sexta-feira, 26 de março de 2010

Educação Ambiental para diminuir as resistências à criação de unidades de conservação da natureza

Estudantes do ensino médio da Escola Estadual "Professor João Cruz", de Jarareí (SP), nas atividades de interpretação de trilha em um fragmento da Mata Atlântica do Campus da UNIVAP, Vila Branca, em Jacareí.

Sempre que se tenta criar uma unidade de conservação da natureza há uma grande resistência da maioria da população. Isto é um indicador de que o Brasil está na estaca zero em termos de Educação Ambiental. Que precisa de investimentos pesados nesta área como fazem os países do primeiro mundo.

Vejam o resultado do nosso projeto no relatório da estudante YASMIN JESUS DE MELO, da escola pública estadual EE PROFESSOR JOÃO CRUZ de Jacareí (SP), vale do rio Paraíba, participante das atividades de interpretação de trilha, no fragmento de Mata Atlântica do campus da UNIVAP em Jacareí. No final da página Projetos em Andamento estão disponíveis outros relatórios dos estudantes que participaram das atividades deste projeto que só foi possivel realizar graças ao patrocínio da Johnson & Johnson.

Percebam como é importante realizar este projeto. Geralmente, os estudantes não têm noção do que significa uma mata preservada e pelo resto da vida não vão compreender a necessidade de se criar áreas protegidas (unidades de conservação da natureza), por exemplo. O pouco de conhecimento que eles absorverem já é suficiente para terem uma visão diferente e formarem outros valores.

Quando a maioria das pessoas acha que criar uma área protegida é estorvo, vai travar o desenvolvimento, é sintoma de algo está muito errado. Não estão estendendo ou levando a sério a questão ambiental. O normal é a sociedade pedir - e não impedir - a criação de uma área protegida. E nossa atuação vai neste sentido, ou seja, trabalhamos na construção de uma sociedade bem informada para tomar as decisões corretas.

Aqui, na região do vale do rio Paraíba, São Paulo, estamos vivenciando um lamentável caso de resistência da população contra a criação do Parque Nacional Altos da Mantiqueira e a imprensa vem colaborando ativamente para desinformar a população.

Equivocadamente, não menciona os benefícios que o parque trará para o desenvolvimento sustentável da região. Apenas critica intensamente. Mostra que propriedades rurais arrasadas, espremidas nos fundos dos grotões entre as gigantescas montanhas da serra da Mantiqueira, com seus recursos naturais completamente esgotados e problemas ambientais gravíssimos de difícil solução decorrentes de décadas de exploração predatória podem ainda trazer prosperidade para seus proprietários.

A criação de uma área protegida não provoca e nunca provocou êxodo rural no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo. Já a degradação dos terrenos e estas monoculturas de eucalipto e outras plantas, comprovadamente provoca.

Acho que o Parque Nacional Altos da Mantiqueira vai gerar mais renda para os proprietários rurais e para os municípios do que estas plantações de eucaliptos que estão se espalhando por toda a paisagem. Quanto a este problema que vai gerar um passivo ambiental que compromete seriamente o futuro da região, os prefeitos que tanto criticam a criação do parque não demonstram a mesma preocupação.

É claro que eles não vão reclamar. Porque quem vai ter que assumir este passivo ambiental e sofrer as conseqüências é a sociedade, as gerações futuras. Alguém duvida disto? Pergunte então para os moradores de São Luiz do Paraitinga (SP) que tiveram sua cidade destruída recentemente por uma enchente tão devastadora, como se fossem atingidos por um tsunami.

3 comentários:

Angela disse...

Caro Germano fico indignada como os valores estão se perdendo ano a ano,hj o consumismo tomou conta das novas gerações,e só valorizam o 'status',sinto como se eu estivesse em outro mundo de uns 20 anos para cá.
E oque me deixa mais triste é ver que a mídia,com todos os recursos que tem ,de bem informar a população,contribuindo...fica muito além do que esperamos...
ForçAaaa;CoragEeem;e PerseverançAaa!!
Só merecem ouvir isso pessoas de caráter!!
Parabénss pelo seu trabalho!!

Priscila disse...

Olá Germano.
Moro em Itajubá, cidade no pé da Mantiqueira, que não está inlcusa no projeto do Parque.
Sou bióloga trabalho e ativamente pela conservação!
Não sou contra o parque, porém o jeito que o projeto foi feito.
A área do parque foi delimitada, sem praticamente nenhum estudo, o que levou a casos extremos, como o de Guaratinguetá, que teve 20% de seu território incluso no Parque.
Temos que trabalhar sim muita educação ambiental! Mas também temos que bater de frente com as autoridades resposáveis pelos projetos, quando os mesmos são incoerentes.
A idéia do Parque é ótima, a Mantiqueira é de uma riqueza indiscutívele que precisa ser preservada. Porém não acho que um parque Nacional seja a melhor categoria para a história da região.
Visto dentre outros muitos problemas, que o impacto social à ser gerado pelo implantação do parque, é algo que hoje em dia já não pode ocorrer mais, visto que temos unidades de conservação que permitem moradores dentro, unindo esses à conservação. Hoje não se faz mais conservação sem as pessoas.
Um grande abraço

Bárbara Janaina D. Sampaio disse...

Educação fala sério nesse país onde os diretores do IBAMA conseguiu fechar a diretoria de Educação Ambiental porque não dava lucro financeiro diz o nosso poeta a força da grana destrói coisas belas. Então tenha certeza que esse projeto não terá recursos com certeza.