terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Macacos atacam reflorestamentos de Pinus na Mata Atlântica

Reflorestamento de Pinus que avançou sobre áreas preservadas de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), e foi atacada pelos macacos-prego Cebus apella. Clique sobre a imagem para ampliar e repare na grande quantidade de Pinus que secou. Foto tirada em 20/12/2013. 
Para azar dos investidores em reflorestamentos de Pinus, sobretudo aqueles que desrespeitaram as leis e destruíram área de Mata Atlântica, os macacos-prego (Cebus apella)  adquiriram o hábito de se alimentarem da casca na ponta dos Pinus onde fica a parte mais tenra. Ao fazerem isso secam os Pinus e, assim, tornaram-se mais uma "praga florestal" a ser combatida.

Repare na imagem acima o reflorestamento de Pinus incrustado em uma área preservada de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), a menos de 1 km da RPPN Corredeiras do Rio Itajaí. Parte do reflorestamento está em uma área de alta declividade, que é Área de Preservação Permanente (APP), protegida pelo Código Florestal. Clique sobre a imagem para ampliá-la e observar a grande quantidade de Pinus que secou.

Vista ampliada da imagem acima, do reflorestamento de Pinus que avançou sobre áreas preservadas de Mata Atlântica, às margens do rio Itajaí, em Itaiópolis (SC), e foi atacada pelos macacos-prego Cebus apella. Foto tirada em 20/12/2013. Clique sobre a imagem para ampliar

Os moradores da região informaram que os macacos atacam os reflorestamentos com mais intensidade no inverno, quando a fome aperta e eles não conseguem encontrar comida suficiente nos reduzidos fragmentos de floresta que ainda estão em pé aguardando as próximas investidas das motosserras.

Para acabar com o problema, donos de reflorestamentos resolveram simplesmente acabar com os macacos que lutam para vivem nestes fragmentos cada vez mais reduzidos. Alguns contratam caçadores e pagam por cada macaco-prego abatido. Em 2005, fui informado por moradores que um dono de reflorestamento pagava R$ 10,00 por cabeça.


Macaco-prego (Cebus apella) fotografado na RPPN Corredeiras do Rio Itajai, em Itaiópólis, Santa Catarina. Foto tirada em 17/01/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.


O problema dos macacos se alimentarem da casca de Pinus é bem conhecido há muito tempo conforme mostra este trabalho publicado em 1994:

Alexandre Koehler e Carlos Firkowski. Descascamento de pinus por macaco-prego, FLORESTA, Vol. 24, No 12 (1994)


Tem até tese de mestrado sobre o assunto:
Denilson Roberto Jungles de Carvalho. Predação em Pinus spp. por Cebus nigritus (Goldfuss, 1809) (Primates; Cebidae) na Região Nordeste do Paraná; UFPr – Setor de Ciências Biológicas – Pós-graduação em Ecologia e Conservação - Curitiba (2007) - Tese de Mestrado em PDF


Macaco-prego (Cebus apella) fotografado na RPPN Corredeiras do Rio Itajai em 17/01/2010. Clique sobre a imagem para ampliar.

Um comentário:

Cassiano Roman disse...

Olá Germano, apenas na tentativa de contribuir: acabei de ler a reportagem sobre o "ataque" dos macacos-prego em PLANTAÇÕES de Pinus Ao inves de reflorestamento, como citado, acredito que o termo plantação ou monocultura é bem mais realista que reflorestamento!
E essa "ideia" de caçar os macacos deve ser punida com muita energia, uma vez que o prejuízo destas empresas ao perder alguns hectares não é nada se comparada a perda de indivíduos/genes de uma espécie. Abraço e parabéns por toda a sua luta.