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domingo, 8 de junho de 2014
Eventos climáticos extremos: Chuva em Guaramirim atinge recorde
O pluviômetro instalado na RPPN Santuário Rã-bugio, em Guaramirim (SC), registrou 338 mm de chuva entre quinta-feira do dia 05/06/2014 e domingo, dia 08/06/2014. A cidade ficou inundada e ocorreram vários deslizamentos nas encostas da Serra do Mar.
Este volume de chuva registrado neste período de 4 dias teve a seguinte distribuição:
05/06/2014 (quinta-feira): 14,8 mm
06/06/2014 (sexta-feira): 74,0 mm
07/06/2014 (sábado): 137,9 mm
08/06/2014 (domingo): 111,4 mm
A precipitação de 338 mm corresponde a uma lâmina d’água de 33,8 cm de profundidade distribuída por toda a região, supondo que a chuva é uniforme. A precipitação varia muito de um lugar para outro, distantes de 5 km ou até menos.
Porém, a água da chuva que cai sobre os morros e outras partes mais altas escoa rapidamente para as partes mais baixas da cidade, resultando em uma profundidade da água acumulada muito maior do que 33,8 cm. Isto explica a grande inundação que este volume de água provocou nas partes mais baixas, atingindo até o telhado de algumas casas.
Na tragédia de novembro de 2008, quando ocorreram várias mortes por deslizamentos das encostas, o volume de chuva acumulado em 4 dias foi maior, de 366 mm, com a seguinte distribuição:
21/11/2008: 89,8 mm
22/11/2008: 157,0 mm
23/11/2008: 69,7 mm
24/11/2008: 49,4 mm
No dia 20/11/2008 também choveu bastante, 25,3 mm. Mas para efeito da análise a seguir, está sendo considerado este período de 4 dias de chuva.
Apesar de estes números revelarem o contrário, muitos moradores de Guaramirim e Jaraguá do Sul estão achando a inundação deste domingo foi maior do que a de 2008. Eles podem ter razão. Se o registro dos índices pluviométricos fosse feito de hora em hora daria para entender melhor o que ocorreu e comprovar claramente esta observação dos moradores.
Há 12 anos vem sendo registrado a precipitação na RPPN Santuário Rã-bugio com um pluviômetro instalado de acordo com as normas internacionais e a precisão da medida do volume de água coletado da chuva é de 1 mililitro (ml). O pluviômetro não é automatizado e a coleta manual tem sido feita pela proprietária da RPPN, Elza Nishimura Woehl, e se encerra às 21 h. Então, a chuva que ocorre após às 21 h é coletada e contabilizada no dia seguinte.
Portanto, pode ter ocorrido em Guaramirim uma precipitação superior a 200 mm num período bem curto, em menos de 12 horas, entre a tarde de sábado até a manhã de domingo. Isto explica esta grande inundação ocorrida na manhã de domingo. Também, desta vez, pode ter chovido mais nas cabeceiras do rio Itapocu do que em 2008 e rio mais cheio represou o escoamento da água em Guaramirim.
Durante estes 12 anos, já foram registrados várias precipitações acima de 150 mm em períodos de 24 h, sem causar grandes inundações. A média anual de precipitação em Guaramirim é de 1600 mm.
Os cientistas denominam de evento climático extremo fenômenos meteorológicos anormais como esta chuva de intensidade absurda que ocorreu em Guaramirim e Jaraguá do Sul. Estes eventos não são novidades, sempre ocorreram. A novidade – e a preocupação – é que nos últimos anos estão se tornando cada vez mais frequentes. Na nossa região sofremos o segundo evento climático extremo em pouco mais de 5 anos.
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
Tornado causa destruição na Mata Atlântica de Santa Catarina.
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| Só restaram os troncos das árvores após a passagem de um tornado pela parte mais preservadas da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Exemplar gigantesco de ARAÇA-PIRANGA (Eugenia leitonii) que foi estraçalhado pelo tornado que atingiu uma das partes mais preservadas da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliar |
Árvores ameaçadas de extinção foram derrubadas pela força dos ventos.
Um evento climático com características de um tornado causou grande destruição na Localidade Linha Cerqueira, em Itaiópolis (SC). Moradores, famílias de pequenos agricultores, ficaram muito assustados porque ainda não tinham ainda vivenciado um fenômeno climático tão devastador.
Ventos que giravam com altíssimas velocidades destruíram uma faixa de Mata Atlântica primária da RPPN das Araucárias Gigantes, praticamente moendo as árvores centenárias de espécies ameaçadas de extinção como CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera) e CANELA-PRETA (Ocotea catharinensis). Pássaros de várias espécies foram encontrados mortos nas bordas das matas. As plantações de tabaco de 45 pequenos agricultores foram arrasadas, com perda total da maioria das lavouras. Os fortes ventos também destruíram casas de madeira, destelharam e derrubaram até paredes de alvenaria de casas e estufas de secagem de tabaco.
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| CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera), espécie ameaçada de extinção, derrubada pelo tornado que atingiu uma das partes mais preservadas da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliar |
Crianças entraram em pânico. Elen Iasmin Govacki, 9 anos, tentava em vão acender uma vela benta dentro de sua casa que estava bem fechada mas não conseguia porque o vento entrava com muita força pelas frestas das portas e janelas. Desistiu e saiu correndo para outro cômodo da casa ao ouvir estrondos e ver pela janela da cozinha duas copas de araucárias sendo arrancadas e arremessadas em sua direção, mas por sorte não atingiram sua casa. Nem a igreja da comunidade escapou da fúria dos ventos, tendo parte do telhado arrancado.
O fenômeno ocorreu no sábado do dia 14/12/2013, por volta das 17 h e durou apenas 20 minutos. Foi bem localizado em uma faixa de 500 metros de largura e estendendo-se por alguns quilômetros. O que estava dentro desta faixa sofreu destruição, mas com intensidade variável. Na parte onde o suposto tornado tocou o solo pela primeira vez foi a mais destruída. As folhas de tabaco foram arrancadas e varridas das lavouras, restando apenas o talo. Muitas araucárias jovens que estavam no caminho do tornado tiveram as copas decepadas e atiradas bem longe.
O tornado veio acompanhado de muito granizo que atingiram também propriedades vizinhas e contribuiu para aumentar os prejuízos dos agricultores, muitos dos quais perderam a única fonte de renda de um ano, já que a metade não fez seguro da lavoura e alguns fizeram seguro parcial. Além disso, eles financiaram máquinas e o custeio das lavouras e, portanto, dependiam da safra para quitarem as dívidas contraídas.
Infelizmente, a RPPN das Araucárias Gigantes estava próxima do ponto onde o tornado tocou o solo pela primeira vez e uma faixa de mata primária entre 30 e 70 metros de largura, a partir da borda das lavouras, foi triturada, ficando apenas o tronco da maioria das gigantescas árvores centenárias, sendo que algumas foram arrancadas com as raízes. Esta destruição foi ao longo de 200 metros da divisa entre RPPN e a área de agricultura, onde o tornado perdeu força ou sofreu um desvio para fora da mata. As gigantescas araucárias da RPPN, que podem ter mais de 500 anos, estão fora desta faixa e nenhuma sofreu qualquer dano.
A Elza e eu chegamos para ver o estrago na RPPN três dias depois. De longe parecia que não era tão grave como nos informaram. Achamos que somente algumas árvores da borda tiveram as copas arrancadas. Quando entramos na área, que era de mata primária, ficamos assustados com o cenário de destruição. Parecia que uma roçadeira gigantesca passou por ali. Não conseguíamos se deslocar de tantos galhos enormes caídos, das copas inteiras das árvores, das quais restaram apenas os troncos. Conseguimos reconhecer algumas das árvores que foram marcantes, como de uma espécie rara que só recentemente conseguimos identificar. No meio dos escombros conseguimos localizar um exemplar de CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera), espécie ameaçada de extinção, que costumamos mostrar para os visitantes. Graças a Deus que a 50 metros da borda não teve destruição, a mata permaneceu intacta. No entanto, descobrimos mais tarde que outra parte de mata secundária da RPPN foi também duramente atingida (veja imagem acima).
Este é o terceiro evento climático extremo que atinge a região em três anos e meio. A mata ainda estava se recuperando da nevasca ocorrida no dia 22 de julho deste ano e do vendaval e granizo do dia 16 de julho de 2009. Se estes eventos continuarem ocorrendo com esta freqüência teremos impactos significativos sobre as últimas áreas bem preservadas de Mata Atlântica e as atividades de agricultura poderão ficar inviabilizadas. Não há nada que se possa fazer diante da poderosa força destruidora destes fenômenos, a não ser rezar como fizeram os agricultores durante os longos vinte minutos em que estiveram com suas vidas em jogo dentro de suas casas sacudidas pela força dos ventos.
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Exemplar
gigantesco de canela-bugia (Ocotea nectandrifolia) derrubada pelo tornado do
dia 14/12/2013 na RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC)
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| Borda da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC), atingida pelo tornado. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Pinheiros (araucárias) em frente da residência do agricultor Elcio Glovacki tiveram as copas decepadas pelo tornado. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Copada de uma das araucárias da imagem acima foi parar no meio de uma plantação de tabaco. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Elza Nishimura Woehl junto a uma CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera), espécie ameaçada de extinção, derrubada pelo tornado que atingiu uma das partes mais preservadas da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliar |
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| CANELA-SASSAFRÁS (Ocotea odorifera), espécie ameaçada de extinção, derrubada pelo tornado que atingiu uma das partes mais preservadas da RPPN das Araucárias Gigantes, em Itaiópolis (SC). Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Tornado destruiu parcialmente a estufa de secagem de tabaco de Elcio Glovacki, integrado da Souza Cruz. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Plantação de tabaco arrasada pelo tornado. Foi próximo neste local que o tornado tocou o solo pela primeira vez. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Casa de madeira destruída pelo tornado. Clique sobre a imagem para ampliar |
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| Reflorestamento de Eucalipto no entorno da RPPN das Araucárias Gigantes atingido pelo tornado. Foram derrubadas 53 árvores neste local. Clique sobre a imagem para ampliar |
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