreiro, mas o pedido foi ignorado.

Residencia dos meus avós Gregório Woehl & Catharina Sauer no Avencal, Mafra-SC. O touro da raça Gir tinha acabado se ser comprado pelo meu avô. Esse foi o motivo da foto
 



Bandoneon de Gregorio Woehl. Ele tocou muitos bailes com este bandoneon que aprendeu a tocar quando era jovem, na escola de música de São Bento do Sul (SC).

Residência dos meus avós Gregório Woehl e Catharina Sauer no Avencal, Mafra-SC. As pessoas são: minha tia Sisa (Narcisa) Woehl e sua filha, minha prima, Maria de Lourdes Reusing
Declaração de Germano Woehl sobre sua atividade de APICULTURA, desde 1925

Roberto Woehl e Isabel Sauer Woehl. As crianças são da esquerda para a direita: Rosa que foi casada com José Preisler, Ida que foi casada com Adolfo Anastácio Pereira, Helena casada com Alfredo Ferreira. O menino é Alvino. Pela idade das crianças, esta foto foi tarada por volta de 1920. Agradeço ao Martim Cesar Woehl, neto de Roberto Woehl & Isabel Sauer Woehl, por ter me enviado esta foto com a identificação das pessoas.
Esta frigideira de ferro foi feita de forma artesanal pelo Roberto Woehl, irmão do meu avô, que chegou ao Brasil na barriga de minha bisavó Mathilde Schwedler (ela chegou grávida de 5 meses do Roberto). Ele tinha uma forjaria no Avencal e fabricava artefatos e peças de ferro (era ferreiro). Aprendeu o ofício com um ferreiro do bairro Lençol de São Bento do Sul. Ele fez esta frigideira há 109 para dar de presente de casamento para Leopoldina Sauer, prima de sua esposa Isabel Sauer, irmã de minha avó, Catharina Sauer. Quem herdou esta frigideira foi a família Grein de Mafra, que são parentes dos Grein do Rio Vermelho/Leonel, Itaiópolis, e também meus parentes. Eles ainda usam esta frigideira na cozinha. Agradecemos à Ivanete Grein por ter gentilmente cedido esta foto.
Rótulos das embalagens de mel produzido por Germano Woehl no Avencal, Mafra (SC) a partir de 1925

Carta de Joel Woehl aos 11 anos, escrita em 24/08/1937 e enviada para seu pai Germano Woehl quando estudava no Colégio Santa Antonio, em Blumenau (SC)

Carta de Joel Woehl aos 11 anos, escrita em 07/09/1937 e enviada para seu pai Germano Woehl quando estudava no Colégio Santa Antonio, em Blumenau (SC)
Carta de um apicultor e cliente do Rio de Janeiro para Germano Woehl escrita em 15/01/1938. Ele dá sugestões sobre embalagens para mel e propõe um negócio de vender caixas de abelhas para o Rio de Janeiro e outros estados mediante uma comissão de 10%   -  Pagina 1
Carta de um apicultor e cliente do Rio de Janeiro para Germano Woehl escrita em 15/01/1938. Ele dá sugestões sobre embalagens para mel e propõe um negócio de vender caixas de abelhas para o Rio de Janeiro e outros estados mediante uma comissão de 10%   -  Pagina 2
Carta de um apicultor e cliente do Rio de Janeiro para Germano Woehl escrita em 15/01/1938. Ele dá sugestões sobre embalagens para mel e propõe um negócio de vender caixas de abelhas para o Rio de Janeiro e outros estados mediante uma comissão de 10%   -  Pagina3
Comercio de Antonio Schadeck Sobrinho de São Bento em 21/05/1938 com pedido de compra de mel de Germano Woehl. Antonio Schadeck comercializava também itens das atuais agropecuárias. Repare que tinha telefone em São Bento nesta época (1938). O telefone do Antonio Schadeck era numero 5
Correspondência de 15/05/1937 do comércio de Paulo Kaesemodel em Corupá (SC), que naquela época se chamava Hansa-Humboldt, encomendando mel para Germano Woehl. Ele menciona na carta o primo de Germano Woehl, Wilhelm Heller, filho de Julia Woehl Heller e Rudolf Heller. Julia é a irmãzinha de Gregório Woehl que também nasceu na Boêmia (atual República Tcheca) e chegou ao Brasil com 3 anos de idade.
Correspondência de Frederico Ansbach (sucessor de Alberto Ansbach) de Ponta Grossa (PR) em 12/12/1942 sobre encomenda de mel para Germano Woehl. Ele reclamou do preço.
Correspondência da Sociedade Comercial de Alimentação Lda do Rio de Janeiro (RJ) para Germano Woehl em 19/12/1940. É sobre a oferta de farinha de centeio do moinho de Germano Woehl no Avencal. Ele reclamou que o preço estava alto e estava importando centeio em grão da Argentina. Mas o moinho da qual a empresa é sócia tem interesse em comprar futuramente de Germano Woehl centeio em grão.

Correspondência da Southern Brazil Lumber & Col. Co. de Tres Barras (SC) em 07/08/1938 para Germano Woehl com pedido de compra de mel.

Correspondência de Carlos Hoepcke S.A. de Joinville (SC) para Germano Woehl em 30/09/1938. É sobre a compra de farinha de centeio e mel. Esta correspondência revela que Germano Woehl mantinha as duas atividades, o moinho e a apicultura
Correspondência de H. Douat & Cia. de Joinville (SC) para Germano Woehl em19/11/1938
Correspondência de G. Ritzmann de Mafra (SC) para Germano Woehl em 14/11/1938



Generosidade de meu avô Gregorio Woehl 

Meu avô Gregório Woehl era uma pessoa muito generosa. Enviou um caixote de mantimentos após receber a carta abaixo de uma prima, Rosl Bät.

Rosl Bät, parente que ficou na Europa conta história de horror após termino da Segunda Gerra Mundial e pede ajuda para Gregório Woehl. Ela conta que todas as pessoas de etnia alemã (incluindo a família Wöhl) foram expulsas da Boêmia (atual República Tcheca), antiga Tchecoslováquia.




 TRADUÇÃO DA CARTA (Agradeço à Brigitte Brandenburg pela tradução)

Oybin (Alemanha Oriental), 02/01/1948

Queridos parentes,
Ao iniciar esta carta, quero esclarecer quem eu sou. Eu sou a neta de Andreas Wöhl, pai de Josef e Gregor Wöhl. Minha mãe Ida Günter nasc. Wöhl forneceu-me seu endereço. Ela tinha seu endereço em uma carta escrita em 1923. Por isso, gostaria de receber um retorno, se vocês receberam a minha carta. Os alemães da Tchecoslováquia foram, a grande maioria, expulsos. Meus pais e minha irmã mais nova ainda se encontram lá e trabalham; a outra irmã também é casada e tem 2 filhos na idade de 4 e 9 anos e também foi expulsa e reside no Harz. Eu sou a filha mais velha, casei em 1939 na Alemanha, tenho uma menina de 7 anos e meu marido trabalhava em uma serraria. Sobre a grande indigência que se abateu sobre nós certamente vocês já tomaram conhecimento. Por isso me dirijo a vocês com um grande pedido, de que nos enviem algo. Há tantos alemães que receberam pacotes da America. Por isso, assim, eu resolvi também escrever a vocês. Eu ficaria muito agradecida por qualquer pequena doação. Minha avó, pelo lado de vocês, eu penso, de Josef Wöhl, infelizmente faleceu de ataque cardíaco na Páscoa de 1943, em Harrachsdorf, em Riesengebirge, junto de sua filha Lori. Talvez tenha sido melhor assim, que ela não tenha vivido a miséria. Os endereços são, infelizmente, muito incompletos, quem sabe se a carta chegará, mas quando se está em dificuldades procura-se por tudo. Caso seja possível a vocês me enviarem algo eu ficaria muito agradecida. De Rosl Bär, 10 Kurort Oybin, bei Littau in As. Thomasweg, 32. Zona Russa." (Alemanha Oriental)





Resposta da nossa prima Rosl Bär após receber a caixa com alimentos do meu avô, Gregório Woehl.

Ela agradece  a caixa de donativos que meu avô Gregório Woehl enviou (veja abaixo os itens).  Teve azar de se refugiar na Alemanha Oriental (na parte que ficou com a União Soviética). Coitada, quando ela escreveu esta carta não fazia ideia do que aconteceria na Alemanha Oriental nas mãos da União Soviética. Sua irmã, nossa outra prima, teve mais sorte. Foi para França porque o marido era prisioneiro de guerra lá e foi libertado com a opção de poder ficar vivendo na França. Portanto, temos parentes franceses.

Conta que os Woehl que puderam ficar na Tchecoslováquia, porque tinham profissão (qualificação), estavam em situação bem melhor do que a deles na Alemanha Oriental, mas que estes woehl que ficaram lá já não falavam mais alemão, porque tudo era em Tcheco. Relatou o racionamento de comida e da atividade de garimpar as batatas nas áreas de cultivo que ficam após ser feita a colheita. Mencionou até a gente (netos de Gregório Woehl) que provavelmente não conheciam neve. Ela explica também que a parte da Alemanha onde ficou refugiada é controlada pela União Soviética, ou seja, é antiga Alemanha Oriental.


Tradução de Brigitte Brandenburg

Kurort Oybin (Alemanha Oriental), 24 de Setembro de 1948

Querido primo Gregor!
(Grosscousin= primo em segundo grau)

 Acabamos de receber, através Missão Caritas Holandesa, o seu precioso pacote de donativos contendo dentre outras coisas 10 kg da mais pura farinha de trigo canadense, pelo qual muito, muito lhe agradecemos. Uma libra (cerca de 450 gramas) desta farinha de trigo custa no mercado negro 20 Marcos, e isto é inacessível para nós. Então, agora, nós temos a alegria de uma pequena estrela para celebrar o natal fazendo um cuque,  porque no Natal tudo se renova.

 Nesta noite tivemos a primeira nevasca. Quem ainda não havia colhido seu tabaco ou tomate no tempo certo, teve que proteger a plantação para não perder tudo. Cada um planta seu tabaco e a fumaça que exala às vezes cheira a pano-de-chão queimado. Ele é bem claro, pois não há qualquer tabaco oriental ou estrangeiro  e, além disso, ninguém entende do processo de secagem, mas nada disso é adquirido.

Nós lhe enviamos um postal com uma paisagem do inverno. Seus netos provavelmente não conheçam neve, talvez nem seus filhos a tenham conhecido. Um instalador de máquinas de uma indústria têxtil em Zittau, que esteve antes da guerra no Brasil para fazer uma instalação, também tinha uma foto com uma paisagem do inverno. Ele a mostrou a foto aos brasileiros, que exclamaram: "Oh,  Nossa!  Quanto algodão!

Nós respondemos à sua primeira carta. Espero que a tenha recebido. Neste ano tivemos uma ótima colheita, mas recebemos apenas 50 gramas de pão e 100 gramas de batatas por pessoa, por dia, um pouco de banha, manteiga, carne, açúcar e alimento processado, coisas do antigo racionamento até os dias atuais.

Minha irmã está agora, com seus dois filhos, na França. O marido estava em um campo de prisioneiros francês, sendo que após sua libertação solicitou maior tempo de permanência. Lá tudo está disponível, mas muito caro. Meus pais e uma irmã ainda permanecem lá na Tchecoslováquia como trabalhadores especializados. Eles vivem muito melhor do que nós, mas não devem mais falar alemão. Cinema, jornal, etc, tudo em tcheco.

Berlin está ocupada por quatro nações:  americanos, franceses, russos e ingleses. Então temos dois câmbios com duas administrações. Ali, vocês não podem ter ideia do que é esta confusão. Pois Berlin e no entorno está na nossa zona, ou seja, a russa. As divisas não estão totalmente bloqueadas, mas sim as importações por trem e por rodovias. Assim ocorre que cada transporte para fora ou para dentro destes setores de Berlin são feitos através do ar. Agora, vocês podem imaginar quantos aviões são necessários? Eu acabei de ler, em um jornal de Berlin, que em um dia foram providenciados 972 vôos com este objetivo. Não é pura loucura, quando se pensa, que nós, por outro lado, ficamos tão pobres, que para nós as coisas são divididas apenas a conta gotas; a comida como também todas as outras necessidades. Faz dois anos e meio do final da guerra, e não há qualquer acordo de paz e também não sabemos claramente qual é a nossa situação.

 Agora se inicia o rescaldo da colheita de batatas, ou seja, quando um campo acaba de ser colhido, as pessoas procuram com enxadas os restos de batatas que eventualmente o agricultor deixou de colher. Às vezes há centenas de pessoas, mulheres e crianças, sobre as áreas de cultivo. Meu marido e eu também pretendemos sair por dois dias (com este propósito), pois o inverno é longo. Espero que tenhamos sorte. Você mora em uma vila ou os estabelecimentos são distantes um do outro? Já lemos muitas coisas sobre o Brasil, mas certamente é difícil formar uma ideia da realidade. Eu penso apenas que, devido à guerra, a industrialização deve ter tido um impulso crescente, já que a Alemanha deixou de ocupar espaço no mercado mundial. Eu concluirei agora e desejo a você e sua família tudo de bom. Novamente, muito, muito agradecida por sua doação. Assim, estamos em condições de fazer um cuque  no Natal. Muitas lembranças (saudações), Rosl, Erich e Vesl (?)


 


Veja abaixo os itens de comida que meu avô Gregório Woehl mandou. Tem até cação e gordura de côco, O Brasil já produzia gordura de côco em 1948. Mandou até favos de mel. A inscrição “Wabe enthält” “Contem FAVO DE MEL”. [Wabe=favo de mel; enthält = contém]

É a letra do meu avô os itens relacionados. Compare o W da assinatura dele no titulo de eleitor com o W dos itens. Ele tinha uma letra bonita, significa que aproveitou bem as aulas com crianças da dona do hotel de São Bento, que generosamente deixou ele assistir as aulas com o professor particular contratado para suas crianças

O palavra “açúcar” que ele escreveu com dois S (ss), não estava errado na época. Tinha acabado de mudar a regra para o uso do ç em vez de SS.
O mais surpreendente é que os donativos que meu avô Gregório Woehl chegaram ao destino. Hoje, esta cidade Kurort Oybin (Alemanha Oriental) é um lugar turístico que fica na divisa da Alemanha com a República Tcheca, a 45 km de Gablonz.











Hypolito Woehl quando tinha 4 anos, em 1922

Christina Hack casada com Theodoro Sauer, mãe de Catharina Sauer Woehl casada com Gregório Woehl. Madalena Sauer casada com José Pixius Sobrinho (Juca Pixius) é irmã de Catharina Sauer. As demais pessoas na foto são filhos co casal José Pixius Sobrinho e Madalena Sauer: Franscisca Pixius, Luis Pixius, Rosinha Pixius, Leopoldo Pixius, Getúlio Pixius, Antônio Pixius e o bebê no colo de Madalena, Walfrido Pixius

Casamento de Suzana Sauer e Carlos Stephen em 16/01/1909.  Estephania Woehl Sauer está presente com o marido Theodoro Sauer. Gregório Woehl e sua filha Francisca Woehl Heyse (tia Chiquinha) também estão na foto.
Catharina Sauer Woehl
Apiário bem organizado de Germano Woehl no Avencal. O homem à esquerda com um favo na mão é GERMANO WOEHL. As duas meninas na entrada são Emir e Licyr. O homem à direita, andando, é Manoel Martins, empregado de Germano Woehl durante muitos anos. As mulheres à direita é nossa avó, Catarina Sauer e Emma Sauer. O homem nos fundos não foi identificado. Germano Woehl tinha três empregados para lidar com apicultura: Manuel Martins, Emílio Martins (irmão de Manuel) e Francisco Sauer.

Germano Woehl brincando com as abelhas no Avencal. A construção aos fundos é dele. Era um depósito de material de apicultura. Quando ele se mudou para Itaiopolis virou moradia de Francisco Sauer.

Maria Dolores Heyse (Bennemann)


Estephania Woehl Sauer

Filhos de Estephania Woehl Sauer e Theodoro Sauer: O menino da esquerda é Hercilio Sauer, o mais velho, nascido em 26-06-1909. A menina é Lydia Sauer (Bastos), nascida em 18/12/1910 e o bebê na cadeira é Elvira Sauer, nascida em 23-01-1914

Lydia Sauer (Bastos), foto enviada para a prima Narcisa Woehl com dedicatória no verso

Dedicatória de Lydia Sauer (Bastos) para a prima Narcisa Woehl

Maria de Lourdes Reusing
Foto tirada na Moema, em Itaiópolis (SC). A mulher à esquerda é minha tia Elfrida (Woehl) Heyse, tia Frida casada com Paulo Heyse. Quem está com a gaita é meu primo JOVINO HEYSE. Com o cavaquinho é Otto Erico Heyse e com o violão, sentada, é EDITH HEYSE BESSA. Com o bandolim é Wanda Eugênia Heyse. Todos meus primos, filhos de João Heyse e Francisca (Woehl) Heyse (tia Chiquinha), irmã da minha tia Elfrida Woehl Heyse.
O menino em pé com o violino é Martin Engel, apelido Tchinco, filho do professor de música, Sr. Emilio Engel. As duas mulheres à direita são Ana Szweizerska (variações: Szweizerski, Szwajcarski, Schaizerski)  e sua irmã Maria (Marika) Szweizerska, primas de João Heyse.
Foto do acervo de minha prima Maria de Lourdes Reusing
Agradeço à Edith Heyse Bessa pela identificação das pessoas na foto.
Jovino Heyse - Otto Heyse e Edite Heyse
Rosl Bät, filha de Ida Günter (Wöhl) em Wiesenthal, Gablonz, Bohemia



 
Eleonora Wöhl (Hoffamnn) casada com Robert Wöhl (filho de Andreas Wöhl, irmão de Gregor ¨Wöhl) e sua filha Ida Günter (Wöhl), que está sentada
Walfrido Wohel (Ido Woehl), filho de Roberto Woehl e Isabel Sauer
Narcisa Woehl Kosteski (Tia Sisa)- Alexandre Kosteski com a filha do casal no colo, Maria de Lourdes Reusing, Zaira (menininha sentada no banco, Herminia (Woehl) Ferreira e  Dalila no colo.

Adele Heller (filha de Julia Woehl Heller e Rudolf Heller), uma das 3 videntes de Jesus e Maria da gruta de Corupá (SC),no Ribeirão Correias, em seu casamento com Eugênio Schneider em 26/02/1927. Adele tinha 20 anos e Eugenio, 22 anos. Eugenio nasceu em Itaiópolis (SC).

Família de Adele Heller e Eugenio Schneider. Pessoas na foto da esquerda para a direita:  Anacleto, Edithe, Walfrido, Maria de Lourdes, Bráulio, Eurides, sentados: Júlia,  ADELE HELLER, Wilson e EUGÊNIO SCHNEIDER. Foto cedida por Maria de Lourdes Schneider
Casamento de Elvira Endler (filha de Amalia Woehl Endler x Reinhold Endler) com o alfaiate Evilasio Borges de Aquino em 29/11/1930. Ela com 21 anos e ele, viúvo, com 32 anos.
Jacinto Packer e Emma Packer (filha de Julia Woehl Heller e Rudolf Heller)
Filhos de Elvira (Endler) de Aquino (da esquerda para direita): Anete Mirta de Aquino (nascida em 1939), Mario Gervásio de Aquino (nascido em 1935), Amália Lia de Aquino (nascida em 1931) e Nelson Osni de Aquino (nascido em 1933)